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Cana energia será a “top” do futuro

Ninguém tem dúvida de que a fibra da cana é a menina dos olhos do mundo na atualidade. Como uma “Top Model”, está sendo preparada e começará a desfilar pelos campos agrícolas em pelo menos uma década, mas mesmo no anonimato, já chama a atenção por seu fenótipo “mais fino do que o convencional”. Com essa visão, a Ufal –Universidade Federal de Alagoas através da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético – Ridesa, iniciou em 2011, estudos com dois tipos de canas com volume maior de fibra, a tipo 1 e 2. Em uma delas, os pesquisadores pretendem manter o açúcar já existente, e elevar a fibra. Em outra, a tipo 2, a ideia será baixar o índice de açúcar e aumentar o de fibra. “A primeira vai manter o índice de açúcar em torno de 12 a 15% e elevar a fibra (hoje em torno de 13%) para 18%, onde os excedentes (palha e o bagaço) serão transformados em etanol de 2ª geração através das novas tecnologias. Isso interessa as usinas já instaladas pois aumentará o rendimento das unidades e a produção de etanol, pois funcionarão como biorefinarias”, diz o pesquisador e coordenador do PMGCA – Programa de Melhoramento Genético da Ufal, Geraldo Veríssimo.

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De acordo com ele, a cana tipo 2 interessa a toda a demanda que há no mundo por biomassa para substituir as energias fósseis. “A biomassa seria transformada em briquetes e paletts utilizados na queima, para substituir óleo diesel, para uso calefação, na torrefação, em cerâmicas, para gerar energia elétrica e mecânica, para atender novos segmentos e as questões ambientais. Essa variedade terá mínimo de açúcar possível, ou seja, passará dos 15% para 6% de açúcar e em termos de fibra, passará dos 15% para 30%. Temos que reduzir a quantidade de açúcar pois encrosta as caldeiras na hora de queima. Atualmente realizamos os cruzamentos através de parcerias com empresas privadas”, lembra.

Veríssimo explica que os testes na fase inicial mostraram o fenótipo da cana. “Na fase inicial enxergamos o fenótipo ou a aparência desses tipos de cana. O diâmetro da cana com muita fibra é bem fina, parece mais um capim. A área plantada com ela apresentará mais cana por metro, quando a convencional utiliza de dez a 15 canas por metro, a nova variedade utilizará 30 canas por metro, por exemplo. A tipo 1 terá 1/3 do diâmetro da tradicional”.

O professor afirma que a cana tipo 2 é muito mais fina que a tipo 1, com 1/5 de diâmetro da atual e possui muito mais fibra.

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Cana energia da Ridesa

Três novas variedades em Alagoas: recorde de 263 ton de colmos por ha

Até o final de 2013, a Ridesa em Alagoas lançará três variedades que estão sendo desenvolvidas há mais de 15 anos. “Temos materiais com características de resistência a seca e alta produtividade. Até o final de 2013, a Ridesa irá liberar três novas variedades da série 95, 96, e 99”, explica o professor Geraldo Veríssimo, coordenador do PMGCA – Programa de Melhoramento Genético da Ufal.

Ele revela que a RB 96 1003 responde bem a irrigação e possui níveis de produtividade de 263 ton de colmos por ha (o dobro do máximo que a média comercial tem obtido no país), em 15 meses de irrigação plena, sem estresse. “O nível de açúcar atende ao que exige o mercado (15%); possui ATR de 140 kg por ton. Necessita de mais água e é ideal para níveis altos de tecnologia. É uma variedade extraordinária, no mundo não conheço nenhum relato comercial de 263 tons de colmos. Esse resultado foi obtido na condição da Bahia em irrigação plena, na Agrovale. Estamos avançando muito com essa variedade há mais de cinco anos na Bahia. Ela é totalmente resistente ao carvão e a ferrugem, e possui alta sanidade. É a mais longeira por conta da irrigação”, ressalta.

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Variedade será lançada pela Ridesa em 2013

De acordo com Veríssimo, a 95 1552 é mais rústica e tem característica que em determinados anos mais secos respondem melhor, inclusive em solos fracos. “Apresenta 140 kg de ATR por tons e 80 a 100 toneladas por ha. Já a 99 15 36 é mais rica em açúcar e tem alta produtividade, e 140 a 150 kg de ATR por tonelada de cana. Exibe uma boa produtividade em regime de sequeiro em anos normais”, declara.

O professor revela que para que a pesquisa tenha sentido, o produtor precisa adotar as novas variedades. “Mas é preciso utilizar um bom preparo de solo, adubação, suprimento de água, controle de pragas, pois não adianta deixa-la no meio do mato. A variedade é barata mas não resolve problemas dos canaviais”, finaliza.

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