Energia

Geração de energia elétrica a biomassas tem crescimento de 4% em 2023

O resultado da cogeração a biomassas é a segundo maior valor de geração da série histórica do Anuário Estatístico da EPE

Geração de energia elétrica a biomassas tem crescimento de 4% em 2023

A exportação de energia elétrica para o Sistema Interligado Nacional (SIN), gerada a partir de termelétricas movidas a biomassas, registrou o em 2023 o total de 53,854 TWh, 4% acima da geração de 2022 – a informação foi revelada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ao divulgar ontem (20.06) o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2024 com os dados da Geração de Energia Elétrica por Fonte.

O resultado da cogeração a biomassas é a segundo maior valor de geração da série histórica do Anuário Estatístico da EPE, atrás apenas do ano de 2020 que registrou a geração de 55,613 TWh.

A contribuição da biomassa, que inclui a geração de energia com resíduos como bagaço de cana, lenha e lixívia, foi a terceira maior entre as fontes listadas pela EPE, atrás apenas da Geração hidráulica (425,996 TWh) e Eólica (95.801 TWh), ficando à frente da Solar (50.633 TWh). Já a geração de energia elétrica a gás natural ficou em quarto na lista do Anuário Estatístico, com 38.589 TWh.  Na sequência vem fontes como Nuclear (14.504 TWh), Carvão (8.770 TWh), Outras fontes – gás de coqueria, outras não-renováveis e outras renováveis – (13.932 TWh) e Derivados de Petróleo (6.041 TWh). [veja quadro na página seguinte]


Data Cogen: cogeração tem capacidade instalada de 2,9 GW

Em junho de 2024, considerando todas as fontes, o Brasil já registra 20,9 GW de capacidade instalada de cogeração em operação comercial no Brasil, o que representa 10,3% da matriz elétrica nacional (202,7 GW), ao se considerar somente a geração centralizada. Os dados são disponibilizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e compilados mensalmente pela Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

Em maio entraram em operação comercial 135 MW de bagaço de cana dos empreendimentos São José, Barra Grande 2 e São Martinho Bioenergia, bem como 8,14 MW de óleos vegetais da BBF Baliza e 26 MW de resíduos de madeira da Inpasa Dourados.

“A cogeração de energia segue prestando serviços relevantes para a segurança energética do País”, afirma o presidente executivo da Cogen, Newton Duarte.

De acordo com os dados disponibilizados pela CCEE, a exportação de energia elétrica gerada a partir de térmicas a biomassa em 2023 foi de 28.246 GWh, uma marca recorde, e cumprindo papel importante para preservar o nível de água nos reservatórios das usinas do Sudeste / Centro-Oeste, chegando a 16 pontos percentuais em 2023.

“O Brasil precisa estimular mais a cogeração. É uma energia distribuída, gerada em usinas próximas dos pontos de consumo, o que dispensa a necessidade de investimentos em longas linhas de transmissão. Além do mais, é uma energia firme, não intermitente e com confiabilidade, já que incorpora momento girante e potência, atributos estes de fundamental importância para a operação segura do Setor Elétrico Brasileiro e fazem da cogeração uma fonte essencial para uma matriz elétrica mais equilibrada”, diz Duarte.

Os níveis de exportação poderiam crescer ainda mais, na avaliação da associação. A Cogen defende um ajuste regulatório para que as usinas de açúcar e etanol possam ter maior liberdade e negociar os excedentes da cogeração, acima da garantia física, também no ambiente de contratação livre (ACL), uma vez que essa indústria já comercializa mais de 2/3 de sua energia no mercado livre.

“O que a Cogen pleiteia é a autorização para que o excedente de energia de cada usina possa também ser comercializado no mercado livre, o que hoje é limitado pela portaria 564 de 2014 do Ministério de Minas e Energia. Essa limitação não é boa para o País, porque desestimula o aumento da produção, uma vez que as usinas que excedam sua garantia física ficam limitadas a liquidar esse excedente de energia ao Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e, em função da significativa judicialização do setor, a maioria delas acaba levando muitos anos para receber os valores devidos pela oferta dessa energia excedente”, explica Duarte.

Do período de janeiro a abril de 2024, a exportação de energia elétrica a partir de biomassas totalizou 4.803 GWh, ficando 17 % superior ao mesmo período de 2023.

As biomassas registram 17,4 GW de capacidade instalada de cogeração, dos quais 12,6 GW de bagaço de cana e 4,8 GW de outras fontes, principalmente licor negro e resíduos de madeira. Isso representa 60,3% de toda a cogeração existente no país. Já o gás natural responde por 15,3%.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), segundo o “Acompanhamento da Implantação das Centrais Geradoras de Energia Elétrica”, a Previsão para Liberação de Operação Comercial apresenta uma adição na capacidade instalada de 1,6 GW até 2026.

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