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Crise faz Bumlai perder um terço de sua boiada

A crise financeira da usina de cana-de-açúcar São Fernando, sediada em Dourados (MS), provocou efeitos devastadores no negócio de pecuária do empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado por delatores na Operação Lava-Jato como possível intermediário em licitação que teria desviado recursos da Petrobras.

Atualmente, o pecuarista possui apenas um terço do rebanho de 150 mil cabeças que chegou a ter. Há dois anos, Bumlai teve de se desfazer da fazenda Cristo Rei, uma de suas principais propriedades. Localizada em Miranda (MS), região sul do Pantanal, a fazenda de 130 mil hectares foi vendida ao banco BTG Pactual como forma de quitar uma dívida que o empresário tinha com o banco devido aos investimentos feitos na usina. Procurado, o BTG não comentou.

A despeito disso, a família Bumlai ainda dispõe de um patrimônio rural considerável na pecuária – ainda que parte das fazendas tenham sido dadas como garantia pelas dívidas da São Fernando, que teve a falência pedida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Dados da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) obtidos pela reportagem junto a fontes ligadas ao segmento apontam que o empresário e os filhos Cristiane, Fernando, Guilherme e Maurício possuem um estoque de 49,4 mil cabeças de gado. Procurado, o Iagro não confirmou os dados, que têm caráter sigiloso.

Entre as fazendas dos Bumlai, há pelo menos 12 propriedades com cadastros ativos na Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul, como apontam os dados disponíveis no site da Pasta. A maior parte das propriedades está na região do Pantanal, sobretudo em Corumbá, e tem como atividade econômica a pecuária extensiva.

Os cadastros disponíveis no site da Secretaria da Fazenda sul-mato-grossense não informam a área das fazendas, mas admitindo que todo o rebanho em nome dos Bumlai esteja em terra própria, o tamanho total dessas propriedades chegaria a 64,8 mil hectares, área equivalente ao município de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A estimativa foi calculada a partir da taxa de lotação média do gado na região do Pantanal – a cada 100 cabeças de gado, a área média é de 105 hectares – e considerando cerca de 20% de áreas de preservação e reservas. Na região de Corumbá, o preço do hectare varia de R$ 500 a R$ 1.700, a depender da localização da fazenda, conforme a consultoria Informa FNP.

Amigo declarado de Bumlai, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), o ex-deputado estadual pelo PMDB Jonatan Pereira Barbosa, disse ao Valor que foram os negócios no setor sucroalcooleiro que prejudicaram a pecuária. “O álcool foi para trás nesse governo. Tem muita gente como ele devendo”, afirmou.

Barbosa também defende o amigo, que diz ver pouco, das acusações. De acordo com o presidente da Acrissul, Bumlai “não tirou vantagem” da proximidade com o ex-presidente Lula. Pelo contrário. “Empobreceu. Teve que vender patrimônio próprio. Ele não tem nenhuma fazenda comprada depois que o Lula surgiu como presidente”, disse, ressaltando qualidades do amigo. “Ele é bom caráter, bom avô, bom amigo. Ver ele tomando tanta bordoada é uma coisa que me deixa triste”, resumiu Barbosa.

A assessoria de imprensa do empresário José Carlos Bumlai informou que não comentaria a situação dos negócios de pecuária do empresário.

Fonte: (Valor)

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