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Carros a álcool voltam a atrair motoristas

O mercado de carros usados assiste a uma bolha de consumo de modelos movidos a álcool, mas a escassez de produtos leva o consumidor às oficinas de conversão de motores. Os serviços para adaptar veículos a gasolina ao combustível mais barato vem crescendo nos últimos meses. Segundo lojistas, a falta de oferta de carros originais, principalmente seminovos, é resultado da baixa produção nos últimos anos.

“Não há mercadoria disponível, por isso muitos clientes compram o modelo a gasolina e fazem a conversão”, diz o proprietário da loja especializada em carros usados Green Car, Cezar Batista. Em 12 meses, o preço do litro do álcool caiu 50,3%, segundo a Fipe, e há postos oferecendo o combustível a R$ 0 60, enquanto o litro da gasolina custa na faixa de R$ 1,90.

A Power Car, oficina que trabalha com sistemas de injeção eletrônica e carburadores, atende, desde o início do mês de um a dois clientes ao dia para serviços de conversão. Até pouco tempo, a procura era limitada a no máximo seis consumidores ao mês, afirma Walter Domingues Capua, no ramo há 17 anos. O serviço custa R$ 450 – R$ 350 da conversão e R$ 100 de um kit de partida do motor para temperaturas mais frias.

A mudança em carros com injeção eletrônica é feita via computador. O programa do chip do veículo é alterado para aceitar o novo produto. Segundo Capua, o único problema que pode ocorrer é na bomba elétrica, que precisa ser trocada após cinco meses a um ano e meio da conversão, dependendo do automóvel. A substituição custa de R$ 90 a R$ 180. “Para quem roda em média 100 quilômetros/dia o retorno do gasto é rápido.”

O Palio 1.0 de Wanderley Bulanho, ano 97 – que ele compartilha com o filho -, passou a ser abastecido com álcool há dois meses. “A economia é de pelo menos R$ 10 ao dia”, calcula. Segundo ele, o carro rodava 10 quilômetros com um litro de gasolina. Com álcool, roda 6,5 quilômetros, mas a diferença no preço compensa. Conta similar faz o costureiro Wilson Soares da Silva, que agora abastece seu Tempra 96 com o combustível da cana-de-açúcar.

O presidente do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos), Geraldo Santo Mauro, acha que a alteração só vale a pena para quem roda em média 150 quilômetros por dia com o carro. Ele orienta os proprietários a alterarem a documentação do veículo nos órgãos de trânsito, mas admite que a maioria não faz isso, por causa da burocracia e do custo.

Tendência é de os modelos desaparecerem do mercado

A procura por modelos zero quilômetro a álcool também aumentou, segundo as montadoras, mas somente nos modelos em que ainda não há disponibilidade das versões bicombustíveis, que rodam com qualquer dos dois combustíveis. A tendência é de os modelos movidos a álcool desaparecerem do mercado no futuro, quando a maioria dos carros serão lançados apenas nas versões bicombustíveis, confirma a Anfavez (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Segundo a entidade, os modelos flexíveis, que começaram a chegar ao mercado em maio passado, já respondem por 13,2% das vendas.

Os modelos a álcool apresentaram pequena reação nos últimos meses, mas hoje respondem por 2,6% do mercado, ante 4,8% no início de 2003. As versões a gasolina reduziram sua participação de 95,2% para 84,2% no período.

Nos três primeiros meses deste ano foram vendidos 46.231 veículos com motores flexíveis e 9.127 a álcool. A soma dos dois representa um crescimento de 384% ante o primeiro trimestre de 2003, quando foram vendidos 11.444 carros a álcool. As vendas de versões a álcool do Gol 1.0 aumentaram 30% na revenda Volkswagen Primo Rossi. “O lançamento dos modelos flexíveis ajudam a dar credibilidade também aos carros a álcool”, diz o diretor da empresa, Vittorio Rossi.

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