Com excedente de açúcar mundial, preço do cristal recua no mercado interno

O superávit global de açúcar já reflete no comportamento do preço do cristal no mercado interno. O superávit da commodity, que segundo a Organização Internacional de Açúcar (OIA) deve alcançar 6,747 milhões de toneladas na safra mundial 2018/19, também repercute diretamente no preço do cristal pago para as unidades produtoras.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, essa queda surpreende uma vez que tipicamente o açúcar cristal negociado por usinas do estado de São Paulo remunera mais que os etanóis anidro e hidratado.

A vantagem do adoçante frente ao biocombustível, entretanto, reduz na parcial desta safra paulista, segundo apontam cálculos realizados pelo Cepea.

No acumulado desta safra (de abril a 24 de agosto), o açúcar cristal remunerou apenas 12% a mais que o etanol anidro, enquanto que, nas safras 2016/17 e 2017/18, remunerava bem mais, 66% e 50%, respectivamente.

Quanto ao hidratado, o açúcar está 17% mais vantajoso na atual safra, sendo que, nas duas temporadas anteriores, estava 75% e 57% mais remunerador, na mesma ordem.

Na semana passada, especificamente, o açúcar remunerou 13% mais que o anidro e 14% mais que o hidratado.

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Demanda de etanol segue aquecida

A demanda por etanol seguiu aquecida na semana passada, enquanto a necessidade de venda por parte das usinas foi menor. No geral, os volumes negociados nos principais estados produtores foram expressivos, o que resultou em alta de preços praticamente diárias.

Entre 20 e 24 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,4572/litro, aumento de 4,75% frente ao da semana anterior e a terceira maior alta da safra atual. O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro, também no mercado paulista, fechou em R$ 1,5805/litro, elevação de 1,13% no mesmo período.

Etanol x gasolina

Cálculos realizados pelo Cepea com base nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a paridade média de preços entre o etanol e a gasolina esteve bastante favorável para o hidratado entre abril e a segunda quinzena de agosto frente aos últimos cinco anos-safras.

Segundo dados da ANP, nas bombas de São Paulo, de 19 a 25 de agosto, o preço da gasolina C foi de R$ 4,189/litro e o do etanol, de R$ 2,393/litro, gerando relação média de preços entre os combustíveis de 57,1%.

Na parcial desta safra, em Goiás, Mato Grosso e São Paulo, as relações ficaram abaixo de 70% (a 67,6%, 64,7% e 65,8%, respectivamente), enquanto em Minas Gerais e Paraná estiveram acima desse patamar (em 70,4% em ambos os estados), sendo, nestes dois últimos estados, indiferente abastecer com um ou outro combustível.

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