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Crescimento econômico traz novas opções de ganhos na Bovespa

Quem investiu seu dinheiro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2003 não tem do que reclamar: conseguiu rentabilidade de quase 100% no período, muito à frente de qualquer outro investimento. Para isso, contribuíram fatores como a queda da inflação, dos juros, do risco-país e do dólar. Analistas acreditam que dificilmente as ações irão repetir a mesma façanha em 2004, mas garantem que ainda há grandes oportunidades de lucro no próximo ano.

A idéia é pegar carona no esperado aquecimento da economia, a principal promessa de 2004. Para isso, especialistas apostam em ações de empresas diretamente ligadas ao consumo, exportação ou naquelas que ficaram “atrasadas” em 2003. Com isso, podem ganhar maior destaque as ações da chamada “segunda linha”. Esses papéis têm menor liquidez, mas nem por isso rendem menos que as vedetes da bolsa, como Telemar e Petrobras.

O consultor Paulo Schenberg afirma que a Bovespa tem potencial para crescer 500% nos próximos quatro anos, confirmadas as previsões de conclusão de reformas e recuperação sólida da economia nacional. O cenário externo também precisa confirmar a expectativa de melhora, mas o analista não enxerga no horizonte problemas mais sérios na economia internacional.

As ações do segmento alimentício, bebidas e fumo estão entre as mais citadas como boas oportunidades em 2004. Os papéis da Sadia, Perdigão e AmBev são os destaques nesse setor. Além de atenderem à demanda nacional, essas empresas são exportadoras e tendem a acompanhar a melhora do consumo nos Estados Unidos. A ocorrência da doença da vaca louca nos EUA pode alavancar ainda mais o desempenho das empresas de gêneros alimentícios.

“Nos momentos de crise, a população começa a cortar gastos a partir dos produtos supérfluos e num segundo momento parte para os mais necessários. Na retomada da economia, são os alimentos os que reagem primeiro”, disse Cristiane Reinaldim, analista da consultoria Global Invest.

O segmento da telefonia celular já foi vedete em 2003 e é promessa de rentabilidade em 2004, segundo a maioria dos analistas. Nesse grupo, Paulo Schenberg aposta em Telesp Celular (Vivo), devido ao investimento na compra de outras redes, ainda não refletido nos resultados da empresa.

Telefonia celular também é a aposta do economista André Querne, gestor de fundos da Máxima Asset Management. Querne aconselha ainda as ações de varejo e bens de consumo em geral.

“Em 2003 nós não tivemos crescimento nenhum, apenas recuperação dos ativos. Por isso, a bolsa ainda não está cara e tem grandes chances de continuar a subir. Se a economia crescer de 3% a 4% em 2004, a bolsa poderá apresentar uma alta de até 40%”, disse Querne.

O setor siderúrgico é unanimidade entre os analistas e gestores de recursos. Fornecedor de matéria-prima para eletrodomésticos e veículos, o segmento tende a valorizar suas ações, que já se destacaram no final de 2003. Nesse grupo, as prediletas são CSN, Usiminas e Gerdau. O desempenho dessas empresas deve ter incremento à medida que aumentarem os pedidos da indústria.

Em conseqüência da maior atividade industrial, o setor energético deve se destacar. O consultor Paulo Schenberg indica ações como Petrobras, Comgás e as geradoras de energia elétrica, como Cesp, Copel e Cemig. Mas o investidor deve ter cuidado com as ações do setor elétrico, segundo Cristiane Reinaldim, da Global Invest. A analista afirma que o investidor deve ficar atento à possibilidade de novo racionamento e à apreciação do dólar. Essas empresas têm passivo cambial alto e não têm tradição de “hedge” (proteção cambial). Com isso, estão bastante suscetíveis à variação do dólar.

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