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Custo total de produção da cana própria subiu 6,8% na safra 2020/21

Relatório Pecege sobre a temporada traz outros números

Chuvas acima da média no início de 2020 contribuíram para um ganho de 3,06% na produtividade da cana (t/ha)

A safra 2020/21 foi marcada por uma acelerada moagem da cana-de-açúcar, incentivada pelos preços do açúcar e favorecida pelo clima seco vigente desde março/2020. Enquanto as chuvas acima da média no início de 2020 contribuíram para um ganho de 3,06% na produtividade da cana (t/ha), a estiagem subsequente favoreceu os ganhos na qualidade da cana que bateu recorde histórico e atingiu 145,19 kg de ATR/tonelada de cana, mostra relatório elaborado pelo Pecege sobre o ciclo 2020/21.

O estudo aponta que o incremento de produtividade e da qualidade da cana resultou em 8,04% a mais de ATR produzido por hectare frente à safra anterior, permitindo uma maior alavancagem operacional.

“Se por um lado a desvalorização cambial contribuiu positivamente para a geração de receita do setor, por outro, afetou negativamente o custo caixa das usinas por meio do incremento nos preços dos insumos agrícolas (como fertilizantes, defensivos e corretivos), do ATR e do diesel, além do encarecimento da manutenção automotiva”, analisa o Pecege, comentando que, no caso do ATR e do diesel, pode-se afirmar que os aumentos foram arrefecidos, direta ou indiretamente, pelas baixas cotações do petróleo no mercado externo.

Segundo o Pecege, algumas operações se beneficiaram dos ganhos de eficiência nas operações, bem como da maior diluição dos custos fixos, em especial o CTT (Colheita, Transbordo e Transporte), entretanto, nas últimas safras, os tratos culturais vêm se sobrepondo a esses custos.

Considerando esses aspectos, o custo total de produção da cana própria saltou de R$ 111,82/t na safra 2019/20 para R$ 119,42/t na safra 2020/21, representando um incremento de 6,8%, superior à inflação de preços oficial, medida pelo IPCA.

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Produção de etanol de milho deve ser 63,17% superior ao da safra 2019/20

No mercado de etanol de milho, a safra 2020/21 deve ser encerrada com uma produção de 2,65 bilhões de litros – um volume cerca de 63,17% superior ao da safra 2019/20. A despeito deste aumento de produção, o etanol de milho perdeu competitividade em relação ao etanol de cana na safra 2020/21, em função do comportamento do preço de aquisição da matéria-prima.

Apesar disso, e da queda expressiva do preço do etanol no início da temporada 2020/21, os subprodutos (DDG/WDGS) suavizaram a deterioração das margens das usinas processadoras de milho (tanto as flex quanto as full) devido aos preços elevados em que têm sido comercializados;

O ano de 2020 também representou o início efetivo do RenovaBio, embora a meta de aquisição de CBIOs pelas distribuidoras foi reduzida para 14,53 milhões, devido à pandemia. O preço médio bruto de comercialização do ativo foi de R$ 43,66/CBIO em 2020 e o lucro líquido, após as deduções tributárias e dos custos operacionais, foi de R$ 28,54/CBIO, o equivalente a R$ 0,61/tonelada de cana processada ou R$ 31,26/m³.

O levantamento feito pelo Pecege identificou também que o consumo de energia elétrica no Brasil recuou 1,7% em 2020, comparativamente ao ano anterior, em função dos efeitos da pandemia. Ao mesmo tempo, o volume total de energia (cogeração) destinada para a venda na safra 2020/2021 foi superior ao da safra anterior, principalmente devido ao maior volume de cana processada.

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Consumo de energia elétrica no Brasil recuou 1,7% em 2020

Apesar do impacto positivo derivado desse aumento no volume de moagem, houve uma redução no preço médio de comercialização da energia elétrica, resultado, principalmente, do menor preço spot realizado no período (PLD), que recuou de R$ 229,13/MWh em 2019 para R$ 182,56/MWh em 2020, uma queda de 20,32%.

Já em relação às estimativas para a próxima temporada, o Pecege projeta que a moagem da cana terá o seu início postergado, em função do atraso no desenvolvimento fisiológico da cana causado pela restrição hídrica ocorrida a partir de março/2020, ainda que tal situação possa vir a ser parcialmente compensada pelas chuvas de verão.

Além disso, contribuem para a redução da oferta esperada de cana-de-açúcar, as queimadas ocorridas ao longo de 2020, a redução da área plantada em função da migração de fornecedores independentes para culturas de maior rentabilidade e o envelhecimento do canavial devido à diminuição do plantio em 2020.

Assim, espera-se que a quantidade produzida de cana disponível para moagem na safra 2021/22 seja de, aproximadamente, 580 milhões de toneladas, uma redução de cerca de 4,13% ante a moagem estimada de 605 milhões de toneladas na safra 2020/21.

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Açúcar deverá manter uma rentabilidade mais atrativa do que o etanol na safra 2021/22

A redução esperada no volume de moagem implicará numa queda no nível de utilização da capacidade instalada (NUCI), limitando a diluição dos custos fixos. Além disso, alguns itens tenderão a apresentar encarecimento, tal como fertilizantes, o que impulsionará um aumento de custo na próxima safra.

Para o Pecege, o açúcar deverá manter uma rentabilidade mais atrativa do que o etanol na safra 2021/22. No entanto, a produção do adoçante deverá ser menor na próxima temporada, em função da menor oferta de cana-de-açúcar, menor qualidade da matéria-prima e do incremento marginal do etanol na composição do mix de produção, graças à recuperação da demanda no mercado doméstico a ocorrer com o relaxamento das medidas de distanciamento social e à melhora das cotações do petróleo no mercado internacional.

Esta matéria faz parte da edição 323 do JornalCana. Para ler, clique AQUI!

 

 

 

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