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Biocombustíveis à espera de marco regulatório

Brasil tenta, desde os anos 70, empurrado pela crise do petróleo, ficar menos dependente de combustíveis fósseis e chega a esta Semana do Meio Ambiente bem posicionamento em relação a uma matriz energética mais limpa. O País diversificou suas fontes de combustíveis e conta com oferta sólida de etanol, 90% menos poluente do que a gasolina. A produção estimada para a próxima safra da cana-de-açúcar é de 25,5 bilhões de litros de etanol, com consumo estimado de 24 bilhões de litros, segundo dados da União da Indústria da CanadeAçúcar (Unica).

O biodiesel – combustível natural derivado de plantas ou gordura animal –, por sua vez, foi inserido no contexto energético brasileiro há oito anos, e está assegurado como energia do futuro a partir da obrigatoriedade da mistura de 5% ao diesel convencional. O produto, entretanto, depende de outro marco regulatório do setor, que deve ser lançado ano que vem.

De acordo com a Br asil Ecodiesel, é necessário um período de amadurecimento e formação da cadeia produtiva, além do aumento da participação do biodiesel na mistura, para conceder segurança jurídica para mais investimentos no setor.

Segundo a companhia, a mudança na matriz energética melhora o saldo da balança comercial, porque o País é importador de petróleo, e reduz a incidência de doenças pulmonares, causadas pelo excesso de enxofre presente nos combustíveis fósseis.

Além disso, a alteração contribui para a melhor distribuição de renda, pois emprega mãodeobra na indústria agrícula, na zona rural do Brasil, e favorece a industrialização, uma vez que diminui a exportação de grãos in natura.

O presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rosseto, concorda com os benefícios mencionados pela Brasil Ecodiesel.

“Os biocombustíveis participam de forma expressiva e crescente da estrutura energética do País. Sua produção traz impacto no uso da terra e da água, nas relações de trabalho e geração de renda, e reduz a emissão dos gases do efeito estufa”, comenta o executivo.

Segundo ele, o País está em posição de destaque na produção de biodiesel e etanol, e deve discutir, este ano, temas importantes presentes nas novas regras do setor: a garantia do abastecimento e a sustentabilidade da produção. De fato, a década encerrada no ano passado consolidou o Brasil como a nação com maior participação de combustíveis renováveis em sua matriz energética veicular, segundo o Relatório Anual da Revenda de Combustíveis 2011, produzido pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis).

ETANOL. Apesar de ter boas perspectivas para setor sucroalcooleiro, o representante da Unica em Ribeirão Preto (SP), Sérgio Prado, é categórico ao afirmar que é preciso retomar o ritmo de investimentos. De acordo com ele, o segmento apresentava ciclo crescente de aportes até 2008, q uando teve início a crise econômica que afetou diretamente a produção de cana-de-açúcar. “A cadeia recebeu aproximadamente US$ 20 bilhões em recursos de 2004 a 2008, tínhamos novas usinas sendo inauguradas anualmente”, lembra Prado.

A falta de recursos que seguiu a crise de 2008 deixou de gerar 11 bilhões de litros de etanol em termos de capacidade produtiva agrícola, segundo informou o representante, o que equivale a quase meio ano de consumo. A média de utilização mensal é de 2 bilhões de litros do produto. As chuvas de 2009, e a seca em 2010, por sua vez, geraram perdas de 5 bilhões de litros de álcool. Prado afirma que o setor precisa de investimentos de US$ 80 bilhões ao longo desta década para suprir as necessidades dos mercados de açúcar, etanol e energia.

O carro flexfuel – que pode ser abastecido com etanol ou gasolina – lançado em 2003, incentivou a produção do combustível, e corresponde, hoje, a 45% da frota de carros leves brasileiros, de acordo com a Asso ciação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea). O relatório da Fecombustíveis diz que a frota cresceu mais de 100% nos últimos cinco anos, e superou, no ano passado, a marca de dez milhões de unidades, enquanto o consumo de etanol hidratado (utilizado para abastecer esse modelo) aumentou 330% de 2001 a 2010.

Prado ressalta, entretanto, que o consumo de carros bicombustível ocorreu em velocidade muito superior à oferta de álcool.

“Temos mercado e o que se pode esperar é que o investimento volte, principalmente porque a resposta à entrada de recursos no setor não é imediata, por causa do ciclo da cultura”, explica o representante da Unica.

Segundo ele, a plantação de cana-de-açúcar demora 18 meses para produzir o primeiro corte, e um ano para permitir as demais colheitas. No caso de uma nova usina para a produção do etanol e açúcar, o tempo de entrada em operação varia de três a quatro anos.

Segundo o diretor da Bioagência, Tarcilo Ricardo Rodrigues, a cana-de-açúcar, matéria prima do etanol, apresenta riscos por ser um produto agrícola, o que desestimula investidores em potencial. (E.S.)

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