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Falta álcool

Estávamos nos anos 80 e a Belina do meu pai rateava, mas pegava. E, indo para Tietê, cruzava dezenas de treminhões, que mais tarde eu viria a saber ser o nome daquelas carretas carregadas de cana-de-açúcar. Carretas e cana que eram perdição para minha avó: o tráfego enchia a sala da poeira da estrada de terra e as cinzas da queimada invadiam cada cantinho da casa.

Fui para lá dia desses. Por aqueles 160 km, não cruzei um treminhão. Minha avó não estava, mas, se estivesse, não teria que se preocupar com a limpeza. Não havia poeira, não havia cinzas. Em parte, porque não havia álcool no tanque do carro -que infelizmente não era a velha Belina.

Foi isso o que fizemos com o mais bem-sucedido programa de energia alternativa de que se tem notícia. Esvaziamos as estradas, fechamos as usinas, passamos a valorizar os modelos a gasolina e, assim, trocamos nossos Fiat 147 – o primeiro a encampar a idéia-, Fuscas, Corcéis e Belinas a álcool por motores a petróleo.

Maldito complexo de vira-latas. Em 79, 80% da frota nacional era movida a etanol. Essa fatia, hoje, é de aproximadamente 20%.

Mas eis que o combustível desenvolvido aqui ameaça renascer.

Primeiro, foi a nossa criatividade, que, há três anos, lançou os motores flex -e podem me chamar de nacionalista bobo, mas gosto dos adesivinhos nas traseiras dos carros. Ali, tem álcool.

Depois, o encantamento dos EUA. Numa única semana, a última, Bush colocou de vez o etanol na agenda do seu quintal e os Googles visitaram uma usina em Piracicaba -coincidência, pertinho de Tietê. Bill Gates, pelo que consta, também está encantado.

Mas o que isso tem a ver com o automobilismo? Simples. No esporte, eles já passaram à frente.

A IRL, neste ano, vai começar a trocar o metanol pelo etanol: os carros serão abastecidos com uma mistura de nove para um. Em 2007, o metanol sairá de cena.

Mais: a indústria americana de álcool (no caso, de milho) bancará um carro, de uma das atrações do campeonato, o jornalista-piloto Paul Dana. Na carenagem, um “e” azul e verde, clean, ecológico… E a marca “ethanol”.

“Queremos mostrar que o álcool pode produzir alto desempenho e vencer desconfianças. O automobilismo é perfeito para isso”, disse um certo Dave Griend, de uma empresa do Kansas que faz usinas e que entrou na vaquinha.

Por aqui, vamos no caminho inverso. Nos anos 80, por imposição federal, todas as categorias nacionais usavam álcool. A exceção era a F-3, que ainda era verdadeiramente sul-americana e tinha motores importados. Em 2006, só a Copa Clio e a Pick up Racing serão abastecidas com o etanol. E o biodiesel, que é o “futuro” e é “nosso”, como bradou Lula? Não existe no automobilismo local.

Um dos cenários mais risonhos previstos pelo marketing esportivo é aquele em que o espectador é também o consumidor. É o caso, e certamente há gente no governo ou na Petrobras que sabe disso.

Então, por que não colocar álcool ou biodiesel ou GNV na Stock, na Truck, categorias de massa? Não sei. Fica a sugestão.

Falta pista boa

Em outros tempos, Spa deixaria o campeonato e lutaria para retornar. Agora não. Voltará no ano que vem, com tranqüilidade. Pesquisas de opinião, experiência própria e audiências de TV tiraram o encantamento de Ecclestone e Mosley pelos “circuitos Tilke”. Ufa!

Falta pouco

Gestora de Interlagos, a SPTuris espera para as próximas semanas a conclusão de uma auditoria que deve trazer à tona outros absurdos como os relatados nesta coluna na semana passada. Entre as medidas a serem adotadas, está a instalação de um posto bancário no autódromo, que extinguirá os recibos mequetrefes preenchidos à mão pelos organizadores de corridas. Isso, claro, quando eles estão a fim de dar recibo.

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