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Desafios climáticos para a cana dominam simpósio em Catanduva/SP

Como aumentar a produtividade da cultura da cana-de-açúcar com os diversos problemas climáticos que impactaram as últimas safras, como geadas, seca ou chuvas excessivas e fora de época que prejudicaram o desenvolvimento da planta? Para responder à pergunta, um grupo de agrônomos, gestores agrícolas, pesquisadores e técnicos de diversas usinas e instituições do setor sucroenergético se reuniu durante o 1° Simpósio de Tecnologia na Cana-de-Açúcar, realizado na quinta-feira (27/10) no Hotel Reisper em Catanduva (SP), região noroeste do Estado de São Paulo.

“Essa discussões nos ajudam a entender melhor os desafios enfrentados pelas usinas no campo, a buscar soluções para esses pontos em parceria com instituições de pesquisa,” afirma Leila Alencar Monteiro de Souza, diretora-presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Energia (Biocana), entidade que organizou o evento juntamente com a empresa Tradecorp, especializada em nutrição vegetal.

Nos últimos três anos, dificuldades climáticas dificultaram o desenvolvimento da cana, como tem apontado a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) em seus boletins de acompanhamento da safra de cana na região Centro-Sul do país. A baixa produtividade foi tema da apresentação “Stress na cultura da cana-de-açúcar – como combater,” do doutor em Engenharia Agrícola pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Teixeira.

Cultura sustentável

Já o engenheiro agrônomo André Vitti examinou “Alternativas para o Uso de Matéria Orgânica na Cana-de-Açúcar”. Ele explicou como o manejo mais eficiente dos resíduos do processamento da cana pode proporcionar uma redução ainda maior no uso de defensivos químicos nos canaviais. Atualmente, a torta de filtro e a vinhaça, que são resíduos do processo industrial da cana ricos em fósforo e potássio, são aplicados nas diferentes fases produtivas da planta.

Vitti falou abordou o melhor aproveitamento da palha da cana, tema de grande importância para a bioeletricidade e o desenvolvimento do etanol celulósico, de segunda geração. Esse processo permite a produção de etanol a partir de qualquer matéria orgânica, como por exemplo o bagaço de cana. A retirada de parte da palha, que hoje permanece no campo após a colheita mecanizada, poderia aumentar a oferta de energia elétrica nas usinas através da bioeletricidade, explica o engenheiro.

Energia adormecida nos canaviais

Segundo a UNICA, os canaviais poderão gerar mais de 13 mil Megawatts (MW) médios anuais de eletricidade até 2020/21, sendo a palha responsável por quase 50% desse potencial. Essa capacidade instalada é quase três vezes superior à garantia física atribuída à futura usina de Belo Monte.

Além de fornecer energia sustentável, em alguns anos a palha da cana também viabilizará a fabricação de um combustível renovável com um poder de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda maior que o do etanol de primeira geração. O processo tem potencial para dobrar a produtividade dos canaviais, que poderia chegar aos 14 mil litros de etanol por hectare (ha), contra a atual média de 7 mil litros por ha.

UNICA – União da Indústria de Cana-de-açúcar.

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