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Cana-de-açúcar: Saiba tudo sobre produção de cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar é uma planta que pertence ao gênero Saccharum L.. Há pelo menos seis espécies do gênero, sendo a cana-de-açúcar cultivada um híbrido multiespecífico, recebendo a designação Saccharum spp. As espécies de cana-de-açúcar são provenientes do Sudeste Asiático. A planta é a principal matéria-prima para a fabricação do açúcar e álcool (etanol).

É uma planta da família Poaceae, representada pelo milho, sorgo, arroz e muitas outras gramas. As principais características dessa família são a forma da inflorescência (espiga), o crescimento do caule em colmos, e as folhas com lâminas de sílica em suas bordas e bainha aberta.

História

A cana-de-açúcar é uma planta proveniente do sul e sudeste asiático.2 Com a expansão muçulmana a cana foi introduzida em áreas onde não era cultivada. No continente Europeu ela foi cultivada na Espanha e posteriormente levada para as Américas durante a expansão marítima onde foi cultivada em países como Brasil, Cuba, México, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela.

No Brasil

A cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil no início do século XVI, quando foi iniciada a instalação de engenhos de açúcar, a primeira indústria implantada na nova possessão de Portugal, que em pouco tempo substituiu a indústria extrativa do pau-brasil.

Foi a base da economia do nordeste brasileiro, na época dos engenhos. A principal força de trabalho empregada foi a da mão-de-obra escravizada, primeiramente indígena e em seguida majoritariamente de origem africana, sendo utilizada até o fim do século XIX. Os regimes de trabalho eram muito forçados. Esses trabalhadores, na ocasião da colheita, chegavam a trabalhar até 18 horas diárias. Com a mudança da economia brasileira para a monocultura do café, esses trabalhadores foram deslocados gradativamente dos engenhos para as grandes fazendas cafeeiras. Com o tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência, sendo praticamente substituída pelas usinas. O termo engenho hoje em dia é usado para as propriedades que plantam cana-de-açúcar e a vendem, para ser processada nas usinas e transformada em produtos derivados.

Impactos socioambientais


Modernamente, o cultivo e corte é realizado por grandes máquinas e tratores. A prática do corte manual, precedida pelas queimadas, praticadas anteriormente ao corte para a retirada das folhas secas e que geravam reclamações de problemas respiratórios nas cidades circundadas por essa monocultura, vem sendo gradativamente abolida. O cultivo da cana-de-açúcar é geralmente feito de forma extensiva. As plantações ocupam vastas áreas contíguas, e é necessária uma grande área plantada para justificar e manter produtiva a cadeia industrial à sua volta e as usinas de açúcar e de etanol.

No estado de São Paulo (o principal estado produtor do Brasil), por exemplo, existe legislação que determina a completa substituição do corte manual pelo mecanizado até 2031(açúcar ético). Embora tenha impacto ambiental indiscutivelmente positivo, existem argumentações contra e a favor desta medida em relação aos seus impactos sociais. Por um lado, a favor, pelo fim de uma atividade de baixa remuneração que convivia com denúncias de trabalho infantil. Por outro lado, contra, pelo fato de deixar grande parte da população em penúria ainda maior, desempregada e sem meios de subsistência.

Em função do valor social e do grande potencial empregador de mão de obra desqualificada dessa indústria, alguns estados brasileiros, como o Mato Grosso por exemplo, continuam incentivando o cultivo da cana com a condição de que os investidores não adotem o processo mecanizado de corte e continuem a absorver grandes legiões de trabalhadores em suas atividades.

Processamento da cana

Antiga moenda de madeira para cana-de-açúcar em Goiás
 

A cana colhida é processada com a retirada do colmo (caule), que é esmagado, liberando o caldo que é concentrado por fervura, resultando no xarope, a partir do qual o açúcar é cristalizado, tendo como subproduto o melaço ou mel final. O colmo é, às vezes, consumido in natura(mastigado), ou então usado para fazer caldo de cana e rapadura. O caldo também pode ser utilizado na produção de etanol, através de processo fermentativo, além de bebidas como cachaça ou rum e outras bebidas alcoólicas, enquanto as fibras, principais componentes do bagaço, podem ser usadas como matéria-prima para produção de energia elétrica, através de queima e produção de vapor em caldeiras que tocam turbinas, e etanol, através de hidrólise enzimática ou por outros processos que transformam a celulose em açúcares fermentáveis.

Praticamente todos os resíduos da agroindústria canavieira são reaproveitados. A torta de filtro, formada pelo lodo advindo da clarificação do caldo e bagacilho, é muito rica em fósforo e é utilizada como adubo para a lavoura de cana-de-açúcar. A vinhaça, um subproduto da produção de álcool, contém elevados teores de potássio, água e outros nutrientes, sendo utilizada para irrigar e fertilizar o campo. Pode também ser utilizada como biomassa para produção de biogás (composto basicamente de metano e gás carbônico).

Economia

No mundo

O Brasil é, hoje, o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo.4 Seus produtos são largamente utilizados na produção de açúcar, álcool combustível e, mais recentemente, biodiesel. A cana-de-açúcar foi a base econômica de Cuba, quando tinha toda a sua produção com venda garantida para a União Soviética a preços artificialmente altos. Com o colapso do regime socialista soviético, a produção de cana cubana tornou-se inviável.

A cana-de-açúcar também é o principal produto de exportação em países do Caribe como a Jamaica, Barbados etc. Com a suspensão de preferências europeias à cana caribenha em 2008, espera-se um colapso semelhante na indústria canavieira caribenha. Vários países da África austral, principalmente a África do Sul, Moçambique e a ilha Maurício, são igualmente importantes produtores de açúcar.

Uma tonelada de cana-de-açúcar produz 80 litros de etanol, sendo que um hectare de terra produz 88 toneladas de cana-de-açúcar. No total, são produzidos 7 040 litros de etanol por hectare. A Organização das Nações Unidas relata4 que, em 2010, o valor da produção brasileira foi de aproximadamente 23 bilhões de dólares dos Estados Unidos, seguido da produção indiana, superior a 8 bilhões de dólares dos Estados Unidos.

No Brasil

O setor sucroalcooleiro brasileiro despertou o interesse de diversos países, principalmente pelo baixo custo de produção de açúcar e álcool. Este último tem sido cada vez mais importado por nações de primeiro mundo que visam a reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e a dependência de combustíveis fósseis. Todavia, o baixo custo é conseguido por vezes pelo emprego de mão de obra assalariada de baixíssima remuneração e, em alguns casos, há até seu uso com características de escravidão por dívida.5

No Brasil, a agroindústria da cana-de-açúcar tem adotado políticas de preservação ambiental que são exemplos mundiais na agricultura,[carece de fontes] embora, nessas políticas, não estejam contemplados os problemas decorrentes da expansão acelerada sobre vastas regiões e o prejuízo decorrente da substituição da agricultura variada de pequenas propriedades pela monocultura. Já existem diversas usinas brasileiras que comercializam crédito de carbono, dada sua eficiência ambiental.

As queimadas também têm diminuído devido ao aumento de denúncias e endurecimento da fiscalização, embora muitas dessas denúncias terminem sem uma penalização formal. Em cidades como Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Franca, Jaboticabal e Ituverava, as multas e advertências a usinas e produtores que queimam seus canaviais cresceram 27% em 2009 em relação a 2008, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.6

Para renovação do cultivo, algumas indústrias canavieiras fazem, a cada quatro ou cinco anos, plantios de leguminosas (soja) que recuperam o solo pela fixação de nitrogênio. Quanto aos problemas advindos da queima controlada na época do corte, existe já um movimento em direção à mecanização da colheita que aumenta de ano para ano, além de rigorosos protocolos que prevem o fim da queima até o ano de 2014.

 

No Estado de São Paulo, constituiu-se um grupo formado por representantes dos produtores de cana (representados pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil – ORPLANA) e industriais (representados pela União da Agroindústria do Açúcar e do Álcool do Estado de São Paulo – UNICA) com o objetivo de desenvolver um novo sistema para a remuneração da cana-de-açúcar, surgindo o Conselho de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool de São Paulo (CONSECANA).10 11

O modelo atual de pagamento de cana é denominado Sistema de Remuneração da Tonelada de Cana pela Qualidade/CONSECANA, e considera, para efeito de determinação do valor da tonelada da cana-de-açúcar, a quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR).10 12 13 14

O preço do quilograma do ATR é determinado (pelo CONSECANA) em função:10

  • do preço do açúcar, nos mercados interno estadual e externo;
  • do preço do álcool anidro e hidratado;
  • do “mix” de produção de cada unidade industrial (a quantidade produzida de açúcar e álcool pela unidade); e
  • da participação da matéria-prima nos custos de produção do açúcar e do álcool.

Esse sistema de remuneração vem sendo criticado pelos plantadores de cana, insatisfeitos com o preço recebido das usinas.10 Opondo-se aos plantadores, associações de indústrias sucroalcooleiras argumentam a favor da manutenção do índice.15 Não obstante, contratos de parceria entre plantadores ou parceiros proprietários (das terras), de um lado, e indústrias, de outro lado, têm sido firmados usando esse índice como fator de remuneração/pagamento, na modalidade de “parceria fixa” (vide observações ao contrato do tipo “arrendamento rural” no artigo Arrendamento) e parceria variável (vide artigo Parceria rural).12 16

Eventualmente, contratos de parceria rural têm sido firmados usando outros indicadores,16 tais como:

  • ART (Açúcar Recuperável Total);
  • álcool hidratado;
  • álcool anidro;
  • açúcar cristal.

A cana-de-açúcar não é negociada na Bolsa de Mercadorias e Futuros, mas sim seus derivados açúcar cristal, etanol anidro e etanol hidratado, este último tendo sido escolhido como uma das cinco commodities que compõem o Índice de Commodities Brasil (ICB).17

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