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Cana ganha espaço nos negócios da BrasilAgro

Especializada na compra de terras e na produção agrícola, a BrasilAgro integra um time crescente de empresas que buscam ganhar com a valorização imobiliária tradicional, mas também com a agregação de valor à terra. Fundada em 2006, a companhia nasceu com foco em grãos e algodão. Há dois anos, no entanto, converteu duas fazendas de soja e milho em canaviais, de olho na rentabilidade maior da cana. E, com o potencial identificado, outra unidade da empresa poderá passar pelo mesmo processo.

Apesar de as restrições impostas pelo período de silêncio impedirem Julio Toledo Piza, presidente da BrasilAgro, de fazer projeções, sua avaliação sobre o cultivo de cana até agora é positiva. Nas regiões escolhidas, a rentabilidade é superior à dos grãos. “Em termos de resultado líquido, é de 30% a 40% maior”, calcula. Além disso, com a cana a companhia diversifica portfólio e dilui riscos. A companhia tem o capital aberto na BM&FBovespa, divulga resultados amanhã e já anunciou uma oferta primária de ações.

Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o executivo conta que atualmente a companhia avalia se vale ou não a pena converter mais uma fazenda de grãos, a São Pedro, em Chapadão do Céu (GO), para cana. Nesse caso, está em jogo a recuperação das usinas sucroalcooleiras da região goiana e a consequente demanda local por cana. “Trata-se de uma fazenda pequena, de 2,4 mil hectares. Vamos decidir essa questão nos próximos meses”, diz o executivo, que também não descarta a possibilidade de vender a fazenda.

Atualmente, a companhia já é a maior fornecedora de cana-de-açúcar para as unidades da ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht, em Alto Taquari (MT) e Mineiros (GO). Foram as duas fazendas da BrasilAgro próximas às usinas que foram convertidas de gr ãos para cana há dois anos, em parceria que começou com o projeto da Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), vendida em abril de 2010 para a ETH.

Juntas, as propriedades cultivam 9,2 mil hectares de cana-de-açúcar. Todo o volume produzido é fornecido com exclusividade para as unidades da ETH, que distam de 15 a 20 quilômetros das fazendas da companhia agrícola. De forma indireta, a BrasilAgro é também acionista da ETH, pois participa com 40,64% na Green Ethanol LLC, que detém 0,046% de participação no braço sucroalcooleiro do grupo Odebrecht.

Com capital aberto desde 2006, a BrasilAgro tem em seu currículo uma façanha que poucas empresas conseguiram atingir. Quando fez sua oferta inicial de ações (IPO, sigla em inglês) na bolsa de valores São Paulo (na época, apenas Bovespa), captou R$ 550 milhões tendo apenas um plano de negócios em mãos. A companhia ainda não estava operando e não tinha geração de ca ixa, mas se beneficiou do momento de abundância de confiança e de liquidez no mercado.

Cinco anos se passaram e a BrasilAgro acumula ativos distribuídos em nove fazendas, localizadas nas fronteiras agrícolas já velhas conhecidas do país, como Mato Grosso, Bahia, Tocantins e Piauí. Juntas, elas somam uma área de 172 mil hectares, dos quais 129 mil agricultáveis.

O número supera o cronograma de expansão anunciado no prospecto inicial. Previa-se, na época, a aquisição de 112 mil hectares de terras até 2011. Do valor captado no IPO, a empresa já aplicou R$ 385 milhões, dos quais R$ 301 milhões na aquisição das terras. O restante, R$ 83,92 milhões, foi investido em infraestrutura e produção agrícola das propriedades, conta Piza. Conforme ele, ainda há em torno de R$ 165 milhões para serem investidos.

No resultado do trimestre encerrado em dezembro, o mais recente divulgado pela companhia, a BrasilAgro tinha 58,5 mil hectares de cultivos, distribuídos entre soja, mi lho, arroz, algodão, pasto e cana-de-açúcar. A companhia ainda pode dobrar, diz Piza. “Temos 60 mil hectares de áreas agricultáveis para serem transformados com produção agrícola”, afirma.

Segundo o executivo, os recursos do IPO ainda são suficientes para atender os investimentos necessários da empresa. Mas alguns agentes do mercado avaliam que a segunda grande fase de expansão da BrasilAgro ainda depende da oferta primária de ações – adiada por tempo indeterminado por causa das condições adversas do mercado.

A primeira fazenda adquirida pela empresa foi a São Pedro (GO), em setembro de 2006. Com 2.447 hectares, a área foi comprada por R$ 9,9 milhões – e, segundo avaliação da Delloite, ela vale atualmente em torno de R$ 24,19 milhões. Todas as nove propriedades da empresa, a maior parte comprada em 2007, tiveram, na média, valorização de 107%, segundo dados da própria companhia. “Ainda temos valor a agregar nas fazendas. O ciclo médio, na nossa avaliação, é de seis a sete anos”, diz Julio.

Com ações em bolsa, a BrasilAgro tem dois grandes sócios e um capital pulverizado entre centenas de acionistas diferentes. O maior é a Cresud, uma das maiores companhias agrícolas da Argentina e também com capital aberto em bolsa de valores. O outro é Ellie Horn, proprietário da construtora Cyrella e que também detém capital por meio de sua empresa, a Helmir S.A.

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