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Barreira à vista para as exportações de açúcar

Ao mesmo tempo em que o Brasil assume a liderança no combate ao protecionismo europeu ao açúcar, o país poderá ter seu avanço comprometido por novas barreiras, as não-tarifárias, impostas, sobretudo pela União Européia e pelos Estados Unidos. “Países europeus e os americanos podem se focar na rastreabilidade do açúcar”, afirmou Farideh Bromfield, diretora da ED&F Man, sediada em Londres.A rastreabilidade é assunto ainda pouco conhecido por muitos países, disse Farideh, que participou do encontro com tradings e empresários do setor promovido, na sexta-feira, pela Hencorp Commcor.

Segundo ela, no médio e longo prazo, esse mecanismo poderá ser adotado por como mais uma forma de obstáculo no mercado mundial. “É a primeira vez que ouço uma colocação como essa para o açúcar”, disse Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União das Agroindústrias Canavieiras do Estado de São Paulo (Unica). “Há menos que haja uma decisiva abertura de mercado para o açúcar na Europa e nos EUA, essa questão ainda não tem a menor relevância para o setor”, afirmou.Mas a barreira não deverá ser ignorada.

Carvalho disse que o assunto deverá ser discutido pelo setor sucroalcooleiro.Assim como começa a ser exigido para as carnes e o grão transgênico, o açúcar poderá ser rastreado desde sua origem. “Já temos hoje as imposições tarifárias declaradas para o açúcar. Pouca coisa muda para o Brasil se houver uma nova modalidade de barreira, mesmo as não- tarifárias”, acrescentou Júlio Maria Martins Borges, diretor da Job Economia e Planejamento. “Não há o que temer em uma eventual rastreabilidade no setor sucroalcooleiro, temos um controle rigoroso nas usinas”, afirmou Carmem Ruete de Oliveira, presidente do Sugar Club, entidade que organiza o Sugar Dinner no Brasil.Farideh também disse que o Brasil precisa trabalhar melhor seus estoques de açúcar, referindo-se à maior oferta do país neste ano, com uma safra recorde.

A previsão da EDF & Man é de estoque final de 2 milhões de toneladas contra 500 mil toneladas divulgadas por Luiz Carlos Carvalho, da consultoria Canaplan e presidente da Câmara Setorial de Açúcar e Álcool..Segundo John Claude Zarb, diretor da Hencorp Commcor, os preços atuais na bolsa de Nova York, entre 5 e 6 centavos de dólar por libra-peso, ainda dá vantagem para o Brasil, mas desencoraja outros países menos competitivos.

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