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Gasolina influencia preço elevado do etanol, diz especialista

As explicações sobre entressafra e a razão de uma opção rentável ao produtor que justificam o aumento do etanol, não convencem alguns especialistas que apontam outros fatores que são debatidos ainda timidamente pelo mercado. Para o governo federal, a única maneira de manter os preços competitivos do etanol é manter a paridade de 70% da gasolina, mas a questão é mais complicada para o produtor sucroenergético que precisar decidir entre ter margem de preço e lucro projetadas ao produzir açúcar ou ficar atrelado ao preço da gasolina ao produzir etanol. Esta é a opinião de Arnaldo Corrêa, gestor de riscos especializado em commodities agrícolas.

Ele explica que o etanol está no meio de duas commodities internacionais: açúcar e petróleo que são regidas pelas leis de mercado, ou seja, oferta e demanda. “Mas, no Brasil, o produtor precisa viver o eterno dilema de produzir açúcar (que ele consegue visualizar o mercado futuro e projetar preço e remuneração), ou produzir etanol (que fica aprisionado à paridade com a gasolina, cujo preço é controlado pelo governo). Manter a paridade enquanto o governo não sai do conforto é, portanto, a missão hercúlea do produtor de etanol”, fala.

De acordo com o especialista, isso acontece porque a argumentação do governo ainda se baseia na velha máxima dos preços de petróleo no mercado internacional, afirmando que no momento em que o preço do barril atingiu 150 dólares lá fora, no Brasil o preço da gasolina não mudou em nada. “Uma bobagem sem precedentes, afinal mercados controlados diminuem a transparência, aumentam a distorção de preços e afugentam investidores. Se tivéssemos um mercado de gasolina livre, o setor sucroenergético teria se antecipado aos investimentos necessários e, talvez, não estaríamos hoje com um atraso na expansão para atender a participação cada vez maior do etanol, sobretudo no mercado interno”, completa.

Porém Arnaldo Corrêa ainda deixa as seguintes dúvidas para reflexão: “Como o mercado vai atuar para atingir 1 bilhão de toneladas de cana necessárias para atender ao mercado daqui a cinco anos? Como esperar que o etanol se torne commodity se um dos maiores produtores mundiais tem seu preço limitado e vinculado ao da gasolina controlada?”, finaliza ele.

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