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Cana vai impulsionar biodiesel no País

Depois de dominar e ser referência mundial em etanol derivado da cana-de-açúcar, o Brasil avança na pesquisa do biodiesel. E é a mesma cana-de-açúcar que pode render a maior produtividade ao País, que também produz o combustível limpo a partir de uma série de oleaginosas, entre elas a soja, dendê, palmeira de macaúba, mamona e até amendoim.

Com o avanço das pesquisas a partir da cana, cujo bagaço também vai gerar energia, o Brasil cria condições de ampliar a mistura do combustível vegetal ao diesel derivado de petróleo. Atualmente, a mistura atinge 5% nos veículos movidos a diesel, mas tem potencial para avançar entre 20% e 30% nos próximos anos, trazendo ganhos econômicos, sociais e, principalmente, ambientais.

Além disso, o País se capacita para ser um grande exportador do combustível limpo, já que a Europa terá de adotar a mistura de 10% de biodiesel até 2020, mas o Velho Continente não te m potencial produtivo de oleaginosas em grande escala.

É aí que a cana-de-açúcar ganha relevância, desta vez não em etanol, mas em biodiesel. Testes comandados pelo professor Miguel Dabdoub, coordenador do Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto, mostram que a cana-de-açúcar pode alcançar produtividade de 4.000 litros de biodiesel por hectare.

Como base de comparação, a soja, principal fonte de extração do biodiesel atualmente, rende 300 litros por hectare – o óleo é o subproduto da soja, que tem no farelo seu principal fator econômico e nutricional.

“Ao se alimentarem do açúcar da cana, micro-organismos acumulam gordura, assim como fazem as baleias e até seres humanos”, ilustra o professor Dabdoub. “Colocados em centrífugas, esmagamos e retiramos dos micro-organismos o biodiesel.”

Para o êxito do programa, a indústria automobilística participa ativamente do processo, acompan hando a evolução de testes de campo e laboratório em veículos de passeio, comerciais leves, caminhões, ônibus e até máquinas agrícolas. Há testes com com vários percentuais de mistura de biodiesel – desde o B30 (30% de combustível vegetal e 70% fóssil) até o B100.

Atualmente, fazem experiências com o biodiesel Mercedes-Benz, Volvo e Scania, Grande fabricante de motores diesel para automóveis e comerciais leves, a PSA Peugeot Citroën mantém programa com o governo federal e a universidade para testes do biodiesel em carros de passeio. A montadora inicia agora a terceira fase de testes.

Como cerca de 7% do diesel usado pelo Brasil ainda é importado, a pesquisa cria condições para que o País se livre da dependência externa. O biodiesel também poderá liberar carros de passeio a rodarem com diesel, que é mais eficiente energeticamente que a gasolina e o etanol. “Ainda teremos pré-sal no caminho da autossuficiência”, lembra Rodrigo Augusto Rodrigues, integrante da Casa Civil e coordenador da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel.

Mamona não vingou, diz pesquisador

O professor Miguel Dabdoub, coordenador do Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto, afirmou que a mamona, que era uma das grandes esperanças do governo federal para a produção de biodiesel, não deu os resultados esperados. “Atualmente, o óleo extraído da mamona é mais destinado às indústrias cosmética e farmacêutica”, afirmou.

Mesmo assim, o programa no biodiesel conseguiu superar metas. De acordo com Dabdoub, em 2010 a mistura de biodiesel ao diesel já atingia 5% em todas as regiões do País, quando o estabelecido na legislação ambiental é que o índice fosse alcançado só em 2013. A mistura começou em 2008 com adição de 2%.

O coordenador do Ladetel disse que as pesquisas são importantes para convencer o governo brasileiro a liberar o uso do diesel em automóveis. Para ele, com a liberação o País teria mais vantagens do que desvantagens. “Com um litro de diesel, com mistura de 30% de biodiesel, já conseguimos atingir 17 quilômetros por litro”, afirmou. Segundo ele, num mesmo veículo movido a etanol, o desempenho ficaria bem abaixo. “No meu ponto de vista, o País teria ganhos ao liberar diesel em automóveis.”

De acordo com Rodrigo Augusto Rodrigues, integrante da Casa Civil da Presidência da República e coordenador da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel, o Brasil consome anualmente 2,5 bilhões de litros de biodiesel derivado, principalmente da soja e dendê, entre outras plantas.

Segundo Rodrigues, a capacidade instalada já é de 5,2 bilhões de litros anuais. Para exportar, ele disse que o País terá de reduzir tributos.

Para sair na frente, Grupo PSA apoia pesquisas da USP

Após encontro da cúpula do grupo PSA Peugeot Citroën com o governo do então presidente Lula, a montadora decidiu apoiar a pesquisa acadêmica do biodiesel no Brasil. Além de ceder carros, técnicos franceses da empresa participam dos testes de campo e laboratório comandados pelo Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas), da USP em Ribeirão Preto.

As pesquisas começaram em 2003. O Brasil foi escolhido por ser o país mais adiantado em matéria de combustíveis renováveis, com o etanol à frente. “Nossas equipes estão se tornando referência dentro do Grupo PSA em dois campos onde o Brasil tem muito potencial: materiais verdes e biocombustíveis. Como também somos os maiores produtores mundiais de motores a diesel para carros de passeio, nada mais natural que continuemos avançando nas pesquisas com o biodiesel”, afirmou Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën para o Brasil e a América Latina.

Já foram duas fases de pesquisa com veículos da Citroën, entre eles um Peugeot 206 e um Citroën Picasso. Agora, a montadora e o Ladetel iniciam a terceira fase de testes com um Citroën C4 e um Pe ugeot 408. A montadora investe R$ 1,5 milhão no projeto.

Além de ter acesso à pesquisa em primeira mão, Carlos Gomes diz que o grupo francês tem interesse em produzir carros de passeio no Brasil com motor a diesel se o governo federal vier a autorizar. Além disso, o Grupo PSA Peugeot Citroën está de olho em potenciais fornecedores de matéria-prima para a Europa, que terá de adicionar 10% em seu diesel a partir de 2020 para reduzir emissões.

Todos os testes feitos até agora no Brasil com os veículos Peugeot e Citroën apontaram para a redução das emissões sem comprometer o funcionamento do veículo

Diário do Grande ABC

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