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Feicana/Feibio: ambientalistas discutem agroindústria

Ambientalistas da S.O.S Mata Atlântica, da ONG The Nature Conservancy (TNC) e da WWF–Brasil participaram na manhã de hoje (28) do seminário “Sustentabilidade Ambiental no Setor Sucroalcooleiro”, com parte do programa da semana Feicana/Feibio, evento que termina hoje, em Araçatuba, SP. Cerca de 200 pessoas, entre diretores de usinas, trabalhadores, acadêmicos e ambientalistas participaram do workshop socioambiental que encerrou os ciclos de palestras da feira.

A ambientalista Malu Ribeiro, da S.O.S Mata Atlântica, abriu o 1º painel de exposições abrangendo, principalmente, as áreas de preservação da região Centro-Oeste, relacionadas com a expansão do setor sucroalcooleiro. Ribeiro destacou a aplicação de alta tecnologia no processo produtivo de açúcar e álcool como o grande aliado da agroindústria para a preservação do meio-ambiente.

“Os avanços tecnológicos permitem que a agroindústria aumente sua produtividade de forma sustentável. Os investimentos possíveis de serem feitos hoje, em uma área produtiva ou plantada são inteligentes na questão da preservação”, explicou.

Como exemplo, a ambientalista destacou os trabalhos que vêm sendo realizados por grupos usineiros nordestinos. “Naquela região, a escassez fez os executivos enxergarem que era preciso investir em tecnologia para preservar o que eles têm. Hoje, as usinas nordestinas conseguem aproveitar o máximo da cana-de-açúcar, produzindo energia própria e criando sistemas hídricos sustentáveis”.

O engenheiro agrônomo Fernando Veiga, da TNC (The Nature Conservancy), segundo palestrante, destacou o setor sucroalcooleiro como um dos mais importantes na luta contra a degradação ambiental. “O setor sucroalcooleiro tem uma responsabilidade que vai além da econômica. A produção da biomassa como fonte energética é apontada como a saída para os problemas que estamos enfrentando. Para isso, só faltam políticas públicas e parcerias entre os setores privados e o governo”, afirmou Veiga, lembrando ainda que a preocupação dos empresários do setor com a natureza é real. “Existe um engajamento muito grande por parte das usinas”.

Veiga lembrou também que a expansão do setor de bioenergia brasileiro é o único do mundo que pode aliar produtividade, gerando riquezas e reaproveitamento total da matéria-prima. “A bioenergia dá oportunidade de novos mercados, que são os biocombustíveis. Somente o Brasil tem uma diversidade tão grande de produtos que podem ser transformados em energia. Só precisamos fazer tudo isto da forma correta”.

O seminário ainda contou com a participação de Luís Fernando Laranja, da WWF-Brasil, que também defendeu a criação de parcerias público-privadas para direcionar o crescimento do setor sucroalcooleiro. “Precisamos de políticas que solucionem os problemas onde já existia cana-de-açúcar plantada e que ordene o crescimento daquelas áreas que estão recebendo o cultivo agora, como toda a região de Araçatuba”.

Atualmente, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), 20% das terras agricultáveis da região são destinadas à cana-de-açúcar, 20% ao cultivo diverso e 60% para a pecuária. “Dentro de cinco anos, porém, esta área destinada à cana vai chegar a 32%, por isso precisamos pensar agora em desenvolvimento sustentável”, finalizou.

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