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Goiás avalia formas de evitar que cana seja nova monocultura

A expansão da área de cana-de-açúcar em Goiás mal começou, em meio à expectativa da construção de ao menos 40 usinas de açúcar e álcool no Estado na próxima década, e já é intenso o debate sobre como evitar que a gramínea se transforme em uma nova monocultura goiana, como ocorreu com o arroz e depois a soja.

O Estado, atualmente com uma área plantada de apenas 237 mil hectares de cana, é visto como uma das próximas fronteiras para essa cultura, pela sua proximidade com São Paulo.

Tanto que a Petrobras pretende começar a construir em 2007 um alcoolduto em Goiás, para trazer o combustível ao território paulista, o maior centro consumidor e exportador de álcool.

O primeiro capítulo da discussão sobre a cana se deu em Rio Verde, em meados de novembro, depois que o prefeito sancionou uma lei que limita o plantio da gramínea em apenas 10 por cento da área agricultável do município, conhecido nacionalmente por ser importante pólo processador de frangos e suínos, atividade que requer considerável produção de grãos em seu entorno.

“O município, tomando essa medida, lançou um alerta, que nesse aspecto é positivo. Despertou para o fato de que pode haver um problema se houver uma expansão desordenada de cana, disse nesta quinta-feira à Reuters o secretário de Agricultura de Goiás, Odilon Claro de Lima.

Ele lembrou que foi montada toda uma infra-estrutura para a cadeia de carnes em Rio Verde, que incluiu inclusive financiamentos com recursos públicos, e que todo o trabalho poderia ser prejudicado se a cana, que tem remunerado mais do que outros produtos agrícolas, avançasse em áreas de grãos no município.

Esse alerta, acrescentou o secretário, serve para que o Estado não repita o erro de ficar dependente de uma monocultura. Ele lembrou que no passado Goiás dependia do arroz e agora, mais da soja. O Estado é o quarto maior produtor da oleaginosa do Brasil.

Por outro lado, o secretário afirmou que a medida de Rio Verde “assusta. “Porque é uma grande intervenção no patrimônio particular… Vivemos em um mundo capitalista, não podemos cercear o direito do produtor, isso choca, declarou.

Segundo o secretário, o governo ainda não cogita tomar uma medida semelhante à do município no plano estadual.

Mas ele ressaltou que os setores público e privado deverão discutir a questão, e, a partir de um consenso, o Estado poderia incentivar o plantio de cana em determinadas áreas ou não.

“É lógico que a indústria (da cana) não vai para determinadas regiões, onde o plantio não é adequado, e por isso tende a haver a concentração. Mas é essa concentração que temos de evitar. Estamos discutindo para chegar a um consenso.

De acordo com Lima, há alternativas para que a cana avance no Estado sem prejudicar outras culturas, como a soja e o milho, importantes matérias-primas para as indústrias de alimentos, instaladas no Estado, e de biodiesel, que também começam a chegar a Goiás.

O secretário destacou que área para a expansão da cana não falta.

E exemplificou: “Temos 20 milhões de cabeças de bovinos pastando em uma área de 20 milhões de hectares. Se fizermos uma pequena alteração no manejo… liberando 20 por cento das pastagens (para a cana), teríamos 4 milhões de hectares que seriam suficientes para a implantação de 150 usinas de médio porte.

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