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Cresce área global de transgênicos

A área global cultivada com sementes transgênicas alcançou 67,7 milhões de hectares em 2003, 12% mais que em 2002 (58,7 milhões), informou ontem o International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA), baseado em Nova York, nos Estados Unidos. O levantamento, considerado um dos mais respeitados do mundo por fontes do setor de biotecnologia, pela primeira vez incluiu o Brasil, que teve sua área de transgênicos calculada em 3 milhões de hectares no ano passado.

Clive James, presidente do conselho diretor do ISAAA, admite que, para o Brasil, a estimativa é conservadora, já que o relatório foi concluído quando apenas 50% do plantio da safra 2003/04 do grão havia sido concluída no país. Também colaborou para a postura conservadora a confusão jurídica em torno do plantio de transgênicos em território brasileiro, só liberado nesta safra por meio de medida provisória do governo. Foi graças à MP que o Brasil entrou no ranking do ISAAA em 2003, já que o órgão não leva em conta eventuais plantios ilegais.

Mesmo assim, em sua “estréia” no ranking do ISAAA o país aparece em quarto lugar, atrás de Estados Unidos (42,8 milhões de hectares), Argentina (13,9 milhões) e Canadá (4,4 milhões), países onde os transgênicos estão liberados desde a segunda metade da década de 90. Nos EUA, o avanço de 2002 para 2003 foi de 9,7%, enquanto na Argentina alcançou 3% e no Canadá, 25,7%. Também pela primeira vez as Filipinas entraram na lista (50 mil hectares).

No total, portanto, subiu para 18 o número de países que cultivaram os principais produtos transgênicos (soja, milho, canola e algodão) no ano passado. Completam o rol China (2,8 milhões em 2003), África do Sul (400 mil), Índia (100 mil) e Austrália (100 mil), além de Uruguai, Indonésia, Bulgária, Romênia, Alemanha, Espanha, México, Honduras e Colômbia, todos com 50 mil hectares cada, sempre segundo o ISAAA.

“Mais uma vez os números mostram que quando os agricultores têm acesso à biotecnologia, ela é bem recebida”, afirmou Clive James em conferência telefônica realizada ontem. Nos próximos cinco anos, projeta, a área global com organismos geneticamente modificados (OGMs) deve chegar a 100 milhões de hectares, distribuída por 25 países. No período, disse James, o número de produtores de OGMs deve atingir 10 milhões, ante os 7 milhões de 2003 e os 6 milhões de 2002, de acordo com o ISAAA.

A soja manteve a liderança no ranking das culturas transgênicas com maior área global em 2003, com 61% do total, seguida por milho (23%), algodão (11%) e a canola (5%)

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