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Euforia derruba risco a 430 pontos

O clima de euforia continua a dominar os negócios em 2004. Num dia de otimismo aqui e lá fora, marcado pela forte procura por títulos de países emergentes, o risco-Brasil caiu ontem 4,87%, para 430 pontos, o mais baixo desde 23 de março de 1998. A abundante liquidez internacional e a busca dos investidores por ativos que ofereçam retornos atraentes impulsionaram papéis como o C-Bond, que avançou 0,53%, para fechar cotado a US$ 0,9919, em nível recorde e muito próximo de 100% do valor de face. Analistas acreditam que o governo deve aproveitar o momento favorável para emitir títulos da dívida externa ainda neste mês.

A Bolsa também teve um dia positivo, com o Ibovespa subindo 4,84%. Foi a sétima alta seguida do indicador, que fechou em 23.531 pontos – outro recorde. Wall Street ajudou: o Dow Jones valorizou-se 1,23% e o Nasdaq, 2,03%.

O risco-Brasil está apenas 8,86% acima do risco médio dos emergentes, que fechou em 395 pontos, em queda de 2,71%. No fim de 2002, com o indicador brasileiro em 1.439 pontos, a diferença era de 89,5%. A última vez em que o risco brasileiro ficou abaixo da média dos emergentes foi em dezembro de 2001.

Ontem, o risco-país chegou a 418 pontos na mínima do dia, e o diretor de mercados emergentes do Goldman Sachs, Paulo Leme, acredita que o índice pode cair abaixo de 400 pontos ainda neste mês. Para ele, os investidores continuam a demandar ativos de emergentes porque os juros nos EUA seguem baixos, em 1% ao ano. Os títulos brasileiros, mesmo depois da valorização significativa ocorrida em 2003, ainda oferecem um retorno mais alto que o de papéis de muitos outros emergentes, ressalta Leme.

Um risco de 430 pontos significa que os títulos pagam, em média, 4,3 pontos percentuais acima dos papéis do Tesouro dos EUA. Os títulos peruanos rendem 2,96 pontos percentuais a mais do que os Treasuries; os turcos, 2,91 pontos. A perspectiva de um crescimento de 3,5% a 4% em 2004, o ajuste das contas externas, a política fiscal austera e o controle da inflação fazem com que os investidores fiquem mais confortáveis para comprar títulos brasileiros.

Para Leme, o governo “pode e deve” aproveitar o momento favorável e fazer a maior parte das emissões programadas para este ano ainda no primeiro semestre, quando o cenário externo deverá estar mais tranqüilo. Os investidores americanos apostam, em sua maioria, que o Fed, o BC dos EUA, vai elevar os juros em meados do ano, lembra ele. De US$ 5,5 bilhões de emissões previstas para 2004, o Tesouro antecipou US$ 1,5 bilhão em 2003. Leme acredita numa emissão agora em janeiro.

O C-Bond está a apenas 0,82% de atingir 100% do valor de face. Uma cláusula do contrato do papel permite que o governo recompre o título a esse preço em 15 de abril ou 15 de outubro, quando há pagamento de juros. Se o Tesouro optar por exercê-la em abril, tem de comunicar o mercado entre 15 de fevereiro e 15 de março.

Mas a recompra pura e simples não deve ocorrer, porque o governo não gastaria US$ 6,5 bilhões para tirar o papel de circulação num momento em que o nível de reservas líquidas está na casa de US$ 17,5 bilhões. Uma opção seria emitir um bônus global e usar os recursos para recomprar esses títulos. Hoje, o rendimento do global 09, que tem prazo médio parecido, está em 7,3%, abaixo do cupom (o juro nominal) de 8% do C-Bond. Isso sugere que, se emitisse um título com o mesmo prazo médio, o governo tenderia a captar a um custo menor. Outra vantagem de uma recompra é que o C-Bond já entrou numa fase de amortizações, o que significa que os desembolsos são maiores.

O diretor do banco Sterling Financial, Marcelo Fleury, considera possível uma emissão de bônus acompanhada pela recompra, cogitando também uma operação de troca de papéis. O estrategista do Unibanco Eduardo Freitas vê com ceticismo a possibilidade de o Tesouro recomprar o C-Bond. Para ele, o mais importante hoje é recompor as reservas. Fazer uma emissão e usar o dinheiro para abater o C-Bond não seria a melhor opção, diz. Freitas não descarta, no entanto, uma recompra parcial. Já retirar todos os C-Bonds seria complicado, por ser difícil fazer uma troca ou uma emissão de bônus de US$ 6,5 bilhões.

O Tesouro ainda não decidiu se vai exercer a opção de resgate, que só será interessante se os juros caírem mais. Com o preço médio do C-Bond a 99,5%, o ganho do investidor era de 8,17%. Se continuar caindo e o preço chegar a 100%, o governo pode resgatar o papel deixando de pagar o que superar 100%, segundo um técnico do governo.

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