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Combate ao Sphenophorus levis requer ações integradas no manejo

Durante sexta reunião do Grupo Fitotécnico de Cana do IAC, especialistas abordaram estratégias no controle de pragas

Aprofundar as pesquisas, troca de informações, capacitação e criação de equipes específicas para atuação no campo, são alguns dos desafios a serem vencidos pelos produtores no combate do Sphenophorus levis, mais conhecido como bicudo da cana, praga que, se não combatida, devasta plantações e reduz a produtividade do canavial.

“Dificuldades e acertos no manejo de Sphenophorus”, foi um dos temas debatidos durante a 6ª reunião do Grupo Fitotécnico de Cana IAC realizada na terça-feira, dia 4, em Ribeirão Preto – SP.

O gerente de tratos culturais da Usina São João, José Marcos Fini e Mariele de Souza Penteado, supervisora de produção agrícola da Usina Alta Mogiana, apresentaram um retrato das ações implementadas por essas usinas no combate a essa praga.

José Marcos Fini destacou que as soluções adotadas pela usina, estão distantes de serem consideradas as práticas ideais no manejo para a eliminação da praga, no entanto, assegura que com elas tem obtido alguns avanços.

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José Marcos Fini

“Há cerca de 8 anos atrás tínhamos um percentual de cerca de 7% de infestação. E no ano passado chegamos à marca de 20%. Então tivemos que mudar nossos processos, sob o risco de não conseguir produzir cana”, afirmou.

As mudanças consistiram em relação ao preparo de solo: liberação antecipada das áreas; erradicador; inseticida Barra Total; Grades; subsolagem e plantio com inseticida. Nos tratos culturais: manejo de palha e corte de soqueira com 2 linhas, 300l/ha, com piloto automático, sendo 70% injetado mais 30% pulverizado.

“Adotamos ano passado essa metodologia e estamos retomando esse ano novamente, por entendermos que está dando certo. Para vencermos essa guerra precisamos unir mais o setor. Às vezes temos uma área com 20% de infestação e um vizinho apresenta apenas 2%. Precisamos saber o que ele está fazendo de diferente. Só assim, com essa troca de conhecimentos e de tecnologia e comprometimento de todos na usina, desde a operação até a alta gestão, que poderemos vencer”, disse Fini.

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Mariele, da Usina Alta Mogiana, destacou a necessidade de ampliar as pesquisas relacionadas ao inseto e ao desenvolvimento de novas moléculas químicas e biológicas e também a questão da tecnologia de aplicação, onde hoje nós estamos reféns praticamente do cortador de soqueira e iniciando nesses trabalhos na vinhaça localizada.

De acordo com Mariele é preciso estabelecer a correlação entre o inseto e a cana-de-açúcar e entender o cenário relacionando a infestação que ele tem com a variedade de cana e com o ambiente de produção. Também é importante a construção de equipes técnicas. Hoje temos ainda alguns produtores e usinas que não tem condições de ter uma equipe de levantamento, por exemplo.

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Mariele de Souza Penteado

“Nós também passamos por isso, e a partir de 2019 construímos a nossa equipe e estamos em fase de amadurecimento ainda, mas entendemos que isso é muito importante, não só a equipe que faz o levantamento, como toda a cadeia que está envolvida no combate à praga, que se encontra em 100% do nosso canavial, porém com níveis de infestação diferente”, disse.

Uma outra questão abordada pela supervisora foi com relação a rotação de cultura com a soja. “Hoje fica em torno de 60% da nossa área de reforma. É uma cultura que nós temos muitos benefícios agronômicos, tem a sua importância econômica, porém, temos observado que por mais que não seja uma planta hospedeira da praga, de alguma maneira ela está contribuindo para o crescimento das infestações.

Para a pesquisadora IAC, Leila Luci Dinardo-Miranda, a questão da soja foi muito bem colocada por Mariele.

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Leila Luci Dinardo-Miranda

“Onde a gente põe meiose deixa a terra nua, você tem menos sphenophorus do que onde você planta soja. Isso mostra duas coisas: primeiro que aquele pensamento que alguns produtores tinham de que quando eu planto soja e aplica inseticida para controle de pragas de soja, isso vai controlar o adulto de sphenophorus. O que é uma grande ilusão, pois isso não acontece”, afirma a pesquisadora, que também falou dos nematicidas e inseticidas aplicados com vinhaça.

O manejo biológico de pragas da cana também foi pauta do encontro, com palestra de José Eduardo Marcondes de Almeida, diretor da ULR Controle Biológico, do Instituto Biológico. Seguida de palestra da SIPCAM NICHINO, proferida pelo engenheiro agrônomo Sérgio Camargo.

 

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