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Como garantir a competitividade e a sustentabilidade das usinas do Norte/Nordeste?

Lideranças indicam os caminhos

Quando a tradição e inovação caminham lado a lado, as perspectivas podem ser promissoras. E a soma desta equação é o que vem garantido às usinas da região Norte/Nordeste, um resultado que assegura competitividade e sustentabilidade.

O tema foi pauta do 4º CEO MEETING, que reuniu cinco expoentes do setor sucroenergético da região:  Eduardo de Queiroz Monteiro, presidente do Grupo EQM; o diretor do Grupo Japungu, Jose Bolivar de Melo Neto; Klécio Santos, presidente da Cooperativa Pindorama; o presidente da Pagrisa, Marcos Zancaner e Sérgio Paranhos Filho, CEO do Grupo Paranhos.

Sob a mediação do jornalista e diretor da ProCana, Josias Messias, os executivos traçaram ao longo do evento online, um raio x das ações e estratégias que faz a diferença para que o segmento possa ser sustentável e ao mesmo tempo competitivo, aumentando a produção, gerando emprego, renda e crescimento econômico. O webnário contou com o patrocínio da AxiAgro; GDT by Pró-Usinas; HRC; Project Builder e S-PAA Soteica.

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Eduardo de Queiroz Monteiro

Durante sua explanação, o presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro, destaca o importante trabalho das lideranças que representam o segmento junto aos organismos do Governo e no Congresso. “Eles têm feito a diferença. Nós éramos muitos, somos alguns e seríamos poucos se não tivéssemos a qualidade dessa representação.  E quero estender também a referência, às nossas lideranças junto ao setor primário. O que nos permite dizer que temos um exército de infantaria cuidando da porteira pra dentro e seguros da porteira pra fora”, disse.

Segundo Monteiro, na questão ambiental, o setor é um dos que mais fomenta ações relacionadas a preservação. “Não há segmento que promova mais o meio ambiente que o nosso. No que diz respeito à educação ambiental, reflorestamento, matas ciliares, mudas e viveiros, enfim, temos um grande acervo de trabalho que se incorporou a nossa rotina. E não fazemos isso apenas para ficar no discurso politicamente correto. Fazemos porque estamos convencidos da importância de qualificar a nossa produção e para certificar nossa situação no mercado mais exigente do mundo”, finalizou.

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José Bolivar de Melo Neto

Para  José Bolivar de Melo Neto, diretor do Grupo Japungu, o custo do arrendamento de terra, a proximidade dos portos, gastos menores nos combates às pragas, diferencial logístico no saco de açúcar, e grande potencial de cogeração, são alguns dos ingredientes vantajosos para as usinas do nordeste. Fatores que podem gerar boas oportunidades, mesmo diante de grandes desafios como solo, clima e topografia. Destacando ainda, a importância de ter foco no momento de investir os recursos.

“A gente tem muita demanda, então se não tiver foco para saber onde e quando investir, o dinheiro some e você acaba não fazendo nada.  Então, investir naquilo que realmente agrega valor, é uma coisa muito importante.  A disciplina financeira é fundamental. Outra coisa relevante é uma equipe dedicada e comprometida. No meu caso eu tenho privilégio de contar com isso.  Quero parabenizar a todos pelo final da safra aqui em Japungu e desejar boa sorte para o pessoal das usinas do sul, que estão começando a safra agora, concluiu.

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Klécio José dos Santos, diretor da Cooperativa Pindorama, falou sobre a importância da diversificação, como alternativa na gestão de1.050 cooperados, na busca de competividade e sustentabilidade.

Klécio José dos Santos

“Passamos um pouco aí da produção de um milhão de tonelada de cana. Nós conseguimos, já dentro dessa busca por agregação de valor, transformar 10% do nosso açúcar em produtos com valor agregado. A gente enxerga dentro da indústria do setor, muitas oportunidades para que você saia dessa base do açúcar e do etanol, explorando outros caminhos ante a necessidade de gerar mais resultados para o cooperado. Temos hoje mais de 80 produtos, além da área de suco, álcool 70 com álcool em gel, álcool com aroma, entre outros”, disse.

O diretor completou ainda afirmando que “a cooperativa também inova com a criação de uma moeda própria, o Bertholet, que circula entre os cooperados e estimula o consumo e a circulação de mercadorias, em mais de 600 pontos comerciais dentro do ambiente da cooperativa”.

Para Marcos Zancaner, presidente da Pagrisa, única usina produtora de etanol no Estado do Pará, o segredo da competividade está baseado no tripé da inovação, diversificação e formação de mão de obra qualificada. Segundo Zancaner a usina tem desafios muito parecidos com as localizadas no Nordeste. A começar pela pluviosidade. “A solução: continuar testando as tecnologias de irrigação para assegurar a produtividade sustentável.”

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Marcos Zancaner

Para combater a sazonalidade, e manter a usina produzindo durante o ano todo, está em fase de acabamento a implantação de uma fábrica de etanol de milho, aproveitando parte da estrutura já existente, passando a funcionar nos moldes de uma usina flex, com previsão de ser inaugurada em dezembro de 2022.

A modernização dos processos de gestão também tem sido um diferencial da usina. “Implantamos o processo de ISO 9001. Passamos por um amadurecimento muito grande na organização de cada etapa da produção, contando inclusive, com monitoração online dos dados.”

Ousadia e pioneirismo. Foram os termos empregados pelo CEO Sérgio Paranhos Filho, ao se referir ao único projeto greenfield em andamento na região Norte/Nordeste.  A Fazenda Serpasa, do Grupo Paranhos, já tem 12 pivôs de 110 hectares(ha) em operação, uma área de 1,3 mil ha de cana-de-açúcar plantada e as obras da usina estão avançadas.  Localizada no município de Muquém do São Francisco, será a primeira usina do polo agroindustrial e bioenergético do oeste baiano. A previsão é que a primeira moagem tenha 400 mil toneladas de cana e ocorra no segundo semestre de 2021.

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Sérgio Paranhos Filho

Paranhos destacou que o investimento é resultado da visão empreendedora do patriarca da família, mas também de muito estudo e planejamento para se tornar uma realidade. Tivemos o cuidado de ouvir especialistas e experientes empresários do setor, para sabermos as dificuldades que iríamos encontrar pela frente.

O empresário ressaltou o desenvolvimento social que está sendo proporcionado pelo projeto. “A cidade de Muquém tem um baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e estudos apontam que com a usina será dobrado o valor da renda per capita do município. Do ponto de vista ambiental e sustentabilidade, nós também estamos com um programa de mudas de espécies nativas como Aroeira, Paraúna Peroba, Jatobá, trazendo 900 mil mudas.  Vamos fazer um trabalho de revitalização da margem do rio São Francisco que é o maior ativo ambiental. Vamos trazer desenvolvimento e devemos cuidar do rio”, concluiu.

Joacir Gonçalves

 

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