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Brasil terá primeiro açúcar mascavo rastreado com tecnologia blockchain

Granelli é a usina pioneira a ter licença para comercializar o produto rastreado, com selo Tecnologia Embrapa

(Divulgação Embrapa)

O setor canavieiro brasileiro se destaca na vanguarda com o uso da tecnologia blockchain. A partir de julho o mercado começará a receber o primeiro açúcar mascavo dotado de um sistema de rastreabilidade baseado em blockchain, tecnologia de ponta capaz de atestar a transparência e a integridade das informações do produto.

Por meio de um QR Code estampado na embalagem, qualquer pessoa poderá verificar as informações sobre a origem e o processo de fabricação do açúcar. O tipo mascavo é valorizado no segmento de produtos naturais e saudáveis, mas ainda sofre com casos de adulteração.

Ao longo de três anos, uma equipe de especialistas da Embrapa Agricultura Digital – SP trabalhou no desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade (Sibraar).

A tecnologia foi customizada para o açúcar mascavo e validada na  Usina Granelli, parceira no projeto-piloto. Agora, a empresa será a primeira licenciada a comercializar o produto rastreado, que vai levar o selo Tecnologia Embrapa.

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Mariana Granelli  (Divulgação Embrapa / Graziella Galinari)

O sistema foi introduzido no processo de produção neste mês de junho, dando início aos primeiros lotes com rastreabilidade via blockchain. Pelo contrato de licenciamento, uma porcentagem das vendas será revertida para a Embrapa na forma de royalties. O desenvolvimento do projeto também contou com o apoio da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana).

Um evento no dia 21 de junho na sede da Usina Granelli, em Charqueada -SP, marcou o lançamento oficial da tecnologia de rastreio do açúcar mascavo por blockchain.

A tecnologia Sibraar possibilita que os dados de fabricação do produto sejam armazenados em blocos digitais, usando a blockchain para construir uma sequência temporal e imutável dos registros e garantindo, assim, a integridade das informações geradas ao longo do processo de produção.

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O sistema da Embrapa foi concebido inicialmente para o setor sucroenergético, mas pode ser customizado também para a agroindústria vinculada a outras cadeias agrícolas, como a de grãos. Para o pesquisador Alexandre de Castro, líder do projeto, tem crescido a exigência de mercados consumidores internos e externos por alimentos mais seguros e sustentáveis.

“O Sibraar é o primeiro software para rastreabilidade registrado no mercado nacional, voltado para a agroindústria da cana-de-açúcar, resultado de uma iniciativa da Embrapa para inovação aberta com o setor produtivo”, ressalta o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira.

Toda a arquitetura do sistema de agrorrastreabilidade foi desenvolvida pela equipe da Embrapa e o armazenamento e processamento dos dados, bem como a disponibilização da informação final na internet, ocorre nos servidores da empresa seguindo protocolos de segurança.

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Questões relacionadas à originação e rastreabilidade dos produtos já estavam no radar da Usina Granelli. Segundo a diretora de projetos, Mariana Granelli, a possibilidade de incorporar uma tecnologia como blockchain foi a oportunidade de dar completa transparência e ser reconhecido pelas melhores práticas adotadas na produção.

José Valdir Granelli (Divulgação Embrapa – Graziella Galinari)

“O mercado está cada vez mais exigente, quanto mais formos transparentes nessa relação, acreditamos que melhor será a nossa reputação junto ao consumidor”, ressalta. Ela projeta para este ano um piloto de produção de quatro toneladas de mascavo com rastreabilidade. A usina também já estuda estender o uso da tecnologia para outros produtos, como o açúcar tipo demerara e destilados alcoólicos.

Fundada há 35 anos, na região do vale do rio Piracicaba, a Usina Granelli nasceu como engenho para produção industrial de cachaça, revendendo para grandes engarrafadoras do país. Nos anos 2000, a empresa passou a produzir também etanol e xarope de cana. A fabricação de açúcar é mais recente, produzindo os tipos VHP (Very High Polarization), açúcar bruto voltado para a exportação, e o demerara e mascavo.

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O açúcar mascavo com a rastreabilidade via blockchain é a aposta da empresa para entrada na venda direta ao consumidor, por meio de supermercados, lojas especializadas e plataformas de comércio eletrônico.

“Há cinco anos, a usina vem aprimorando o processo de fabricação, buscando parâmetros ideais para aceitação no mercado. O objetivo é atender um segmento de consumidores preocupado com a saudabilidade dos alimentos e disposto a remunerar um açúcar com maior valor agregado. A rastreabilidade chega neste mesmo contexto, de oferecer um alimento seguro e de qualidade”, afirma Granelli.

O projeto teve origem a partir da cooperação técnica estabelecida em 2019 entre a Embrapa Agricultura Digital e a Coplacana, à qual a Usina Granelli é associada, que prevê ainda a geração de outros ativos e soluções tecnológicas baseadas em inteligência artificial e sensoriamento remoto.

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Usina Granelli (Foto divulgação/ Paulo Altafin)

Há mais de três anos, a Coplacana vem buscando acelerar e dar mais foco à pauta de inovação, promovendo a aproximação do setor produtivo com startups e instituições de pesquisa, como a Embrapa. “Conseguimos trazer a Embrapa, com a sua expertise, e o nosso cooperado, que tem essa visão de acesso a novos nichos de mercado, e juntos estamos viabilizando um açúcar mascavo rastreado com blockchain que é inovador no Brasil”, afirma o diretor de negócios da cooperativa, Roberto Rossi.

“Com essas ferramentas, é possível satisfazer todos os tipos de consumidores. Tecnologia, produtividade, aumento de renda, acesso a novos mercados são marcos importantes e é esse futuro que se acelera, no qual a informação sobre o alimento será cada vez mais fundamental na tomada de decisão do consumidor”, completa.

 

 

 

 

 

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