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É tempo de vencer paradoxos

A agricultura foi o único setor da economia brasileira que abriu vagas em 2015. Paradoxalmente, alguns setores da agricultura foram os que mais sofreram. O sucroenergético, por exemplo, que desde 2008 enfrenta dificuldades financeiras, teve em 2015 o maior número de usinas entrando em recuperação judicial em um único ano.

Foram ao todo 13, ante uma média anual de 11 nos últimos seis anos, a maioria de médio e grande portes e duas multinacionais, o Grupo Renuka e a Abengoa Bioenergia. O passivo destas unidades também é significativo. Juntas, as 13 que pediram recuperação têm dívidas bancárias perto de R$ 8 bilhões.

No total chegou a 79 o número de unidades que entraram em recuperação judicial no país desde 2008. Isto representa perto de 23% do total das 350 unidades existentes no Brasil.

O paradoxo continua quando se verifica que na lista das 50 cidades que mais sofreram com demissões, ou mais se alegraram com admissões, aparecem municípios que abrigam usinas sucroenergéticas. Nas que mais fecharam postos aparece Ipojuca, PE, com 17.618 postos fechados, de acordo com o Ministério do Trabalho.

Aqui, leva-se em conta, é claro, que o município pernambucano abriga não apenas usinas, como a desativada Salgado e a ativa Ipojuca, mas também o Complexo Industrial Portuário de Suape e a Refinaria Abreu e Lima.

Pelo menos 5 das 50 cidades que mais abriram postos de trabalho possuem usinas: Matão, Morro Agudo, Luís Antonio, Flórida Paulista, estas 4 de São Paulo e Araporã, de Minas Gerais. Exemplos da grande capacidade de geração de empregos das usinas, mesmo em meio à crise!

Os dados e informações acima descritos revelam o momento ao mesmo tempo tenso e interessante pelo qual o setor atravessa. Abertura de vagas acontecem ao mesmo tempo em que unidades, ontem sadias financeiramente, entram em recuperação judicial.

A usina Cruangi, de Pernambuco, por exemplo, retoma as atividades, levantada por fornecedores de cana, após ficar parada por 3 anos consecutivos e precisa terminar a safra antes do tempo, por falta de cana. Continua na ativa, mas sente o drama de esmagar apenas metade de sua capacidade, porque o clima não ajudou e a entrega de cana não aconteceu como esperavam. Ainda assim, mantém a boa expectativa. (veja matéria nas páginas 45 a 47)

Há quem prenuncie luz no fim do túnel para o setor com a melhora dos preços do etanol e do açúcar, mas até esta perspectiva representa um paradoxo, já que há argumentos favoráveis e desfavoráveis, como eventuais impactos no setor pela queda contundente dos preços do petróleo.

Para qualquer cenário, contudo, o momento requer decisões importantes. E nossa sugestão é enfrentar estes paradoxos simplesmente fazendo o que tem de ser feito!

Manter o foco nas atividades realmente suscetíveis ao nosso controle, como eficiência operacional e redução de custos, é a melhor forma de vencer qualquer paradoxo!

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