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Gasolina mais cara

O preço da gasolina subirá hoje em todo o país devido ao reajuste, anunciado ontem pela Petrobras, de 7% no valor cobrado pelo litro do combustível nas refinarias, sem contar impostos. No Distrito Federal (DF), onde a média dos preços verificados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) é de R$ 2,202, o valor médio deverá ficar em R$ 2,27 se considerado o cálculo da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), de impacto de 3,3% na bomba. Caso prevaleça a estimativa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivado de Petróleo do Estado São Paulo (Sincopetro), de aumento de 5,2% para o consumidor final, o preço saltará para R$ 2,31, em média.

Como o mercado de gasolina é liberado, os preços variarão conforme os repasses efetuados pelas distribuidoras aos revendedores e também de acordo com a margem de lucro obtida pelos postos de abastecimento. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Sinpetro-DF) não divulgou ontem uma estimativa de quanto os preços subirão na bomba.

A Petrobras aumentou os valores dos combustíveis três vezes neste ano, das quais duas nos últimos 42 dias. Com isso, o preço da gasolina nas refinarias acumula alta de 23,3%. A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, declarou ontem que este foi o último reajuste em 2004. O diesel, que ontem sofreu alta de 10% nas refinarias, está 29% mais caro do que em 31 de dezembro de 2003. A Fecombustíveis calcula que o preço deverá subir na bomba em torno de 6,5%.

De acordo com a Fecombustíveis, o aumento anunciado ontem pela Petrobras impactará o preço da gasolina na bomba em cerca de 2,5%, se as distribuidoras e os postos mantiverem as atuais taxas de lucro. Segundo o presidente da entidade, Luiz Gil Sciuffo, será somado a isso 0,8% de impacto do último aumento do álcool, de 10%, realizado na semana passada. Como a gasolina tem 25% de álcool misturados em cada litro, os dois reajuste se somarão hoje, chegando a cerca de 3,3%.

Inflação

Mesmo diante da preocupação do governo com o impacto do aumento dos combustíveis na inflação, a Petrobras teve de aumentar os preços devido à alta do petróleo no mercado internacional nos últimos meses (o barril chegou a ser cotado a US$ 55,67, e agora está na casa dos US$ 50). O Banco Central (BC) havia alertado que a estatal teria de aumentar os preços ainda uma vez neste ano, o que a direção da Petrobras não gostou. No fim, a petroleira teve de dar o braço a torcer para não amargar perdas financeiras maiores devido à diferença de preços nos mercados interno e externo.

Sem contar o reajuste anunciado ontem, o aumento da gasolina medido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no ano era de 6,41% para o consumidor. Com mais essa alta e com a elevação do preço do álcool, a Fecombustíveis avalia que o reajuste da gasolina para o consumidor fechará o ano próximo de 12%. É a mesma projeção feita por Alexandre Sant’Anna, da ARX Capital. A estimativa do Banco Central era de um aumento de 9,5% no ano.

Diferentemente do último reajuste nas refinarias (4% na gasolina e 6% no diesel), os especialistas consideraram que o aumento de ontem foi satisfatório e praticamente cobre a defasagem do preço da gasolina com a cotação do barril do petróleo mercado internacional.

Mas apontaram que a decisão pode não ter sido baseada apenas em critérios técnicos. Para eles, ao anunciar o reajuste no final de novembro, o impacto na inflação ficará concentrado em dezembro. Com isso, a Petrobras auxilia o governo a começar 2005 com menos pressão inflacionária. O centro da meta de inflação do próximo ano é de 5,1%. ‘‘Se a Petrobras não fizesse esse aumento até o dia 30, iria exportar a inflação para o ano que vem e comprometeria a meta’’, disse Adriano Pires, consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). ‘‘Não imagino que a data tenha sido escolhida aleatoriamente, o reajuste deixa limpa a inflação de 2005’’, disse Sant’Anna.

Boca no trombone

Se a Petrobras vai recompor a margem de lucro, quem abastece automóveis para trabalhar não gostou nada do novo aumento. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) divulgou nota de protesto contra o reajuste no óleo diesel. De acordo com o presidente da entidade, Otávio Cunha Filho, ‘‘o aumento do diesel tem um impacto direto sobre os custos do transporte público coletivo urbano e metropolitano e pressiona o reajuste das tarifas’’.

A nutricionista Darlethe Jackeline, que gasta um tanque de gasolina por semana para trabalhar, disse já estar acostumada com os reajustes. ‘‘É melhor não ter mais aumentos’’, disse. O engenheiro agrônomo Marco Sérgio Guimarães Pereira, morador da Asa Norte, reclamou da data do aumento. ‘‘Esperaram as eleições para reajustar e fizeram justamente numa hora em que a gente perde o controle sobre as finanças, porque tem Natal, matrícula em escola dos filhos, férias’’, explicou. Pereira gasta cerca de dois tanques de combustível por mês, que custavam até ontem em torno de R$ 100.

Custo de vida subirá

O aumento nos preços dos combustíveis deverá provocar alta de 0,23 ponto percentual na inflação de dezembro, conforme cálculos preliminares da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo. Haverá ainda um impacto extra de 0,12 ponto percentual, provocado pela elevação de outros preços relacionados ao dos combustíveis, como o dos fretes do transporte rodoviário de carga.

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, Paulo Picchetti, preferiu não fazer uma projeção para dezembro, alegando ser preciso saber qual será o reajuste para o consumidor, nos postos de combustíveis. Até a semana passada, a previsão da Fipe era de uma taxa de 0,45% em dezembro. Com o impacto de 0,23 ponto porcentual de alta referente aos combustíveis, o IPC poderia atingir 0,68%.

De acordo com Picchetti, os preços administrados deverão ser, mais uma vez, os principais vilões da inflação este ano. A conta de luz, por exemplo, já ficou 13% mais cara este ano em São Paulo. As tarifas de telefonia subiram 11%, o preço da gasolina teve alta de 9,99% e o da água e esgoto, 7%. No mesmo período, os preços da alimentação subiram apenas 3,95%.

Na terceira prévia de novembro, divulgada ontem, o IPC teve variação de 0,57% — 0,11 ponto percentual de queda em relação ao período anterior (0,68%). As maiores pressões de alta vieram dos aumentos ocorridos nos preços do álcool e da gasolina que subiram, respectivamente, 12,7% e 3,53% no período. Juntos, tiveram impacto de 0,16 ponto porcentual de alta no IPC.

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