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Boom do álcool dobra valor de terra e usina

Participação do investimento estrangeiro no setor sobe e atinge 6,3%; em cinco anos, deve somar 9,6%, segundo estimativa de usineiros

A explosão no interesse pelo álcool nos últimos anos provocou uma valorização geral em tudo que se relaciona ao setor sucroalcooleiro: terras, o valor das próprias usinas e os equipamentos para novas unidades.

Há três anos, o investidor interessado em comprar uma usina pronta pagaria o correspondente ao faturamento anual da empresa. Hoje, a negociação não sai por menos de dois faturamentos.

Esses valores estão elevados porque a entrada em operação de uma usina nova demora de três a quatro anos, e muitos investidores querem aproveitar as oportunidades do momento. Por isso, pagam caro.

Esses holofotes voltados sobre o álcool fizeram crescer as empresas nacionais, atrair capital estrangeiro e despertar até o interesse de outros setores da economia para a cana-de-açúcar.

Essa recuperação, que vem ocorrendo nos últimos anos, devolveu vida ao setor, que passou por maus momentos na virada da década, quando muitas empresas apresentaram sérios problemas financeiros.

Investimento externo

A forte demanda mundial pelo álcool está trazendo o capital estrangeiro, que detém o controle de 18 usinas, com capacidade de moagem de 28 milhões de toneladas por safra. Esse volume representa 6,3% do total do país.

Com esse apetite dos investidores externos, “daqui a cinco anos 9,6% da moagem estará nas mãos de estrangeiros, o que vai corresponder ao processamento de 70 milhões de toneladas”, diz Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Eles vão ter 27 unidades.

Além do capital estrangeiro, o setor atrai também grupos nacionais. Esses investimentos vêm das próprias empresas já pertencentes ao setor, de distribuidoras independentes de combustíveis, da construção civil e da pecuária.

No caso das distribuidoras, as independentes já dominam dez unidades de produção. Já a pecuária entra no setor fornecendo terras para o plantio de cana.

Inflação da terra

O imenso canavial que se tornou São Paulo -o Estado detém 62% da produção de cana-de-açúcar do país- inflacionou o valor das terras, principalmente as próximas às usinas.

Essa pressão da cana está elevando o custo de produção de outros setores, como o de grãos e até da pecuária. Os dois últimos passaram a disputar as terras com o setor sucroalcooleiro, bastante capitalizado.

Em algumas áreas do Estado, as terras apropriadas para o plantio de cana-de-açúcar custam hoje duas vezes o valor que custavam em 2002.

Jacqueline Dettmann Bierhals, do Instituto FNP, diz que “a cana avança sobre as áreas de grãos, laranja e pastagem”. Citando dados do “Relatório Bimestral do Mercado de Terras”, do IFNP, ela diz que, “em algumas regiões paulistas, a terra para cana já atinge R$ 21 mil por hectare”.

A demanda por terra para cana ocorreu em um momento em que tanto o setor de grãos como o de pecuária perderam força. As terras para grãos subiram 244% do início de 2002 a agosto de 2004 em Presidente Prudente (SP), por exemplo, mas, com a queda das commodities, recuaram 29% daquela época até fevereiro, conforme dados do Instituto FNP.

A área de pastagem, que já havia perdido espaço para a soja até 2004, agora perde para a cana. A valorização nos últimos cinco anos foi de 66%.

Arrendamento

Pádua Rodrigues diz que realmente há aumento nos preços da terra, mas que as compras são poucas. As usinas preferem montar sociedades com proprietários de terra ou fazer arrendamentos.

José Urbano Cavalini, produtor de Riolândia, noroeste de São Paulo, desistiu do plantio de grãos e arrendou parte de suas terras para uma usina de açúcar e álcool.

“Estava cansado de chegar ao final do ano e apenas ver o acúmulo de dívidas. Agora, com o arrendamento da terra, consigo remuneração melhor.” Por um contrato inicial de seis anos, o produtor recebe o correspondente a 45 toneladas de cana-de-açúcar por alqueire.

A demanda por área de cana é tão grande que os contratos mais recentes, como os de Cavalini, já são feitos em patamares bem mais elevados do que os de há dois ou três anos.

Dos 3,67 milhões de hectares de cana cultivados em São Paulo, 1 milhão pertence às próprias usinas. Outro 1 milhão é de fundos de produtores agrícolas (pessoas físicas) e 1,6 milhão refere-se a parcerias ou arrendamentos (fornecedores de cana e usinas).

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