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Consórcios ganham força no mercado de máquinas

A atual forte demanda dos produtores brasileiros por máquinas agrícolas – muitas delas de grande porte, com níveis crescentes de sofisticação e mais caras – vem fortalecendo uma modalidade de comercialização já bastante conhecida em outros segmentos: os consórcios.

Conforme a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o número de consorciados de máquinas agrícolas cresceu 15% em agosto em relação a março e somou 76,9 mil (eram 71,2 mil em agosto de 2012), ou 36,6% do número de clientes de consórcios de veículos pesados em geral. Os consórcios de veículos automotores, que incluem, além dos pesados, veículos leves e motocicletas, têm quase 5 milhões de participantes.

Assim, a participação dos consórcios (7,9 mil cotas contempladas) nas vendas internas de máquinas agrícolas no atacado de janeiro a agosto chegou a 15,5%, levando-se em conta as estatísticas de comercialização da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo a Abac, o volume de negócios nos consórcios de máquinas agrícolas alcançou R$ 2,3 bilhões de janeiro a agosto deste ano, mesmo patamar registrado em igual período de 2012. Os créditos mais praticados oscilaram de R$ 68,1 mil a R$ 296 mil, com um prazo médio de 97 meses e taxa média de administração de 0,123% ao mês, de acordo com levantamento realizado em agosto.

Não há um histórico com dados mais antigos ou precisos disponível sobre o desempenho dos consórcios de máquinas agrícolas no país, tampouco sobre o perfil dos equipamentos comercializados: difícil saber, por exemplo, se o consórcio é usado para a aquisição de uma máquina nova ou usada, ou se serve para a primeira aquisição de um agricultor ou para a renovação de sua frota agrícola.

“Estou confiante de que este segmento [máquinas agrícolas] vai continuar crescendo, sobretudo diante da perspectiva de mais uma safra recorde de grãos. É um segmento que envolve planejamento, feito para pessoas que podem adquirir máquinas sem pressa”, afirma Paulo Rossi, presidente-executivo da Abac.

Sem a incidência de juros, apenas taxas de administração com custos normalmente mais baixos que os do sistema financeiro tradicional, outra vantagem do consórcio é a possibilidade de planejamento a médio e longo prazos para a renovação ou ampliação da frota, aponta Cláudio Bassani, gerente comercial do Consórcio Nacional John Deere, uma parceria entre a multinacional americana fabricante de máquinas agrícolas e a Randon Consórcios.

Conforme Bassani, o número de participantes no consórcio da empresa vem crescendo a taxas anuais de 12% nos últimos quatro anos. De janeiro a setembro, o consórcio disponibilizou a seus clientes R$ 136 milhões, 28,3% a mais que em igual intervalo de 2012. Em todo o ano passado, foram R$ 116 milhões, e a expectativa é encerrar 2013 com R$ 178 milhões.

Atualmente, há em carteira futura R$ 800 milhões para clientes a serem contemplados nos próximos meses. Os créditos vão de R$ 18 mil a R$ 600 mil para máquinas e implementos novos e usados.

Bassani diz que, no passado já mais distante, os consórcios de máquinas agrícolas eram procurados sobretudo por pequenos produtores, mas que nos últimos cinco anos começou a ser uma opção para médios e grandes agricultores, que vêm adquirindo máquinas maiores e mais potentes.

De acordo com Milton Rego, vice-presidente da Anfavea, o avanço de consórcios no segmento de máquinas agrícolas ocorre, não por coincidência, em um período de aumento de valor bruto da produção agropecuária constante desde 2010, quando a disposição para investimentos é, naturalmente, maior.

Rego pondera que quando a variação de renda agrícola é grande fica difícil comprometer o orçamento para o pagamento de parcelas de consórcios. Nesse contexto, o produtor muitas vezes opta por realizar a compra em um horizonte mais previsível.

Para ele, o consórcio ainda é mais indicado para pequenos e médios produtores que têm mais dificuldade de acesso ao crédito, pois representa uma saída aos financiamentos caros.

Outro segmento que têm potencial para consórcios é o de serviços para a agricultura, como irrigação, pulverização e transporte da colheita, avalia Rossi, da Abac. Já são 16,5 mil participantes ativos no setor de serviços não ligados à área agrícola. “O desafio das empresas é mostrar ao consumidor que existe essa possibilidade”, diz Rossi.

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