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Câmbio e desindustrialização

Os empresários da indústria estão se queixando de que a apreciação do real ante o dólar representa séria ameaça ao setor e que o Brasil poderá ser atingido por algo que ficou conhecido como a “doença holandesa” – quando a economia externa depende pesadamente apenas da venda de produtos primários. Um estudo realizado por André Nassif no BNDES, intitulado Há evidências de desindustrialização no Brasil?, chega à conclusão de que, até agora, isso é apenas ameaça.

O economista do BNDES, que numa tese apresentada na Universidade Federal do Rio de Janeiro já havia estudado as conseqüências da liberação do comércio sobre a política industrial, registra que as mudanças ocorridas na estrutura das exportações de manufaturados não permitem concluir que há um processo de desindustrialização em marcha, nem uma perda das exportações de manufaturados nas vendas externas.

Sua análise mostra que as exportações de produtos manufaturados baseados em recursos naturais não aumentaram muito nos últimos anos, enquanto as de alta tecnologia cresceram.

Pode-se argumentar que o estudo, abrangendo até o ano passado, não reflete a evolução dos últimos meses, quando as empresas, para manter as vendas externas, reduziram sua rentabilidade, situação que não pode perdurar mais do que alguns meses. Mas também é verdade que a apreciação do real em relação à moeda norte-americana pode oferecer vantagens para as empresas que importam muito ou que estejam endividadas em dólares.

O autor do estudo, destacando a excepcional resistência das indústrias brasileiras, mostra que, ao contrário do que se verificou no período anterior a 1990, elas preocuparam-se em fazer investimentos para melhorar sua produtividade.

Parece-nos que faltou levar em conta a queda das exportações de alguns produtos que utilizam matérias-primas brasileiras (exemplo dos têxteis e calçados) que estão entre as grandes vítimas da apreciação do real.

André Nassif reconhece que a desindustrialização possa ocorrer, mas parece menosprezar as razões principais dessa ameaça que se situam nos preços dos produtos chineses, que não nos permitem manter alguns mercados externos.

A perspectiva de uma invasão do mercado interno por veículos chineses poderá acarretar desindustrialização que já se constata no caso de algumas empresas brasileiras que foram para o exterior.

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