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Brasil: de celeiro a supermercado do mundo

Crescimento da população está relacionado ao consumo de açúcar

Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), João Dornellas, “o Brasil tem potencial para além de celeiro do mundo, ser o grande supermercado do mundo, e isso significa fabricar e processar aqui, para gerar renda, emprego e impostos localmente”. A afirmação foi feita durante reunião virtual com membros do Conselho do Agronegócio (Cosag) da Fiesp e os consultores Felipe Boaretto e Mikael Djanian, da McKinsey & Company, para discutir os desafios da indústria de alimentos e as tendências mundiais de alimentação.

Os números da indústria de alimentos e bebidas são expressivos: quase 60% de toda a produção agropecuária é processada por ela que também é a maior geradora de empregos no país. No total, existem 37,7 mil empresas do setor, responsáveis por 1,68 milhão de postos de trabalho diretos e formais, isto é, 24,2% dos empregos da indústria de transformação brasileira.

Atualmente, exportamos para 190 países, com destaque especial para as nações asiáticas, árabes e europeias, responsáveis por 45,7%, 16,2% e 13,8%, respectivamente. O setor é responsável por 18,2% das exportações totais brasileiras e 10,6% do PIB.

Informações nutricionais

Seguindo uma tendência mundial de informação e transparência, mais de 20 associações, que representam mais de duas mil indústrias, vêm trabalhando para aplicar a rotulagem nutricional frontal em seus alimentos. A expectativa é que a partir de 2022 os consumidores encontrem um novo modelo de rotulagem nutricional de alimentos e bebidas nos produtos vendidos nas gôndolas dos supermercados. Ganharão destaque informações sobre três macronutrientes que precisam ser consumidos com moderação e equilíbrio: sódio, açúcar e gorduras saturadas.

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Para Dornellas, tão importante quanto esclarecer as informações nutricionais dos alimentos é desmistificar os supostos danos provocados pelo consumo dos alimentados processados. A indústria costuma ser vilanizada pelo processamento dos alimentos, mas poucos sabem que o grau de processamento dos alimentos não define qualidade nutricional, conforme explicou.

A vez das proteínas

(divulgação Porto do Recife)

Algumas tendências mundiais vêm sendo observadas pelos consultores Felipe Boaretto e Mikael Djanian, da McKinsey & Company. O ciclo da proteína e o consumo de proteínas alternativas, por exemplo, são a nova onda. “Observamos que a renda tem influência sobre o consumo per capita de proteína, assim como o crescimento da população está relacionado ao consumo de açúcar”, disse Boaretto.

Nos últimos anos, observamos também aumento da variedade de alimentos ricos em proteína. Desde 2018, houve crescimento de 76% no volume de iogurtes ricos em proteínas disponíveis nas prateleiras e de 88% nos valores arrecadados. Com a evolução no número de flexiterianos [semivegetarianos] e vegetarianos e o desenvolvimento de novas tecnologias, proteínas alternativas, com sabor e textura mais sofisticados, se difundiram largamente e podem levar a uma disrupção no mercado.

Além de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), a preocupação com a rastreabilidade dos alimentos também tem estado em voga. “Os clientes de hoje querem saber a origem dos produtos que estão consumindo, conhecer as condições de trabalho da mão de obra por trás daquela mercadoria e se assegurar de que ela não foi testada em animais”, explicou Boaretto.

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Nesse meio tempo, novos produtos e serviços alinhados a diferentes segmentos da indústria vêm se destacando. O mercado de biológicos e a evolução das chamadas AgTechs, empresas que promovem inovações no setor do agronegócio, por meio de novas tecnologias aplicadas ao campo, merecem especial atenção.

O mercado de biológicos ainda é pequeno no Brasil, mas está em forte expansão. A expectativa é que ele atinja entre US$ 1,3 e US$ 2,1 bilhões até 2025. Já as AgTechs brasileiras cresceram 7 vezes nos últimos cinco anos e estão ajudando o agronegócio a resolver problemas importantes referentes à fertilização, agricultura de precisão, crédito e produção de alimentos. “Por último, destacamos o ciclo das commodities e a alta dos processos e a explosão digital”, disse Mikael Djanian.

No campo digital, os brasileiros estão à frente de seus pares americanos e europeus, sobretudo na preferência por canais on-line para compras agrícolas. Nossos agricultores aumentaram a participação dos gastos com compras on-line em 8 pontos percentuais desde o início da pandemia, passando de 21% para 29%.

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