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Bancos cortejam setor sucroalcooleiro

Instituições já começam a oferecer crédito para financiar usinas de álcool e açúcar. As instituições financeiras estão olhando com mais carinho o setor sucroalcooleiro como forma de mitigar o risco das carteiras de crédito para o agronegócio, muito concentradas em esmagadoras e tradings que atuam na soja.

As usinas de açúcar e álcool, que há três anos sequer conseguiam obter pré-financiamento à exportação diretamente nos bancos, agora contam com oferta farta de crédito e prazos de pagamento mais alongados. Por pré-financiamento entende-se operação de pré-pagamento, Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC), Adiantamentos de Cambiais Entregues (ACE) e operações estruturadas.

“A cana-de-açúcar é a bola da vez não só entre os produtores, mas também entre as instituições financeiras”, afirma Martin Schmitz, diretor de agribusiness do alemão Banco WestLB do Brasil.

Há três anos, os bancos não se sentiam confortáveis em emprestar para as usinas. A maioria das operações de pré-finaciamento à exportação era feita por trading companies. “O setor sucroalcooleiro amadureceu e se modernizou. As indústrias se profissionalizaram. Por isso, hoje são muitas as instituições financeiras que querem operar diretamente com as usinas”, diz Schmitz, que participou ontem, em São Paulo, do seminário Financiamento da Cadeia de Suprimentos de Commodities Agrícolas, organizado pelo Internacional Business Communications (IBC).

O bom momento do açúcar e do álcool se reflete nos prazos das linhas oferecidas ao setor. Antes, o prazo máximo era de três anos. Desde o ano passado os prazos foram se alongando e já há empréstimos com até sete anos para pagamento.

Atuar nesse setor abre a possibilidade de oferecer linhas de investimento na cogeração de energia a partir do bagaço de cana. “Qual instituição financeira que não gostaria de estar associada ao projeto de biomassa ou energia limpa?”, diz Schmitz.

“O fato de a cana estar no centro das atenções não significa que vamos cortar crédito para outros setores, como a soja. Estamos, de maneira geral, mantendo o crédito para o agronegócio”, diz Carlos Augusto Costa, da divisão Global Commodity Finance do ABN Amro Bank. Ele lembrou que, no caso da soja, a tendência é de que as linhas de investimento sejam reduzidas por falta de demanda. “Mas as linhas de pré-financiamento à exportação continuam ativas”.

Costa não informou o tamanho das operações de pré-financiamento à exportação do banco, mas estima-se que cerca de 60% da exportação brasileira de soja, estimada em US$ 9,5 bilhão, é garantida por operações de pré-financiamento bancário. O executivo diz que os bancos estão mais rigorosos na análise das empresas. “Os clientes mais antigos não devem ser prejudicados. Mas os novos poderão ter dificuldades em obter financiamento”.

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