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Europa aposta no peso político regional brasileiro

A União Européia (UE) conta com a influência do Brasil para reforçar a estabilidade da América Latina, notando que “numa região procurando novas orientações, o presidente Lula é visto como um personagem politicamente moderado e positivo”.

Com a parceria estratégica, espera também maior cooperação e posição mais “assertiva e pro-ativa” do Brasil nas instituições internacional que seja “equivalente ao peso e papel global” do país.

Na frente política, a UE vê o Brasil como um pilar central da estabilidade da América do Sul “apesar dos refrões de não interferir em outros problemas bilaterais ou internos”. Destaca que nos últimos anos a relação com os vizinhos foi marcada pela moderação, exemplificando com a maneira como o país administra “divergências de visões” com a Venezuela e a Bolívia.

Também destaca iniciativas brasileiras de ampliar a integração do Mercosul e a Comunidade Sul-Americana de Nações. Constata que a participação brasileira em qualquer esquema regional de energia é condição essencial para contribuir no setor.

Na área comercial, Bruxelas acha que o Brasil deveria utilizar “todo seu peso” no Mercosul e no G-20 para apresentar concessões para um “resultado amplo e equilibrado” na Rodada Doha.

“Numa perspectiva mais ampla”, a UE espera que o país se engaje mais em novos desafios da economia global, onde questões de regulação tem um papel importante “para assegurar concorrência leal e desenvolvimento sustentável”.

Na Rodada Doha, entre os visados estão Argentina, Índia e China. Os chineses, por exemplo, não querem pagar por ganhos que seus exportadores vão ter com abertura dos mercados. Isso irrita dentro do próprio G-20. Já a Argentina está em recuperação industrial e suas dificuldades são conhecidas. A Índia também resiste à interferência brasileira.

Na área ambiental, a UE quer reforçar o dialogo bilateral sobre mudança climática, biodiversidade e desmatamento, para alcançar um acordo global pós-Kyoto e “reforçar nossa influência coletiva nessas áreas”.

Bruxelas sugere igualmente estudar como implementar a Convenção de Diversidade Biológica e atacar outros problemas, como poluição do mercúrio.

Na área energética, o lançamento de uma cooperação em energia renovável inclui biocombustível, mas também eficiência energética e tecnologias que emitam poucos gases de efeito-estufa.

Os europeus se dizem prontos a participar de cooperação triangular com o Brasil e a comunidade de países de língua portuguesa, sobretudo na produção de etanol.

Estimando que os dois lados tem visão comum de que os desafios globais precisam de um multilateralismo reforçado, a UE quer “harmonizar” posições sobre a Comissão de Construção da Paz e o Conselho de Direitos Humanos.

Os europeus se dizem particularmente interessados em acertas resoluções com o Brasil para aumentar os padrões de direitos humanos, reforçar democracia e governança globalmente.

O governo Lula foi criticado em algumas situações em que se absteve de votar na condenação de regimes não exatamente democráticos.

A UE propõe também na agenda a inclusão de amplo diálogo sobre não-proliferação nuclear, de forma que facilite maior relação entre os países desenvolvidos e o G-77, grupo de nações em desenvolvimento. A UE quer trabalhar com o Brasil para se desenvolver um regime global de não-proliferação nuclear.

Ao reforçar as posições com o Brasil, a União Européia considera que dá o primeiro passo importante para reforçar a cooperação internacional.

Bruxelas estima que o Brasil deveria assumir papel de liderança na América do Sul na oferta de “soluções inovadoras” para combater pobreza, desigualdade e exclusão social, redução das diferenças regionais, proteção social e trabalho decente.

Na área educacional, a UE acena com mais troca de estudantes universitários, com 30,5 milhões de euros de recursos europeus para o período 2007-2013. (AM)

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