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Gigante alemão de olho em negócio de açúcar no Brasil

O grupo alemão Südzucker, maior produtor europeu de açúcar refinado e maior companhia do setor do mundo em faturamento, confirmou que o Brasil está no seu radar para futuros investimentos. A companhia esteve até recentemente com algumas empresas brasileiras, interessada em fazer aquisição ou mesmo joint venture, mas as negociações ainda não prosperaram. “Estamos de olho e temos interesse no Brasil”, afirmou o porta-voz da companhia Rainer Dull.

Presente em dez países europeus, a múlti alemã montou seu império do açúcar concentrando as aquisições de refinarias e usinas de açúcar no continente europeu. Uma das mais importantes aquisições feitas pelo grupo foi a compra da francesa Saint Louis Sucre, em 2001. O crescimento do grupo foi sustentado ao longo dos últimos anos com aquisições também realizadas no Leste Europeu, importante região produtora de açúcar da Europa, de acordo com Patrick du Genestoux, diretor geral da consultoria francesa Ersuc.

“Faz tempo que a Südzucker está interessada no mercado brasileiro. Os investimentos no Brasil fazem todo sentido por ser um país com os mais baixos custos de produção e preços competitivos”, afirmou Genestoux.

Executivos alemães estiveram no país, onde visitaram unidades produtoras do Centro-Sul, confirmou ao Valor uma grande consultoria estrangeira.

A companhia alemã está entre seis grupos europeus que receberam US$ 998 milhões de subsídios no ano passado, segundo a organização não-governamental Oxfam. A empresa pode ser uma das mais afetadas pela condenação de subsídios ilegais dados pela União Européia aos produtores europeus, conforme a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi favorável ao Brasil, Austrália e Tailândia.

Analistas consideram normal o interesse da Südzucker pelo Brasil, diante da expectativa de reforma do regime do açúcar europeu. A proposta da Comissão Européia é de cortar em um terço o preço mínimo garantido ao produto até 2009, de US$ 781 para US$ 520 por tonelada. A comissão quer uma queda de 14% na produção européia, abrindo o mercado europeu para cerca de 500 mil toneladas de importações de suas ex-colônias na África, Caribe e Pacifico (ACP).

“Investimentos em açúcar fora da Europa vão ocorrer, sem dúvida”, disse Alain Beaumont, secretário-geral do Comitê de Indústrias Usuárias de Açúcar, que inclui Coca-Cola, Cadbury e Unilever. Sua entidade está satisfeita com essa perspectiva. Dos 16 milhões de toneladas de açúcar consumidos na Europa anualmente, 70% é comprado pela indústria. “Pagamos 700 euros por tonelada enquanto o preço mundial é 200 euros. Assim não dá”.

A entrada da Südzucker no Brasil aumentará a participação de grupos estrangeiros no setor sucroalcooleiro. As multinacionais francesas Louis Dreyfus e Béghin-Say foram os primeiros grupos internacionais, que a partir de 2000, fizeram aquisições no Brasil. A Louis Dreyfus, por meio de sua subsidiária Coinbra, tem três usinas no país, e a Béghin-Say tem uma usina.

As indústrias do setor estão em processo de concentração de seus negócios, com aquisições e parcerias. O Grupo Cosan e J. Pessoa foram os que mais concentraram seus negócios

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