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Commodities e câmbio aumentam a pressão

Nos próximos dois meses a inflação seguirá pressionada não só pelo aumento dos combustíveis, mas também pela alta das commodities agrícolas, pela mudança de patamar do câmbio e pelos reajustes de tarifas, com destaque para a telefonia fixa e a energia elétrica.

A maior pressão nos preços agrícolas ao atacado virá de itens como carne bovina e frango. Fábio Silveira, da MS Consult explica que a partir de julho esses produtos entram em período de entressafra. Há ainda a elevação do preço do álcool que influencia os preços do açúcar. Esses aumentos irão chegar ao varejo, ainda que de forma mais diluída, afirma o economista.

A valorização do dólar frente o real também é motivo de preocupação. Ela influencia os preços das commodities, tanto agrícolas como industriais. Apesar da recente desaceleração dos preços industriais no atacado, Silveira acredita que o câmbio em R$ 3,10 traga aumentos a alguns insumos da indústria como os metálicos e a cadeia atrelada ao petróleo. “No entanto, a pressão não será tão intensa como a vista entre abril e maio”, pondera.

Na opinião da economista Ana Paula Almeida, da Tendências Consultoria Integrada, o real entre R$ 3,10 e R$ 3,15 não comprometerá a meta de inflação para o ano. “No máximo, poderá chegar a uns 7%, um resultado ainda dentro da margem”, ressalta.

Ana Paula alerta para a pressão que virá com o reajuste dos preços administrados. Isso porque os últimos índices gerais de preços do mercado (IGPs) vieram bastante forte e o acumulado em doze meses – que serve de base para o reajuste das tarifas – também está alto.

Ainda sobre o impacto da valorização do dólar, Ricardo Denadai, da LCA Consultores lembra que ele não foi sentido no índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) de maio. De acordo com cálculos da consultoria, o repasse da depreciação do real para o consumidor leva dois meses para ocorrer e permanece durante cerca de quatro meses. Isso significa que o efeito do câmbio ainda será sentido nos próximos indicadores de inflação ao varejo.

Dentre os produtos que podem ser reajustados por causa do dólar, Denadai destaca o grupo dos industrializados e dos comercializáveis. Ele calcula que a contribuição do câmbio e dos combustíveis ficará entre 0,8% e 1% no IPCA fechado do ano.

Quanto aos preços agrícolas, o economista da LCA reconhece que eles estão subindo e afirma que esse movimento ocorre devido às fortes chuvas e à antecipação do inverno, com quedas bruscas de temperatura. Ele lembra que os preços de vestuário também sofreram com os efeitos climáticos.

Porém, Denadai acredita que assim como subiram rapidamente, os produtos agrícolas também tendem a devolver as recentes altas com a perspectiva de estabilidade climática e recomposição da oferta. “A partir de agosto a pressão desse grupo deve arrefecer “, estima. Além disso, “as commodities metálicas estão desacelerando, o que confere um certo alívio ao atacado e, por conseqüência, aos preços praticados aos consumidores”.

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