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Empresas começam a importar combustíveis

Ao manter os preços dos combustíveis abaixo dos praticados no mercado internacional, o governo está abrindo espaço para a importação de derivados de petróleo por terceiros. Os agentes afirmam que as margens para importação ainda são pequenas e os riscos, grandes. Mesmo assim, um pool de distribuidoras filiadas ao Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis já importou diesel e gasolina A. A Esso fez o mesmo, assim como a trading Vitol e até pequenas distribuidoras do Nordeste se aventuraram nesse mercado, como a Satélite e a Fuel Trading. A própria Petrobras estaria incentivando essas operações.

A maior parte das importações são de diesel, principalmente para o Nordeste. De acordo com o Sindicom, de janeiro a julho, foram trazidos 210 milhões de litros de diesel para o Brasil, sem contar com as importações diretas da Petrobras. A maior parte – 169 milhões de litros – chegou em junho e julho. Já as importações de gasolina somaram 131 milhões de litros, dos quais 16 milhões trazidos pelo Sindicom e 15 milhões pela Esso.

Do total de diesel importado, 58 milhões de litros foram trazidos por um pool de distribuidoras coordenadas pelo Sindicom (Ipiranga, Shell, Texaco e BR Distribuidora). O pool aguarda para o fim do mês uma carga de 40 milhões de litros de diesel, que deve chegar à São Luiz.

O metro cúbico de diesel importado chega a São Paulo apenas 8% mais barato do que o cobrado pela Petrobras. O cálculo não considera a carga perdida no transporte nem o custo com a Cide e o ICMS, pagos no porto. “Ainda é mais barato, mas ninguém vai comprar de mim ao preço da Petrobras. Eu tenho que dar desconto”, diz um importador.

Segundo outra fonte, a primeira operação foi incentivada pela Petrobras que informou que não poderia abastecer a região em determinado período, levando as empresas a importarem diesel. “Para as empresas que trazem carga é um grande risco porque a Petrobras pode estar praticando preços menores quando o produto chegar”, diz a fonte.

A Transpetro tem ajudado, embora as regras para o compartilhamento de sua infra-estrutura sempre tenham sido consideradas um entrave à abertura do mercado. A subsidiárias da Petrobras tem dado espaço em sua infra-estrutura de terminais, dutos e oleodutos, sem exigir o agendamento prévio. A avaliação do mercado é que a estatal quer agentes privados na formação de preço dos combustíveis no mercado interno.

A Vitol vem tendo sucesso para acessar a infra-estrutura da Transpetro mesmo sem fazer agendamentos até o dia 20 do mês anterior, como determina a regra do setor. “Até agora, a Transpetro demonstrou boa vontade. Como é muito difícil cumprir os prazos, assumimos o risco de trazer a carga de qualquer forma”, diz o diretor da Vitol, Lauro Moreira.

A Fuel Trading tem importado entre 15 e 20 milhões de litros de diesel por mês para atender a demanda de 12 distribuidoras independentes. “A margem é super apertada, mas hoje a operação é viável comercialmente. A Petrobras tem cotas para cada distribuidora. Se a cota for reduzida ou a empresa quiser aumentar a compra, tem que buscar de outras fontes”, diz Paulo Perez, da Fuel Trading.

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