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Esalq avança no desenvolvimento de agricultura de precisão

A aplicação de técnicas de agricultura de precisão capazes de proporcionar maior economia, principalmente na utilização de insumos, já é uma realidade no Brasil. No Departamento de Engenharia Rural da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da USP (Universidade de São Paulo), de Piracicaba, há cerca de cinco anos, vêm sendo desenvolvidas tecnologias que possibilitam o uso de máquinas equipadas com computadores de bordo e sistemas de localização por satélite gerenciados por aparelhos de GPS (Global Position Sistem).

O trabalho já mostra resultados práticos, principalmente na aplicação de fertilizantes em culturas de cana-de-açúcar. “Na verdade, o conceito de agricultura de precisão (AP) é relativamente simples”, explica o professor José Paulo Molin, que coordena o projeto na Esalq. Segundo ele, na maioria, as lavouras não são uniformes, como muitos consideram. “Existem o que chamamos de manchas, locais em que as características do solo são diferenciadas”, descreve.

Em lavouras de cana-de-açúcar, experiências mostram que é possível se fazer uma economia de insumos da ordem de 10% a 20%, principalmente em fertilizantes. “Há pontos em que a composição do solo é desigual, necessitando de quantidades diferentes de nutrientes”, explica o professor.

As técnicas de AP recomendam, nesse caso, que um técnico elabore mapas com diversos pontos de amostras de solo, devidamente analisadas. Uma máquina equipada com um computador faz a leitura destes mapas e, guiada por aparelhos de GPS, determina as quantidades exatas de fertilizantes a serem administradas nos diferentes locais.

As técnicas de AP podem ser aplicadas em tratamentos fitossanitários, para controle de pragas e doenças, e na própria semeadura, determinando inclusive espaçamentos entre sementes. O professor recomenda, por exemplo, que numa área de mil hectares sejam colhidas amostras de solo a cada dois ou cinco hectares. “Assim, teremos entre 200, 300 e até 500 amostras de solo”, calcula. “Por meio de técnicas geoestatísticas, poderemos ter valores estimados de outras áreas, onde não foi possível obtermos exemplares de solos”, explica.

Algumas técnicas de AP estão sendo aplicadas numa área experimental de 23 hectares de uma propriedade particular de cerca de 1.500 hectares, localizada no município na cidade de Campos Novos Paulista. “Lá, já estamos expandindo técnicas para toda a fazenda. Mas ainda não temos resultados exatos”, conta o professor.

Segundo Molin, numa usina de cana-de-açúcar de Guaíra, também do Interior de São Paulo, a economia conseguida no uso de calcário no primeiro ano possibilitou o pagamento de todo o pacote de aplicação das técnicas de AP. “Foi possível pagar desde a obtenção de mapas, instalação de laboratórios e equipamentos”, afirma.

No Brasil, Molin calcula que a AP já esteja sendo aplicada em cerca de 150 mil hectares plantados, incluindo principalmente grãos e cana. “Sabemos de três usinas canavieiras, duas de São Paulo e uma de Goiás, que estão aplicando técnicas de AP”, informa. De acordo com o professor, quase toda a tecnologia para implantação dessa técnica é nacional. Os kits que equipam os sistemas de bordo das máquinas agrícolas de aplicação de fertilizantes ainda são do exterior, mas, de acordo com o professor, já há um acompanhamento pela Esalq de fabricantes nacionais que estão investindo nessa tecnologia. “Hoje, este kit pode significar um investimento de cerca de R$ 30 mil. Com tecnologia nacional, não sairia por mais de R$ 15 mil”, garante.

O grupo de pesquisas da Esalq conta com o apoio do Instituto Agronômico e da Fundação ABC, do Paraná. De acordo com o professor, já foram feitas várias parcerias no setor industrial e alguns especialistas passaram por treinamento este ano. Em maio de 2004, a Esalq sediará o Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão.

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