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Estudo do IEA revela culturas no cerrado paulista

Levantamento recém-divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola – IEA, ligado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, revela que as formações naturais de cerrado concentram-se principalmente no interior paulista e se distribuem fragmentariamente, convivendo com áreas intensamente modificadas pela ocupação humana.

Essa fragmentação característica dificulta a viabilização de uma exploração comercial racional de essências nativas, dada a pequena escala que impede um volume de produção e extração que justifique uma atividade econômica rentável, diferentemente do que ocorre em outros estados.

O cerrado está localizado principalmente na região centro-norte do Estado de São Paulo, interrompido por outras formações vegetais, como nas proximidades de Campinas, Ribeirão Preto, Franca e Altinópolis. Em estudo que tem servido de referencial sobre o uso do solo, de 1962 a 1984, foram localizadas as principais atividades desenvolvidas nessas áreas de cerrado do Estado: Franca, Araraquara, Ribeirão Preto e São Carlos: pasto, cana, reflorestamento, culturas temporárias e citros; Jales, Fernandópolis e Votuporanga: pasto e culturas temporárias; Assis, Ourinhos e Marília: pasto, culturas temporárias e cana; Araçatuba: pasto e cana.

Pirassununga e Leme: cana, citros e reflorestamento; Baurú: pasto, cana e reflorestamento; Botucatu: reflorestamento e cana.

Da vegetação dos cerrados que originalmente cobriam o território paulista – 14%, resta apenas 1% espalhado em inúmeros fragmentos. Menos de 10% dessa vegetação estão inseridos nas unidades de conservação estaduais e o restante se localiza em propriedades rurais particulares, em processo de conservação espontânea, fato que fragiliza a situação dos remanescentes.

Com base nos processos de pedidos de autorização de supressão de vegetação encaminhados ao Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, no período de 1996 a 2001, constatou-se que foram analisados 128 pedidos de supressão da vegetação do cerrado, vindos de Barretos, Rio Claro, Presidente Prudente, Sorocaba, Botucatu, Franca, Avaré, São João da Boa vista, Ribeirão Preto, Bauru, São Carlos e São José do Rio Preto.

A primeira finalidade dos pedidos de supressão da vegetação é a atividade da pecuária, seguida dos loteamentos urbanos ou rurais. Depois da pecuária, que totalizou 4.148 hectares – 39% da área total, a cultura de citrus, com 2.417 hectares, foi a finalidade que requereu maior área de supressão. Atividades agrícolas como a cana-de-açúcar e a soja mostraram participação mais discreta. Dos processos analisados, 63% obtiveram parecer favorável para a supressão.

A substituição do cerrado, principalmente por pastagens, acarreta fortes impactos sociais e ambientais, reduzindo a biodiversidade – promovendo o predomínio da agricultura moderna fundada nas monoculturas, compactando, erodindo o solo e poluindo os recursos hídricos.

Além destes impactos ambientais, acrescente-se a substituição desse bioma por áreas de expansão urbana, acompanhando o processo de interiorização do desenvolvimento – complexos agroindustriais e pólos petroquímicos e de tecnologia de ponta que promovem uma forte pressão demográfica. Incluem-se nessa modalidade os assentamentos de reforma agrária, que, necessários, requerem planejamento complexo e políticas públicas bem direcionadas.

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