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Especialistas debatem estratégias para impulsionar a transição energética na aviação

A aviação é responsável por 2% a 3% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa

Um simpósio organizado pela coordenação do Programa BIOEN-FAPESP reuniu cientistas e representantes dos setores público e privado. A alternativa mais sólida considerada foi a rápida e substancial expansão na produção de combustíveis aéreos sustentáveis.

A aviação é responsável por 2% a 3% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa. Para que o mundo alcance sua meta líquida de emissões zero até meados do século, em conformidade com o Acordo de Paris, o setor precisa contribuir significativamente para a redução de sua pegada de carbono.

Conforme o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), “é necessário reduzir o nível de emissões, que está atualmente em crescimento, para menos de 1.000 megatoneladas de CO2 até 2030″. Uma maneira de fazer isso, conforme destacado no documento, é a rápida substituição dos combustíveis tradicionais por combustíveis aéreos sustentáveis (SAF, na sigla em inglês).

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Para discutir este tema, com foco específico nos biocombustíveis para aviação, seus desafios, oportunidades, necessidades de pesquisa e parcerias, os gestores do Programa de Pesquisa em Bioenergia da FAPESP (BIOEN) organizaram uma mesa-redonda em 5 de setembro, intitulada “BIOEN SAF Biocombustíveis para aviação”. O evento foi dividido em dois painéis: “Tecnologias e Potencial de Produção” e “Aspectos Regulatórios, Sustentabilidade e Tecnologias de Utilização”.

No primeiro painel, moderado por Rubens Maciel Filho e Luis Fernando Cassinelli, participaram Fernando Ramada Castro (C.B. & Associates), Camilo Abduch Adas (Be8) e Luciane Chiodi (Agroicone).

Um dos tópicos discutidos no primeiro painel foi o das vias tecnológicas para a produção de SAF. Ramada Castro destacou o hidroprocessamento de óleos vegetais como uma opção, devido à semelhança química de suas moléculas com as dos hidrocarbonetos do petróleo, o que oferece vantagens operacionais.

“O óleo de palma seria a melhor escolha para produzir SAF. Primeiro, porque não forma gomas, eliminando a necessidade de desgomagem. Segundo, porque sua cadeia molecular se assemelha mais à do SAF. Terceiro, porque possui o menor número de duplas ligações, exigindo assim menos hidrogênio para processamento”, explicou.

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Uma vantagem adicional mencionada durante o debate foi a capacidade do óleo de palma de crescer em áreas de pastagens degradadas, das quais o Brasil dispõe em grande quantidade. Portanto, uma expansão significativa na produção de óleo de palma não exigiria, em princípio, o desmatamento de novas áreas. Considerando o todo, enfatizou-se que a sustentabilidade deve se basear em três pilares: ambiental, econômico e social.

Symone Araújo, diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), seguiu essa abordagem em sua apresentação no segundo painel do evento. Ela lembrou que, como responsável pela oferta e qualidade dos combustíveis, é missão da ANP proteger o consumidor brasileiro, “especialmente aquele que não pode se unir a nenhuma associação”. Além disso, ela destacou a responsabilidade da agência em proteger as mulheres de baixa renda, que chefiam 48% dos lares brasileiros e são as mais afetadas pela pobreza energética. “Nosso papel é garantir que a transição energética seja justa, inclusiva e solidária. Caso contrário, perpetuaremos modelos anteriores, em que avançamos em termos de tecnologia, mas deixamos as pessoas para trás”, enfatizou.

Além de Araújo, participaram do segundo painel Otávio Cavalett (Boeing), Marjorie Mendes Guarenghi (Agroicone) e Marcelo de Freitas Gonçalves (Embraer). A moderação ficou a cargo de Luiz Horta Nogueira e Joaquim Eugênio Seabra.

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Guarenghi destacou o papel significativo que o Brasil pode desempenhar nas negociações internacionais e a importância da colaboração com outros países emergentes. Um ponto importante, destacado tanto por Cavalett quanto por Gonçalves, foi a necessidade de incorporar rapidamente a tecnologia SAF às aeronaves e motores atualmente em desenvolvimento. Gonçalves destacou um fato óbvio, mas às vezes negligenciado: as aeronaves não são substituídas com a mesma frequência que os automóveis.

Uma aeronave construída hoje continuará operando nas próximas três décadas e, se não usar combustíveis sustentáveis, contribuirá para o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Sua vida útil se estende até depois de 2050, a data crucial para que o planeta alcance sua desejada meta de emissões líquidas zero.

O evento “BIOEN SAF Biocombustíveis para aviação” foi inaugurado por Carlos Graeff, assessor da Diretoria Científica da FAPESP, que representou o diretor científico Marcio de Castro Silva Filho, e por Glaucia Mendes Souza, membro da coordenação do BIOEN. Graeff destacou que a FAPESP já apoiou mais de mil projetos de pesquisa em bioenergia. Souza apresentou as diretrizes gerais do planejamento estratégico do BIOEN para a década de 2020 a 2030, enfatizando a ampliação das fontes de biomassa como um item importante do plano.

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Você pode assistir ao evento completo “BIOEN SAF Biocombustíveis para aviação” em: https://fapesp.br/16261/bioen-saf-biocombustiveis-para-aviacao

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