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Como será a safra 15/16 do Grupo Coruripe

Sousa, presidente da Usina Coruripe: sinergia com postos
Jucelino Sousa, presidente da Usina Coruripe

O Grupo Coruripe, com unidade em Alagoas e quatro em Minas Gerais, prepara-se para uma safra mais alcooleira e com pelo menos mais 500 mil toneladas de cana-de-açúcar para moer. Confira as estratégias do grupo para o ciclo 15/16 na entrevista a seguir com o presidente da Coruripe, Jucelino Sousa.

JornalCana – Como foi a safra 14/15 das cinco unidades produtoras (a de Alagoas, que deve ter concluído a safra em março e as de MG), em número de moagem, produção de açúcar, etanol e de bioeletricidade (em MWh). Foi maior que a 13/14, em que %, e quais os motivos?

Jucelino Sousa – Encerraremos a safra com moagem de aproximadamente 13,5 MM t, crescimento de 9,3 % em relação a safra 13/14. Produzimos 950 mil t de açúcar, 500 mil m3 de etanol e exportamos 415 mil mwH. O crescimento foi possível devido a uma maior produtividade do canavial o que permitiu atingirmos nessa safra a utilização plena de nossas unidades industriais.
Qual a previsão de moagem e de produção das cinco unidades para a safra 15/16? Nas quatro unidades de Minas a safra começa quando? Qual deve ser o mix de produção? O grupo fará uma safra mais alcooleira, até porque 4 das unidades estão em MG, onde o ICMS sobre o hidratado foi reduzido?
Devido a alguns investimentos na ampliação da capacidade de produção e a expectativa de mais uma boa safra, pretendemos moer 14 MM t na safra 15/16. Em MG duas unidades começaram a moagem na 2a. Quinzena de março e as outras duas na 1a quinzena de Abril. O mix esse ano será um pouco mais alcooleiro, estamos crescendo um pouco no etanol acreditando no maior consumo em MG e consequentemente em melhores margens.
 
A unidade Campo Florido, a qual tive a oportunidade de conhecer, operava 100% com cana de fornecedores. Continua assim? Aproveitando, qual o % de cana própria e cana de terceiros das cinco unidades?
Em Campo Florido os Fornecedores respondem por 2/3 da moagem , no grupo a proporção é 50/50.
 
Cogeração: a venda de excedentes tornou-se um produto efetivo do grupo? Como o sr. vê esse mercado spot para compra em 2015, já que vivemos em crise hídrica? 
 
Na safra 15/16 o Grupo vai cogerar 735 mil Mwh e exportar 425 mil Mwh, a energia é sem dúvidas um produto relevante do Grupo com elevada margem de contribuição ao resultado. Os preços SPOT na safra 14/15 foram bem mais remuneradores e refletiam a real situação de escassez, infelizmente para a safra 15/16, devido a mais uma intervenção do Governo, os preços no mercado spot foram limitados contrariando a lei da oferta e da procura. Mesmo o preço SPOT nessa safra ainda sendo remunerador lamentamos a perda de oportunidade de se agregar ainda mais margem ao setor nesse momento de recuperação.
 
O grupo investe para ampliar a oferta de excedentes? Há planos de chegar aos 190 mil MWh divulgados no site? Se sim, fará esse investimento neste 2015, mesmo com as restrições das linhas de financiamento?
Temos oportunidades para elevarmos em 50 % as nossas exportações de energia, no momento estamos avaliando, tudo dependerá de sinais mais claros quanto às políticas publicas para o setor e de alguns  investimentos em infra-estrutura (linhas de transmissão) que precisam ser realizados pela CEMIG.
 
JornalCana – O sr. é favorável a um programa de refinanciamento bancário para o setor, a exemplo do Proer dos bancos? Se sim, ou não, explique seus motivos
O setor pagou um preço muito alto por ter atendido o chamamento feito pelo Governo Federal de abastecer o Brasil e o Mundo de etanol. Infelizmente o Pré-sal fez fez com que o Governo esquecesse o setor. A maioria das dívidas foram contraídas para a implantação de greenfields, brownfields e para o aumento da produção de cana que quase dobrou nessa última década. O Governo não tem culpa da crise de 2008 nem é responsável pelas secas que aconteceram, porém possui responsabilidade integral e direta pelo esvaziamento do mercado de etanol hidratado em função do represamento dos preços de gasolina. As perdas da Petrobras nesses anos de “congelamento” de preço da gasolina somam aproximadamente R$ 60 bilhões, coincidentemente quase o mesmo estoque de dívidas do setor no início da safra passada. O esvaziamento do mercado interno de etanol trouxe outra consequência nefasta que foi a geração de um superavit mundial de açúcar, derrubando também os preços da commoditie.
Nos últimos anos vimos os bancos públicos, notadamente o BNDES, suportando diversos setores da economia, apostando em campeões nacionais, ora, o setor de açúcar e etanol já era um campeão nacional ! Somos o maior exportador do mundo de açúcar e o 2o maior produtor do mundo de etanol, porquê não podemos ter uma atenção especial ? Não vejo porquê não se debater uma solução customizada para o setor. É óbvio que o desequilíbrio fiscal do Governo torna difícil o encaminhamento de uma solução nesse momento, porém defendo que o assunto deve ser discutido e que deve fazer parte sim das pautas de debate com o Governo, o Governo tem responsabilidade direta em tudo que aí está e portanto deve sim ajudar no encontro das soluções.
Quanto aos bancos privados, acredito que  devem estar olhando o setor nesse momento com outros olhos, não somos mais o patinho feio da economia, hoje outros setores estão em situação bem mais delicada. Temos uma curva ascendente pela frente, as empresas que demonstraram ter resiliência até o momento possuem todas as condições de darem a volta por cima e portanto precisam ser amparadas, essa é a hora de se verificar quem são os verdadeiros parceiros.
A volta da Cide sobre a gasolina, a alta do anidro na gasolina e reduções do ICMS sobre o hidratado, como em Minas, são medidas que revigoram o setor sucroenergético? Ou o setor apenas produzirá menos açúcar e fará mais etanol por conta disso?
Não chegam a revigorar mais trazem boas perspectivas, atendem algumas das diversas reivindicações do setor. O exemplo de MG deveria ser seguido por outros estados. A CIDE na gasolina se atualizada deveria ser na ordem de R$ 40/m3 portanto ainda existe espaço para aumentar a diferença de preço para o etanol hidratado, isso diminuiria a necessidade de importação de gasolina que com esse novo câmbio já deverá trazer novos prejuízos a Petrobras. O consumo de etanol vai crescer e o setor vai atender essa demanda modificando seu mix de produção, o segmento sempre fez isso. Porém o que o setor precisa mesmo hoje é de melhores margens pois somente com resultados financeiros robustos as dívidas acumuladas nos últimos anos poderão ser amortizadas e os investimentos retornarem. Os preços do açúcar infelizmente estão se comportando com movimento contrário ao do dólar fazendo com que o preço em Reais permaneça inalterado, a elevação do câmbio foi boa para a maioria dos exportadores menos para os produtores de açúcar, por enquanto o único impacto que o câmbio trouxe nos balanços dos produtores de açúcar, para aquelas que possuem dívidas em US$, foi o aumento do endividamento em R$. O aumento da demanda do etanol pode, e acredito que vai, ajudar a uma recuperação mais rápida dos preços do açúcar em US$. Somente o etanol pode equacionar de forma rápida o superavit mundial de açúcar.
O setor enfim sai da crise registrada desde 2008, uma vez que a oferta mundial de açúcar tender a ficar reduzida neste ano, o que gerará mercado em 2016?
Ainda é cedo para garantir isso, essa é a tendência, essa é a expectativa. Vamos avaliar o mix do início da safra no Brasil, o crescimento da demanda do etanol, o fechamento das safras nos demais países produtores para termos uma visão melhor se de fato 2016 será o ano da virada. Alguns estudos afirmam que esse ano será de déficit porém outros ainda insistem que teremos um novo superavit. O fato é que os preços do açúcar ainda não apontam um comportamento de alta, na verdade ainda não apresentam nem indícios quanto a isso. A recuperação dos preços ainda está muito mais no campo da esperança do que no campo da realidade.
 
É hora de o setor se unir para reivindicar junto ao governo, por exemplo, a inserção da bioeletricidade na matriz energética? Como fazer essa união?
Essa interlocução tem sido muito bem feita pelas entidades que representam o setor : Única, Fórum Sucroenergético e Sindicatos Estaduais. Algumas demandas estão sendo atendidas porém a minha percepção é que o setor ainda não tem recebido a atenção que merece e as medidas não são tomadas na urgência que se precisa. Não creio que isso se deva a qualidade de nossos representantes mas sim a uma miopia por parte do Governo, talvez devamos mudar o foco do Governo para a Sociedade, comunicando melhor as externalidades positivas do setor e dando subsídios para que a Sociedade pressione o Governo.
Quando estava no segmento de Distribuição a visão que eu tinha, e muitos compartilhavam comigo, era que o setor conseguia tudo que queria, que era extremamente articulado e influente, porém ao migrar para o segmento constatei que a realidade infelizmente não é bem essa. Somos um gigante mas falamos com voz de criança, estamos sempre na defensiva, pedindo com o pires na mão, quando pela importância, representatividade política e até por direito, deveríamos mesmo é estar exigindo e influenciando as políticas públicas relacionadas a matriz energética do país. Sem as usinas esse país para, os carros não andariam e faltaria energia elétrica nas casas, não somos descartáveis.
Guardando obviamente as devidas proporções, veja a disparidade no tratamento de assuntos similares : enquanto as dificuldades financeiras da Petrobras causam uma comoção nacional, mobilizam o Congresso, a Sociedade e a  mídia, diversas Usinas fecharam ou estão em vias de serem fechadas e pouca importância é dada ao assunto.
 
Sousa, presidente da Usina Coruripe: sinergia com postos

No evento da F.O. Licht, o sr. disse que o setor precisa estar mais ao lado do segmento de postos porque eles ganham mais margem com a venda de gasolina do que com etanol. Como fazer essa aproximação? Usando entidades, por exemplo?

A margem total na cadeia de comercialização : Usinas, Distribuidoras e Postos , não está sendo dividida de forma justa ao consideramos os riscos do negócio e o capital empregado. Também é fato que a gasolina deixa uma maior margem para as distribuidoras e para os postos, o que consequentemente, faz com quê esses agentes tenham uma preferência óbvia pela comercialização da gasolina.
O que defendo é uma maior aproximação entre os diversos agentes buscando sinergias que possam ser aproveitadas para melhorar a margem total do produto possibilitando uma divisão mais equânime das margens. As parcerias entre a indústria e o varejo acontecem em diversos segmentos, porém entre as usinas e o resto da cadeia existe um chinese wall. Minha sugestão é que as entidades dos três setores se reúnam num fórum, com uma consultoria como mediadora, buscando a identificação de formas mais eficientes de relacionamento.
O produtor de etanol não conhece o consumidor do seu produto, existem outras formas de alavancar a demanda do etanol além do preço, porém nenhuma delas é acessível para as usinas sem uma maior interação com os demais elos da cadeia de comercialização. Isso é uma utopia ? Pode ser, qual a opção que temos ? Reclamar do Governo e buscar a redução dos custos nós já estamos fazendo a vários anos, infelizmente os resultados ainda não os suficientes, porquê então não pensar um pouco fora do quadrado ?

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