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Entressafra de preços altos para o etanol

A entressafra de cana-de-açúcar começou em 1 º de dezembro na região Centro-Sul do país com os preços do etanol em alta, na usina e também ao consumidor. Nas últimas quatro semanas, alavancado pelo recente reajuste da gasolina de 4%, o biocombustível se valorizou 6,1% na indústria em São Paulo. No mesmo período, o motorista paulista sentiu nos postos um aumento médio de 5,3%. Alguns especialistas acreditam que, até o fim da entressafra, em 31 de março de 2014, a cotação do etanol pode subir mais 13% na usina. Neste momento, o consumo segue aquecido.

As opiniões sobre a direção dos preços do etanol daqui para frente são divergentes. Algumas usinas e analistas acreditam que não haverá grandes oscilações. Há os que defendem, entretanto, que as cotações terão que subir com mais intensidade para frear o consumo, que segue crescendo – 7,7% no acumulado de janeiro a outubro no país, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O fato é que a remuneração às usinas que tiverem o produto para vender entre dezembro e março tende a ser mais elevada que no mesmo intervalo do ciclo passado. Neste momento, os preços do biocombustível na indústria já valem 14% mais do que há um ano.

Na última semana, os preços do etanol ao motorista subiu em 18 Estados, sendo que o maior percentual de alta foi registrado em Mato Grosso, de 3,43%. Foi nesse Estado também onde foi observado o maior reajuste da gasolina, de 3,45%, que também teve valorização em 21 Estados.

Em São Paulo, essa paridade na semana encerrada em 14 de dezembro, subiu a 66,4%, ante 65,8% dos sete dias anteriores. Além de São Paulo, essa relação ainda está mais vantajosa ao etanol no Paraná (67,2%), e em Mato Grosso (66,5%). Atingiu o ponto de “indiferença”, ou seja, 70%, nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.

Ontem, os números da ANP já mostravam que a competitividade do etanol no Estado de São Paulo diminuiu em relação à gasolina. De acordo com parâmetros adotados pelo mercado, é considerado vantajoso ao consumidor final abastecer com etanol quando seu preço equivale a menos de 70% do preço da gasolina.

Assim, afirma ele, há perspectivas razoáveis de a oferta de hidratado ficar equilibrada com a demanda. Corrêa menciona que os preços do etanol nesta semana, que estão registrando níveis acima de R$ 1,230 mil por metro cúbico (sem impostos e sem frete), já devem levar a paridade do etanol com a gasolina a 68% em São Paulo. “Isso já conterá um pouco o consumo”, afirma o especialista da FG Agro.

Os números da entidade, que representa as usinas do Centro-Sul, também indicam uma tendência de equilíbrio na avaliação do sócio da consultoria FG Agro, Gustavo Correa. Ele explica que o fato de a moagem de cana ter chegado a 570 milhões de toneladas até 1º de dezembro significa que a meta do setor de moer 590 milhões deve ser cumprida, trazendo uma oferta suficiente de etanol. “No ano passado, a moagem em dezembro atingiu 20 milhões de toneladas. Há grandes chances de esse volume se repetir em dezembro deste ano”, diz Correa.

O diretor de Cana-de-Açúcar do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, também não antevê uma escalada nos preços. “Os números apresentados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que a oferta será confortável para atender ao consumo”, diz o executivo do Grupo Tereos, que controla a sucroalcooleira Guarani.

A mesma opinião é compartilhada por Pedro Mizutani, vice-presidente de açúcar e etanol da Raízen, a maior produtora de etanol e açúcar do país. “Os preços do hidratado devem continuar nesse patamar. Se houver um pico, será em fevereiro. Em março, muitas usinas retomam a moagem da nova safra”, lembra.

Já a Copersucar, maior comercializadora de etanol do mundo, não aposta em altas significativas que possam representar grandes oportunidades aos que carregam etanol para vender de dezembro deste ano a março de 2014. O presidente da trading, Paulo Roberto de Souza, avalia que a alta das cotações do biocombustível deve girar em torno de 1% ao mês, o suficiente para pagar o custo de “carrego”.

A JOB Economia e Planejamento projeta que o consumo do biocombustível terá que cair de 10% a 15% de dezembro até março do ano que vem para se equilibrar com a oferta disponível. Nos cálculos do diretor da empresa, Julio Maria Borges, os preços, atualmente na casa dos R$ 1,50 por litro (posto na usina, com ICMS de 12%), devem ir para níveis entre R$ 1,60 a R$ 1,70 por litro, o que significará uma alta de 13%”, diz Borges. Esse cenário, lembra o economista, considera que não haverá importações de etanol na entressafra.

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