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Aneel eleva taxa de retorno e deve atrair projetos de fontes alternativas

Os preços-teto aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o leilão de fontes alternativas de energia deste ano, marcado para 27 de abril, animaram investidores e analistas do setor elétrico. Na avaliação deles, os valores sinalizam uma melhoria da taxa de rentabilidade dos projetos e indica que os preços para o próximo leilão A-5, que devem ser divulgados pela autarquia até segunda-feira, também serão atrativos.

Fachada_da_ANEELPara o banco J.P. Morgan, os valores máximos de R$ 179 por megawatt-hora (MWh) para energia eólica e de R$ 215/MWh para energia de térmicas a biomassa no próximo leilão de fontes alternativas indicam uma retomada considerável da taxa de retorno para novos projetos. “De acordo com a nossa avaliação, o novo preço-teto fornecerá uma TIR [taxa interna de retorno] de 12,4% para os novos projetos, em média”, afirmam os analistas Marcos Severine, Henrique Peretti e Carolina Yamaguchi, em relatório do banco americano distribuído a clientes.

Os cálculos do J.P. Morgan já assumem uma menor participação do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na estrutura financeira do projeto, que pode ser substituído por debêntures de infraestrutura. As contas também incluem um aumento do investimento para cerca de R$ 5,1 mil por quilowatt instalado, como reflexo da crise das construtoras brasileiras, devido às investigações da operação “Lava-Jato”, da Polícia Federal, e da desvalorização cambial, que já acumula perda de aproximadamente 30% este ano.

No leilão de fontes alternativas, serão negociados contratos com 20 anos de duração. No caso das usinas a biomassa, o período de entrega começa em janeiro de 2016. Para as eólicas, o início de fornecimento é janeiro de 2017.

Para o J.P. Morgan, os preços máximos mais elevados vão atrair investidores qualificados do setor elétrico que estavam de fora dos últimos leilões, como a CPFL Renováveis. O banco também avalia que podem participar do leilão a Tractebel Energia, a Copel e a Renova Energia, braço de investimentos da Cemig e da Light em energias renováveis.

Os preços definidos para o leilão de fontes alternativas também animaram os investidores em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que esperam que a Aneel defina preço-teto superior a R$ 200 por MWh para projetos do tipo para o leilão A-5, marcado para 30 de abril e que negociará contratos para início de fornecimento em 2020.

“Se podemos pagar mais de R$ 200 [por megawatt-hora] para térmicas a biomassa, poderia se pagar esses preços para PCHs”, disse o presidente executivo da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), que representa o segmento das pequenas usinas, Charles Lenzi. “A expectativa que temos é com relação à sinalização adequada do preço-teto para PCHs. O preço-teto não pode ser um inibidor, mas um estímulo para que haja mais competição”, completou.

Para o próximo leilão A-5, há 27 projetos de PCHs inscritos, totalizando 477 megawatts (MW) de capacidade instalada. Ao todo, o leilão tem 91 empreendimentos cadastrados, com uma oferta de 19.826 MW.

Lenzi também elogiou a recente reestruturação interna da Aneel, que simplificou a agilizou a tramitação de projetos de PCHS na agência. “Antes, a Aneel só analisava projetos com licenciamento ambiental. Agora mudou. O objetivo é dar maior celeridade no trâmite do projeto. Isso agiliza e tem impacto direto na questão do custo do projeto”, disse.

De acordo com a Abragel, há 652 projetos de PCHs em trâmite na agência, com 4.771 MW. Existem outros 146 projetos em fase de elaboração, somando 1.698 MW, e 171 PCHs autorizadas, mas que ainda não entraram em operação, totalizando 2.456 MW.

(Fonte: Valor Econômico)

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