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Debate avalia situação do agronegócio após processo eleitoral

O setor precisa fazer valer seu protagonismo nos números da economia, também nas tomadas de decisões

Equilíbrio fiscal, maioria parlamentar, combate ao desmatamento, despontam como alguns desafios a serem superados pelo próximo governo. Ainda sob o clima quente do término do processo eleitoral, o Insper promoveu o seminário “Cenários políticos, econômicos e do agronegócio pós eleições”.

O evento contou com a presença de Arnaldo Jardim, deputado federal e ex-secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo; Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper; Maílson da Nóbrega, economista e ex-ministro da Fazenda; Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e do Núcleo Agro do Centro Brasileiro de RElações Internacionais (Cebri); e Tânia Zanella, superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). E teve como moderadoresSuelen Farias, jornalista Especialista em Agronegócio e Economia e Ivan Wedekin, consultor e ex-Secretário de Política Agrícola do Mapa. 

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Tânia Zanella, da OCB

Para o agronegócio, a questão é fazer valer seu protagonismo nos números da economia, também nas tomadas de decisões. Tânia Zanella, coordenadora da OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, lembra que o agro responde por 27,6% do PIB, movimenta cerca de R$ 2,3 trilhões de reais e emprega quase 18 milhões de pessoas.

“A OCB participa de diversas instituições. 47% das políticas públicas nascem dentro desses fóruns, por isso, é importante que sociedade civil esteja organizada. Hoje a frente parlamentar do cooperativismo é uma das mais atuantes dentro do Congresso Nacional. Temos de continuar aguerridos no interesse das nossas pautas”.

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Fernando Schüler, do Insper

Segundo Zanella, um ponto de atenção neste período de transição é a eventual criação de novos ministérios. “Pois a unificação da pauta agrícola em um único ministério foi importante para atender às nossas demandas que se deram de forma mais efetiva”, ponderou.

Para Fernando Schuler, cientista político do Insper, o grande problema nesta semana está na questão fiscal. “O Brasil tem uma série de problemas estruturais na saúde, educação, produtividade. Mas para esta semana, uma das principais é a questão fiscal.  O primeiro ato da transição foi criar uma PEC. Houve uma série de promessas que foram feitas, como a manutenção do auxílio em 600 reais, mas a pergunta que fica é: de onde se vai tirar o dinheiro? A solução que está se desenhando através das PECs, talvez seja a pior possível, e a conta sobrará para as futuras gerações”, destacou.

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Maílson da Nóbrega, ex-ministro

O economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, avalia que o cenário global apresenta um potencial de risco muito maior. “Agora teremos uma redução do ritmo de globalização, sobretudo depois do ressurgimento do risco político, com a guerra na Ucrânia e a ameaça de invasão de Taiwan. Tudo isso vai nos legar um mundo menos eficiente, que significa preços mais altos, juros mais altos e dinamismo econômico menor. E isso afeta o Brasil, do ponto de vista de comércio exterior e de atração de investimentos”.

Para Nóbrega no cenário doméstico o grande vilão é o problema fiscal.  “Vamos ter que enfrentar a pior crise fiscal dos últimos tempos, gestada há muito tempo, com a Constituição de 88, gastos previdenciários. E o mais grave é a rigidez orçamentária e o fracasso do teto de gastos. O problema é que a despesa federal obrigatória representa 95% dos gastos, o que não existe em canto nenhum do mundo, onde a média fica em 40%”, destacou o ex-ministro.

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Arnaldo Jardim

Ao analisar o relacionamento do futuro governo com o Congresso, o deputado federal Arnaldo Jardim, vê após o término das eleições um cenário de moderação e ponderação. “Há 6 meses temíamos que o processo eleitoral tivesse sangrentos episódios. O centro sumiu do debate político do país, mas depois das eleições é um cenário de moderação e ponderação. Chega de gladiadores a hora é dos construtores”, afirmou Jardim.

Mesmo avaliando a ausência de debates estratégicos para o país, Jardim apontou alguns avanços.  “Votamos a autonomia do banco central, o marco do saneamento, a nova lei do gás, nova lei de cabotagem, nova regra de autorizações ferroviárias, votamos os Fiagros, com 123 mil cotistas na B3”, elencou.

“Creio que há demonstrações de possibilidades de se construir um consenso. Acho que tem sinais positivos, a nomeação do Alckmin (vice-presidente eleito para coordenar a transição) foi um sinal positivo. Há condições de governabilidade e condições de emergir um programa propositivo. Os mais radicais de ambos os lados deverão ser isolados”, avalia o deputado.

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Marcos Jank, economista e ex-ministro

O coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, não vê com bons olhos a possibilidade de taxação das exportações agrícolas.

“Um grande problema seria taxar as exportações agrícolas. Uma ideia que considero muito infeliz. Precisamos propor o aumento do livre comércio, a regulamentação disso seria um retrocesso”, disse.

Com relação à questão ambiental, Jank avalia que o novo governo deverá intensificar o combate ao desmatamento de forma mais intensiva. “95% do desmatamento está fora da lei, e acredito que o novo governo deverá combater isso de forma mais intensiva. E já nesta COP 27, conferência do clima que acontece no Egito de 6 a 18 de novembro, poderemos conduzir a pauta para a questão da segurança alimentar e a segurança energética com uso de fontes renováveis, temas em que o país ocupa posição de destaque”.

 

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