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EXCLUSIVO: “Só metade vai aproveitar a boa fase da cana”, afirma diretor do Itaú BBA

Apenas metade da capacidade de moagem de cana-de-açúcar da região Centro-Sul do País irá aproveitar o considerado ciclo de otimismo do setor sucroenergético, esperado a partir de 2016.

Fernando-Figliolino“Temos 600 milhões de toneladas de moagem na região e metade será beneficiada e a outra metade não”, afirma Alexandre Figliolino, diretor comercial de Agronegócios do Itaú BBA.

Agrônomo, Figliolino é um dos maiores especialistas do mercado financeiro sobre o setor sucroenergético e deixa o cargo no Itaú BBA no próximo dia 31 deste dezembro, após 23 anos de casa. Ele deixa a instituição financeira, por conta de reestruturação do Itaú, mas não deixará o setor sucroenergético.

Figliolino concedeu ao Portal JornalCana na manhã de terça-feira (15/12), na capital paulista, sua última entrevista em evento do setor antes de deixar o Itaú. Confira a seguir. 

Portal JornalCana – Como os 180 grupos, controladores das 400 usinas de cana-de-açúcar em operação, deverão se comportar na safra 2016/17, que deverá oferecer preços bons?

Alexandre Figliolino – Não dá para dar muita colher de sopa para o azar. Com o açúcar, você tem a capacidade de fazer hedge. Infelizmente há grupos [sucroenergéticos] sem liberdade de fazer fixações para frente do açúcar por problemas de limite de crédito. Por mais que exista grandes possibilidades em 2016 eu, sendo usineiro, entre o certo e o incerto eu reforço mais para o lado do açúcar, que está com o preço mais remunerador, fixo a safra 16/17 em reais. Isso porque já me basta o etanol, que não tem hedge. Então não é bom dar colher de sopa. O país está muito instável, existe uma queda de renda absurda, poucas vezes vista. Isso provoca enormes mudanças de hábito. Além disso, o [preço] do petróleo não para de cair.

Então a orientação é cautela?

Alexandre Figliolino – É como se diz: cautela e caldo de galinha nunca fazem mal para ninguém.

E os grupos livres de problemas financeiros, não irão aproveitar o ciclo para investir?

Alexandre Figliolino – Investimento é o seguinte: vai tirando as coisinhas da gaveta, mas com o menor Capex e o máximo de retorno e olhando atentamente. À medida que o cenário vai se firmando, deve-se olhar para [aportes] em retornos não tão evidentes. Primeiro se faz o que está mais na cara. É o caso do Grupo São Martinho, que anunciou [na segunda-feira, 14/12] investimento na Usina Santa Cruz com perspectiva de retorno dentro de um ano. Se a perspectiva é de retorno em um ano não há muita dúvida. Se se está sem restrição financeira para fazer esse investimento, tem é que fazer.

Fale mais a respeito

Alexandre Figliolino – Mas é preciso ir devagar [em investimentos] porque a gente está longe de ter um quadro absolutamente claro. Agora isso aí é um trade off: à medida que tudo fica evidente, em que há certeza de que os próximos cinco anos serão um ‘paraíso’, aí quando isso ficar evidente, aí evidentemente todo mundo irá investir ao mesmo tempo. Todos irão querer adquirir ativos ao mesmo tempo e os preços irão subir. A graça da coisa está justamente em nunca se ter 100% de certeza sobre o que se faz. Digamos: é preciso saber identificar o timing perfeito para tomar decisões.Porque você pode ir na direção certa, mas no timing errado. E pode dar com os burros na água, independente de estar na direção certa. Aparentemente a direção está dada. É muito provável que os próximos três anos serão muito bons.

Os próximos três anos deverão ser bons para o setor sucroenergético? 

Alexandre Figliolino – No mínimo os próximos três anos.

Será uma fase de grupos comprarem unidades sucroenergéticas?

Alexandre Figliolino – Existe uma assimetria muito grande entre quem está bem e quem não está bem. Em termos de capacidade de moagem de cana-de-açúcar instalada, metade [cerca de 300 milhões de toneladas] está bem. Em termos de grupos [controladores de usinas] talvez 80% não estejam bem. Para quem está bem, é uma questão de investimento. Se se animar com o cenário, achar que tem consistência pela frente…

E podem surgir compradores de fora do País?

Alexandre Figliolino – Talvez eles apareçam. Com a melhora do cenário, tende a aparecer compradores de qualidade, que são os estratégicos, os investidores de longo prazo, os ‘corredores de maratona.’ E não os investidores oportunistas.

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