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Dólar cai e oferece suporte às commodities

Ainda que as novidades ligadas aos fundamentos tenham continuado a apontar relações entre ofertas e demandas em geral confortáveis, os preços das principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil no exterior encontraram, em abril, algum suporte nas bolsas americanas decorrente da desvalorização do dólar em relação a outras moedas, inclusive o real.

Sugar-refineryE desse “embate” entre fundamentos e câmbio, apontam cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega – normalmente os de maior liquidez – dos produtos referenciados nas bolsas de Nova York (açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão) e de Chicago (soja, milho e trigo), resultam oscilações bem mais modestas que as registradas de janeiro a março.

Mesmo “vitaminadas” pela queda do dólar, seis dessas oito commodities ainda vão encerrar abril com preços médios inferiores aos de março. No balanço fechado ontem, o milho lidera as quedas (2,37%), seguido por suco (2,15%), trigo (1,08%) soja (0,95%), açúcar (0,86%), e cacau (0,42%). Algodão e café sobem 3,31% e 1,75%, respectivamente. Em relação às médias de abril de 2014, as oito apresentam quedas, quase todas superiores a 25% (ver infográfico).

No que tange aos movimentos especulativos que influenciam diretamente a formação dos preços dessas commodities, o refluxo do dólar teve maior influência nos mercados de açúcar e café, já que desencoraja as vendas dos produtores do Brasil, que lidera a oferta global de ambos. Relatório mais recente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) informou que os gestores de recursos (“managed money”) diminuíram suas posições vendidas (que sinalizam uma expectativa de baixa das cotações) nos dois mercados em Nova York na semana encerrada em 21 de abril.

No caso do açúcar, o saldo líquido vendido diminuiu 11,2% na semana, para 73.716 contratos; no do café, recuou expressivos 54,8%, para 4.030 contratos. Mas, conforme analistas, fatores ligados aos fundamento também tiveram reflexo, ainda que secundário, para tais lufadas de otimismo. No mercado de açúcar, a possibilidade de que a formação de um El Niño mais forte cause prejuízos a lavouras de cana principalmente no sudeste da Ásia passou a oferecer alguma sustentação às cotações, ao passo que no de café, projeções de déficit global na safra 2015/16 cumpriram esse papel.

Os investidores do mercado de algodão, cujos preços costumam caminhar na contramão do dólar, deram menos bola para o comportamento da moeda na semana até o dia 21. É verdade que os fundos continuaram com um saldo líquido comprado – ou seja, apostando na alta de preços -, mas esse saldo caiu 29,8%, para 35.345 contratos. Em meados deste mês, os investidores ainda repercutiam cancelamentos de importações do produto americano, capitaneados pela China.

Outra “soft commodity” nova-iorquina que continuou com saldo líquido comprado de posições foi o cacau. E as apostas na valorização da amêndoa aumentaram, num momento em que os fundos ainda acreditavam que o processamento do produto nos principais centros consumidores tinha caído tanto quanto veio à tona logo depois. Os fundos fecharam a semana encerrada no dia 21 com saldo líquido comprado 10,4% maior que na semana anterior (24.855 contratos).

Já a aposta para os preços do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) é de novas quedas, em meio a uma franca decadência do consumo da bebida em países desenvolvidos. Na semana até o dia 21, os gestores de recursos elevaram seu saldo líquido vendido em 7,2%, para 3.882 contratos na bolsa de Nova York.

No caso dos grãos, onde a participação de investidores é mais focada nos fundamentos e menos em movimentos financeiros, o clima nos EUA voltou a dar o tom das negociações dos contratos futuros. A melhora do tempo em importantes regiões produtoras de milho e trigo, com o aumento das chuvas e temperaturas adequadas, fortaleceram as expectativas de boa safra de cereais no país, que lidera a oferta global de ambos.

Assim, no milho o saldo líquido vendido aumentou 35,2% na semana terminada no dia 21, para 65.298 contratos, enquanto no trigo duro de inverno o incremento foi para 11.418 contratos, e no trigo brando de inverno, para 96.624.

A soja foi uma exceção entre os grãos e o saldo líquido de posições vendidas encolheu em Chicago, embora o cômputo geral ainda indique uma aposta na desvalorização da oleaginosa. Esse enfraquecimento na perspectiva de preços mais baixos observado na semana até o dia 21 refletiu dados animadores divulgados pela indústria dos EUA, que aumentou o processamento em março, além de uma aposta de retomada das exportações. Com isso, o saldo líquido passou para 47.505 posições vendidas, queda de 41,9% na semana.

(Fonte: Valor Econômico)

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