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Artigo: A deteriorada é nossa

A Petrobrás divulgou na terça-feira resultados algo melhores do que os esperados. Eles, no entanto, continuam refletindo as enormes distorções da grande barbeiragem da política econômica conduzida pelo governo Dilma.

O achatamento dos preços dos derivados de petróleo, especialmente da gasolina e do óleo diesel, a fim de conter a inflação, segue corroendo tanto o caixa da Petrobrás quanto sua capacidade de investimento.

Apesar dos reajustes de preços adotados a partir de 30 de novembro, os atrasos em relação à paridade internacional continuam em cerca de 17% para a gasolina e de 16% para o óleo diesel, e tanto maiores serão quanto mais avançarem as cotações do dólar no câmbio interno.

O consumo de derivados em 2013 se aproximou dos 2,9 milhões de barris diários. Enquanto isso, a produção (óleo mais gás) foi de 2,3 milhões. A diferença está sendo importada. A Petrobrás vem sendo obrigada a subsidiar essa parte da conta que caberia ao consumidor.

Essa política não produz apenas estragos sobre a capacidade de geração de recursos da Petrobrás. Deteriora perigosamente sua capacidade de endividamento, atrasa a construção de refinarias e afasta novos sócios, que não têm interesse em despejar bilhões de dólares em unidades de produção de derivados cujos preços seguirão achatados. Além disso, por praticar dumping na área dos biocombustíveis, essa política derruba o desempenho dos setores do açúcar e do álcool, até agora dos mais promissores da economia brasileira. Outro estrago produzido por essa política populista de preços é a derrubada da arrecadação de impostos tanto do governo federal (por zeragem da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Cide) como dos Estados (ICMS).

A Petrobrás tenta compensar com um pouco mais de eficiência operacional na produção de petróleo bruto (no pré-sal), no desempenho das refinarias e em desinvestimento. Apesar das declarações em contrário, não dá para assegurar que a distorção esteja sendo corrigida.

As projeções sobre produção e faturamento têm sido sistematicamente irrealistas e não será a partir de agora que se pode esperar por resultados melhores. Uma das variáveis-chave do desempenho da Petrobrás é o comportamento do câmbio. É com base nele que a empresa vai medir em reais sua dívida em moeda estrangeira, pagar suas importações e faturar o petróleo exportado. E, no entanto, a Petrobrás vai trabalhando com uma cotação média do dólar em 2014 fortemente rebaixada (algo entre R$ 2,24 e R$ 1,92). São números fortemente destoantes. O Banco Central, por exemplo, definiu sua política de juros básicos (Selic) em janeiro pressupondo a “manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,40”. O mercado auscultado pela Pesquisa Focus do Banco Central projeta média anual de R$ 2,45 e R$ 2,50 ao final de 2014. Por aí se vê que importantes projeções de desempenho da Petrobrás em 2014 parecem prejudicadas.

Se o governo Dilma está determinado a recuperar a confiança na sua política econômica, não pode permitir que o valor da Petrobrás continue a se deteriorar tão fortemente.

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