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ANP vai investigar conivência de postos

A Agência Nacional de Petróleo quer saber se os estabelecimentos comerciais têm alguma ligação com o esquema de adulteração de gasolina, em Suape, descoberto pela Polícia Civil na terça-feira

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai investigar se a quadrilha de roubo e adulteração de gasolina com água do mar, desmascarada pela Polícia Civil na última terça-feira, possui ligações com o mercado formal de combustíveis em Pernambuco. O coordenador regional no Nordeste, Francisco Castro Neves, irá solicitar cópias dos autos ao delegado da Várzea, Frederico Bezerra Cavalcanti, e acompanhar o andamento do inquérito. “Precisamos saber qual a relação desses pequenos contraventores com as revendas legalizadas do Estado”, afirmou.

Ontem, segundo dia de investigações, foram divulgadas novas informações sobre o caso. Está cada vez mais evidente a participação no esquema dos motoristas dos caminhões que transportavam a gasolina das distribuidoras para os postos de combustíveis.

Segundo a Polícia, eles são os responsáveis por desviar o produto, muitas vezes ainda dentro do Complexo Industrial e Portuário de Suape. Retiram pequenas quantidades, geralmente entre 20 e 50 litros de um volume total transportado que varia de 10 mil a 15 mil litros (veja o passo a passo na arte ao lado). Depois do desvio e da adulteração, os motoristas seguiam para postos de Pernambuco, da Paraíba e de Alagoas.

Ontem, um dos seis presos foi liberado. Wellington José da Silva é filho do principal suspeito de ser o receptador dos 380 litros de gasolina apreendidos. Mas de acordo com o comissário da Várzea, Walter Mafra, após novas ouvidas, não havia indícios de sua participação no esquema. Já seu pai foi intimado a depor na próxima segunda-feira, dia 8. Há ainda a informação que existe outro comprador, no município de Escada, Zona da Mata Sul. Os outros ! cinco acusados, todos réus primários, seguiram para o Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel).

O motivo para os motoristas usarem água do mar ainda é desconhecido. O delegado Bezerra Cavalcanti afirmou que, segundo os depoimentos dos acusados, trata-se de uma questão de acesso fácil ao produto, pois o crime costuma ocorrer ao longo do Litoral Sul. O coordenador do laboratório de combustíveis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luiz Stragevitch, disse que essa foi a primeira vez que ocorreu uma adulteração desse tipo no Estado. “Estou surpreso. Realizamos testes mensais de qualidade em amostras de combustíveis vendidos em Pernambuco e nunca constatamos presença de água do mar”. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Frederico Aguiar, explicou que os desvios de gasolina no entorno de Suape são conhecidos. E que dificilmente a fraude ocorre em caminhões das grandes distribuidoras.

“Elas têm um sistema rigoroso de controle de qualidade. Acontece que muitos postos possuem seus próprios veículos ou fazem o transporte de mercadorias por motoristas terceirizados. Nesses casos, as chances de acontecerem o roubo e a fraude são maiores. Só não consigo entender o porque de colocar água do mar”, declarou. Os postos são obrigados pela ANP a realizarem a checagem de volume e qualidade quando o carregamento chega no estabelecimento. Uma das explicações para não ter sido detectada a água do mar até hoje é o fato dela ser adicionada em quantidades pequenas. Cinquenta litros, por exemplo, correspondem a apenas 0,33% de um caminhão de 15 mil litros.

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