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ESPECIAL: Safra de cana no Espírito Santo

A safra sucroenergética 2015/16 está marcada por problemas climáticos, de preços baixos ao produtor, apesar do aumento no consumo de etanol hidratado, além dos reflexos negativos decorrentes da crise econômica do país.

No Estado do Espírito Santo não é diferente. Tradicional pólo sucroenergético, o Estado tem unidade sucroenergética, a Paineiras, em atividade desde 1912.

Mas se pudesse, o setor sucroenergético capixaba cancelaria a safra 15/16 tal o número de problemas.

O Espírito Santo, assim como outros estados canavieiros do país, viveu o auge do etanol no começo da segunda metade da década de 90.

Foi quando o grupo Infinity Bio-Energy chegou ao Estado e adquiriu em 2006 duas unidades sucroenergéticas, a Disa e a Cridasa.

A euforia, como se sabe, durou pouco e o setor sucroenergético mergulhou em um pesadelo ainda hoje presente. A Infinity Bio-Energy entrou com pedido de recuperação judicial em 2009.

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E fora questões ligadas às companhias do setor, as condições climáticas foram contrárias à cana-de-açúcar em 2013 e 2014, especialmente na região Sul do Estado, onde fica a unidade Paineiras, instalada no município de Itapemirim.

Como saldo da estiagem desértica, a Paineiras se prepara para encerrar a safra 15/16 já no próximo mês de agosto, com incompletos quatro meses de moagem.

“Vamos chegar no máximo a moer 300 mil toneladas de cana”, afirma o diretor de Negócios da empresa, Antonio Carlos de Freitas.

O montante equivale a 25% da capacidade instalada de moagem, que é de 1,2 milhão de toneladas. Na temporada anterior, a Paineiras moeu 780 mil toneladas.

“Estamos operando com 75% de capacidade ociosa”, lamenta o executivo. Com as 300 mil toneladas, emenda, será possível chegar a 300 mil sacos de 50 kg e a 11 milhões de litros de etanol.

Na safra vigente, 50% da cana é de propriedade da Paineiras. Segundo Freitas, essa foi menos penalizada pela estiagem por ficar em parte próxima a várzeas. O prejuízo mesmo ficou com os 50% restantes da cana, pertencentes a produtores parceiros.

Freitas, diretor da Paineiras: setor penalizado pela estiagem (Foto: Divulgação)
Freitas, diretor da Paineiras: setor penalizado pela estiagem (Foto: Divulgação)

Estimativa negativa

O fraco desempenho da Paineiras reflete entre as demais unidade sucroenergéticas do Estado. Estimativas colhidas junto a fontes do setor capixaba dão conta de que no máximo as quatro unidades em atividade nessa safra 15/16 chegarão no máximo a 2,8 milhões de toneladas de cana moídas.

Essa previsão de moagem reflete o impacto climático, que afetou gravemente a região Sul do Espírito Santo, onde fica a Paineiras, e o desalento que impacta o setor sucroenergético brasileiro como um todo.

 

Assim como em outros estados canavieiros, a pressão de lideranças do setor capixaba é por medidas que aliviem a próxima safra, a 16/17.

Uma dessas reivindicações é a mobilização por reduzir a incidência do ICMS sobre o etanol hidratado, como fizeram este ano Minas Gerais e fará, em 2016, Brasília. Leia mais a respeito a seguir.

A busca de saídas tributárias é um meio de o setor sucroenergético capixaba ver chances de sobrevivência na 16/17. A temporada seguinte, conforme o Portal JornalCana apurou, também será afetada pela estiagem porque não foi possível cultivar cana de forma adequada.

Sendo assim, as previsões menos pessimistas de mercado de açúcar e de etanol para 2016, como sinalizam agentes de mercado, podem não trazer bons resultados no Espírito Santo por conta da baixa produção.

Paineiras, em Itapemirim: safra deve acabar em agosto próximo
Paineiras, em Itapemirim: safra deve acabar em agosto próximo

 

Lideranças pedem ICMS menor para o etanol

A mobilização pela redução do ICMS sobre o hidratado em Espírito Santo reúne lideranças do setor sucroenergético do Estado e de instituições ligadas à indústria, como a Federação da Indústria do Espírito Santo (Findes).

O objetivo é fazer com que o governo do Estado altere o ICMS sobre os combustíveis, para estimular o consumo de etanol hidratado.

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No Espírito Santo, o ICMS sobre o etanol e a gasolina é de 27%. A proposta das lideranças é a de que essa incidência caia para 15% para o hidratado e suba para a gasolina.

Desde março último, Minas Gerais reduziu o do álcool, de 19% para 14%, e subiu o da gasolina em 2%. Com isso, a produção mineira deve saltar de 714 milhões de litros para dois bilhões, em apenas um ano.

“Medidas similares têm vigorado em São Paulo, Pernambuco e Piauí”, explica Antonio Carlos de Freitas, diretor da Usina Paineiras.

Assim como ocorrem nesses estados, o consumo de hidratado subiria em Espírito Santo, dando fôlego ao setor sucroenergético local.

Com aumento dessas vendas, em médio e longo prazo, o valor de ICMS arrecadado no Espírito Santo seria o mesmo ou até maior que o atual, conforme já ocorre em outros estados brasileiros.

 

 

 

Saiba mais sobre as unidades

Usina Paineiras

Instalada em 1912 pelo Governo do Estado do Espírito Santo, dando início à formação de um parque industrial de grande importância para o Estado, a unidade, por meio de leilão de privatização em 1937, foi comprada pelo agrônomo mineiro Ataliba de Carvalho Britto.  Localizada no município de Itapemirim, a Paineiras tem capacidade de moagem de 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.

Bioenergética Boa Esperança

Criada em 2011, a Bioenergética Boa Esperança é controlada pelo Grupo Delta Energia em Boa Esperança (ES). A unidade tem capacidade para moer 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Alcon

A Companhia de Álcool Conceição da Barra (Alcon) fica na Rodovia BR 101, km 35,5, em Sayonara, no município de Conceição da Barra (ES).

Lasa

Criada em 1974, a Linhares Agroindustrial S/A (Lasa) fica na Rodovia BR 101 Norte, km 141, Fazenda Córrego das Pedras, no município de Linhares. A unidade é controlada pelo Grupo JB Açúcar e Álcool, do Recife (PE).

Também integram o Grupo JB as unidades Alcoolquímica (ex-JB), em Vitória de Santo Andão (PE), e as empresas Carbo Gás, Lastro, Tecab e Ello, além da Lasa. Quer saber mais sobre o Grupo JB? Clique aqui

Disa

Fundada em 1980 e controlada pela companhia Infinity Bio Energy, a Disa Destilaria Itaúnas S.A está localizada no município de Conceição da Barra (ES) e atualmente está em recuperação judicial. O pedido de recuperação foi oficialmente protocolado em 2009.

Cridasa

Também controlada pela companhia Infinity Bio Energy, a Cristal Destilaria Autônoma de Álcool S.A (Cridasa), constituída em 1977 em Pedro Canário (ES), está em recuperação judicial.

 

 

 

 

Governo defende falência do Grupo Infinity

 

 

Em 10 de julho, o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo, Octaciano Neto, encaminhou um ofício ao juiz Paulo Furtado, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro da Capital, em São Paulo, manifestando a apreensão do Governo do Espírito Santo quanto aos desdobramentos da crise financeira que atinge as empresas Infinity Bio-Energy Brasil Participações S.A. e outras [“Grupo Infinity”].

O grupo encontra-se em processo de recuperação judicial e apresentou à Justiça um novo “Plano de Recuperação Judicial”. Conforme o secretário, estima-se que somente com fornecedores a Infinity Bio-Energy possua uma dívida que ultrapasse os R$ 2 bilhões.

Para o secretário de Estado da Agricultura, o novo “Plano de Recuperação Judicial” apresentado pelo “Grupo Infinity” representa mais uma tentativa de postergar o cumprimento de suas obrigações com os milhares de funcionários do setor sucroalcooleiro capixaba que já foram demitidos, com os produtores de cana-de-açúcar e com os demais credores, dentre eles o Estado do Espírito Santo.

Octaciano Neto defende que seja decretada a falência do grupo.

“Com a decretação da falência e a indicação de um interventor poderemos ter mais garantias de que os compromissos assumidos por esse grupo empresarial junto aos mais diversos setores da cadeia produtiva sucroalcooleira serão, de fato, cumpridos. A nomeação de um interventor nos dá a esperança de que os ativos do grupo, principalmente suas usinas, sejam vendidos para novos administradores que possam retomar a operação das usinas. Um novo plano de recuperação judicial vai depreciar ainda mais os ativos do grupo empresarial e fazer com que a dívida bilionária da empresa com seus credores não seja quitada”, afirma o secretário.

Segundo Octaciano Neto, desde 2008 a situação só vem se agravando. “E o que é pior: o não cumprimento de acordos, alguns inclusive determinados pela Justiça, têm sido uma das principais marcas desse grupo empresarial”, ressalta Octaciano.

 

 

 

 

 

 

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