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Empresários se preparam para mercado de carbono

Os empresários paranaenses, principalmente ligados ao setor madeireiro, estão se preparando para participar do mercado mundial de créditos de carbono, que deve entrar em operação em dezembro deste ano. Cerca de 100 pessoas participaram ontem de um seminário sobre o tema, promovido pelo Centro Integrado de Estudos Jurídico-Empresariais (Cieje), em Curitiba.

Segundo a coordenadora do Cieje, Letícia de Lara Cardoso, a principal preocupação das empresas é se enquadrarem na legislação ambiental para se candidatarem ao mercado de carbono. Esse mercado está previsto no Protocolo de Kyoto, acordo entre países para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em pelo menos 5% até o período de 2008 a 2012, tendo como base os níveis de 1990.

As indústrias devem se comprometer a reduzir o nível de poluição para um limite pré-fixado. Para cada tonelada de poluição que deixar de ser emitida, as empresas ganham bônus. Quem não cumprir as metas deve adquirir créditos de carbonos das empresas que conseguiram atingir os objetivos.

Letícia disse que o Paraná tem um grande potencial para projetos que possam gerar créditos de carbono, como reflorestamentos e produção de energia alternativa. O Paraná é um pólo tecnológico gigante, afirmou Letícia. O Paraná tem vários projetos de biodiesel e biomassa, utilizando cana-de-açúcar e outras oleaginosas, como soja.

O secretário de políticas estratégicas e desenvolvimento científico do Ministério da Ciência e Tecnologia, Jorge Guimarães, que participou do evento, disse que estão sendo concluídos estudos sobre a viabilidade econômica da produção de energias alternativas. Para fazer biodiesel utilizando soja, o preço deve ser compatível com o preço de mercado do grão, exemplificou. Segundo ele, o Brasil tem capacidade de produzir em larga escala, mas é preciso analisar a questão comercial.

O governo federal pretende lançar até meados de setembro os critérios para as empresas se credenciarem ao mercado de carbono. Segundo Guimarães, o critério básico é o desenvolvimento sustentável. Ou seja, empresas que operam com tecnologias que reduzem a emissão de poluentes. No dia 12 de dezembro, em uma reunião na Itália, deve ser anunciada a implantação do mercado de carbono. Mas isso só ocorrerá se a Rússia, grande poluidora mundial, aderir ao Protocolo de Kyoto até 12 de setembro, 90 dias antes da reunião. Mas mesmo que a Rússia não assine nesse prazo, o mercado vai funcionar apenas começará mais tarde, explicou.

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