Arnaldo Jardim, relator do projeto de lei (Foto: Mario Agra - Câmara dos Deputados)
Arnaldo Jardim, relator do projeto de lei (Foto: Mario Agra - Câmara dos Deputados)

Agora é oficial: este é meu último ano como deputado federal. E a pergunta vem naturalmente: o que vem depois disso?

Eu sempre fui político e continuarei sendo, mas não pelo cargo – e sim pela mentalidade. Política, para mim, sempre foi a arte de organizar soluções coletivas.

Essa forma de enxergar o mundo não se aposenta com o mandato.

Foram mais de 40 anos de vida pública lidando com temas que hoje estão na pauta de qualquer conselho de administração: energia, infraestrutura, agro, mercado de capitais, sustentabilidade, inovação regulatória.

Na prática, isso se traduziu em experiências muito concretas:

● relatoria da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que mudou a forma de tratar lixo, reciclagem e responsabilidade de empresas e governos;

● Lei do CombustíveldoFuturo e marco do Hidrogênio de Baixa Emissão, que reposicionam o Brasil na transição energética;

● Lei dos FIAGROs, conectando a poupança de milhões de brasileiros ao financiamento do agro,

● e, agora, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que pode definir o lugar do país na nova economia verde e digital.

Em todas essas agendas, o desafio foi o mesmo: ouvir setores com interesses distintos, entender as dores de quem produz, construir convergências e transformar tudo isso em política pública séria, previsível e exequível.

É exatamente essa combinação que pretendo levar com mais intensidade para o mundo empresarial no próximo ciclo: um “legislador-conselheiro” que conhece por dentro o processo político, sabe ler cenário, separa ruído de sinal e ajuda empresas, cooperativas, investidores e organizações a tomarem decisões melhores em ambientes regulatórios complexos.

Isso pode significar, por exemplo: explicar para um conselho o impacto real de um novo marco legal, ajudar a qualificar o diálogo com governo e reguladores, apontar riscos institucionais que não aparecem na planilha e identificar oportunidades em agendas como energia, crédito verde, infraestrutura, agro e minerais críticos.

Se o mandato está chegando ao fim, a missão de construir pontes está só mudando de lugar.

Por isso, quero ouvir você que lidera negócios, conselhos, cooperativas ou startups: em que temas regulatórios e/ou institucionais você sente hoje mais insegurança – e que tipo de ponte entre política e mundo corporativo faria diferença na sua tomada de decisão para os próximos anos?

Arnaldo Jardim Deputado

Deputado federal, foi relator da Lei do Combustível do Futuro; é presidente da Comissão Especial de Transição Energética e Produção de Hidrogênio e vice-presidente da FPA

Deputado federal, foi relator da Lei do Combustível do Futuro; é presidente da Comissão Especial de Transição Energética e Produção de Hidrogênio e vice-presidente da FPA