Ricardo Junqueira avalia impactos da crise na China nas usinas de açúcar

A crise econômica registrada na China causa efeitos negativos no mercado mundial de açúcar, que já está ruim com cinco anos seguidos de superávit de produção.

A avaliação é do empresário Ricardo Junqueira, diretor executivo (CEO) da Usina Diana, de Avanhandava (SP). Na entrevista a seguir, ele comenta sobre mais esse problema para o setor sucroenergético, sobre a safra 2015/16 da Diana e faz previsões (otimistas) para o setor. 

Quais os efeitos da crise na China para o setor sucroenergético brasileiro?

Ricardo Junqueira – É muito complicado para a gente, porque os chineses são grandes importadores de açúcar. E hoje diminuíram a produção local do alimento em 2 a 3 milhões de toneladas. A produção chinesa de açúcar é em torno de 10 milhões de toneladas de açúcar por ano.

E a subida do dólar, favorece o setor?

Ricardo Junqueira – A médio prazo, o fortalecimento da moeda americana pode ser benéfico para a gente, porque você melhora o preço do açúcar, desde que a tela [na bolsa de Nova York] se mantenha estável, e não baixe ainda mais. Conforme o dólar se valoriza, a tela está baixando. Essa co-relação do dólar forte e real fraco e da tela em baixa, isso tem que acabar porque o que deve mandar na diretriz do preço do açúcar é a relação produção e a demanda, o consumo. E não a relação de moedas.

O estoque mundial de açúcar tende mesmo a cair, após cinco anos de alta?

Ricardo Junqueira – Tenho certeza que sim. A partir de outubro deste ano, quando termina a safra 2015 deles, começará a haver um equilíbrio entre produção e consumo. O consumo tem crescimento entre 2% a 3% todo ano, que dá cerca de 3 milhões de toneladas. Isso começa a consumir o estoque existente e irá melhorar um pouco a relação de preço.

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E quanto ao etanol?

Ricardo Junqueira – O consumo está muito firme, ficando em 1,5 bilhão de litros em agosto deste ano. É bom. Eu vejo com otimismo o futuro do setor. Ainda temos esse ano muito difícil, e 2016 também difícil, mas vejo o setor com otimismo a partir de 2017. 

Junqueira, da Usina Diana: otimismo no setor a partir de 2017

Como esse otimismo se reflete na Usina Diana?

Ricardo Junqueira – De 2010 para 2015 nós dobramos a capacidade de moagem, em 2,5 vezes a capacidade de produção de açúcar. Mas pretendo tirar o máximo possível dessa situação, o máximo de produtividade do 1,5 milhão de toneladas, que é nossa moagem.

Qual é o perfil da cana processada pela Diana?

Ricardo Junqueira – 65% próprios e 35% de parceiros. Dá 1 milhão de toneladas da usina.

Como está o ATR na safra em andamento?

Ricardo Junqueira – Não está legal. Está em torno de 130 quilos de ATR por tonelada. Já o TCH está maravilhoso: 92 toneladas de cana por hectare. Então uma coisa compensa a outra. Está equilibrado. Se o mercado realmente se mostrar promissor, a gente tem capacidade de chegar a até 2,5 milhões de toneladas de moagem. Paulatinamente iremos nesse caminho.

E a cogeração?

Ricardo Junqueira – Temos para consumo próprio. Tenho um projeto. E do couro sai a correia. Nosso projeto é para exportar 8 megawatts (MW). E com essa potência se consegue fazer ligação em 13,6, em linha rural, um investimento mais em conta.

Mas não é para já?

Ricardo Junqueira – Não. Tem que sobrar dinheiro para a gente fazer.

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