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Gigantes do varejo chinês já traçam planos para o Brasil

A missão de “mascate oficial” para “vender” o Brasil como país com o qual vale a pena fazer negócios parece ter rendido bons resultados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerrou, ontem, sua visita de cinco dias à China.

Num café da manhã organizado pelo governo brasileiro, o presidente Lula recebeu dezoito empresários chineses, alguns com planos de investir no Brasil e outros que já estão no mercado brasileiro – como a SVA e a ZTE, dos setores eletroeletrônico e de telecomunicações, e a Shangai Anxin Flooring, de assoalhos de madeira -, que pretendem ampliar seus negócios. Entre as novas empresas, destacam-se gigantes de varejo e distribuição.

O Brilliance Group, a maior empresa de distribuição no varejo da China, tem interesse em desenvolver projetos com empresas brasileiras da área de alimentação, segundo relatório preparado pelo governo brasileiro. Essa empresa surgiu em fevereiro de 2003, a partir da fusão de quatro estatais, para fazer frente às estrangeiras Carrefour, Wal-Mart, B&Q e Metro, entre outras.

O presidente da East Hope, Liu Yongqing, é um dos homens mais ricos da China e também demonstra interesse em fazer negócios com o Brasil, envolvendo parte de suas 68 subsidiárias. A segunda maior empresa do setor de alimentos chinês, a Shanghai Sugar, Cigarette & Wine Group também tem negócios nas áreas de logística, varejo, comércio eletrônico, seguros, hotelaria e restaurantes. No início do mês, num projeto organizado pelo Consulado do Brasil em Xangai e a Agência de Promoção de Exportações (Apex), a empresa enviou uma missão ao Brasil para conhecer empresas da área de chocolates e confeitaria. A idéia é organizar uma mostra de produtos brasileiros na sua loja de departamentos — a Shanghai First Food Store – em outubro.

O relatório do governo, que serviu de base para a lista de convidados para o café da manhã com o presidente, cita em primeiro lugar a China Aluminium Group (CAG), a maior fabricante de alumínio da China, que resultou da fusão, no ano passado, das principais empresas chinesas do setor. No Brasil , ela assinou carta de intenções com a Mineração Curimbabá, de Minas Gerais, para desenvolver projeto de mineração de bauxita e instalar uma usina de alumina. O investimento é estimado em US$ 1,5 bilhão.

A Desano, fundada em 1996 como uma trading especializada em produtos farmacêuticos e que desde 2002 fabrica princípios ativos antivirais para combater a Aids, estuda a possibilidade de investir numa unidade de princípios ativos, para depois talvez fabricar o próprio coquetel contra a Aids. A Desano já fornece matéria prima para o coquetel.

O Shanghai Industrial Investment Group, estatal fundada pela prefeitura de Xangai em 1998 para desenvolver projetos de interesse da cidade, possui 10 subsidiárias. Seu presidente, Gu Changgji, esteve recentemente no Brasil e estuda a possibilidade de desenvolver projeto de mineração de cobre com a Companhia Vale do Rio Doce.

O café da manhã com o presidente também reuniu empresas chinesas que já possuem investimentos no Brasil e que pretendem ampliar seus negócios, como a SVA, a ZTE e a Shanghai Anxin Flooring – uma das maiores indústrias de assoalhos de madeira da China. Essa companhia possui duas serrarias no Brasil para exportar madeira à China (300 contêineres por mês). Neste ano, deve expandir o investimento – em vez de mandar a madeira à China para ser reexportada aos Estados Unidos, recebeu autorização da matriz para embarcar assoalhos diretamente aos EUA e Europa.

O presidente do Grupo Feiyue, Qiu Jibao, disse na reunião que pretende iniciar a produção de máquinas de costura em São Paulo. Qiu abriu sua fábrica na China há 15 anos, com apenas 10 funcionários. Hoje emprega 4 mil pessoas e fabrica 2 milhões de máquinas por ano. Um relatório sobre as empresas que participaram do encontro de ontem com o presidente informa que o Grupo Feiyue está interessado em comprar a Singer no Brasil, tradicional fabricante de máquinas de costura. Qiu disse que o Brasil pode servir como um trampolim para sua empresa exportar máquinas de costura a outros países.

Quatro empresários chineses reclamaram que falta informação sobre o Brasil na China. Antes de reclamarem, ouviram dos ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do ministro do Planejamento, Guido Mantega, um relato sobre a situação econômica no país.

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