Reeleita, presidente Dilma deve melhorar o diálogo, diz setor produtivo

Melhorar a interlocução com todos os setores da sociedade, principalmente com as indústrias. Ouvir mais, dialogar melhor e atender as reivindicações de quem produz.

Essa é a postura que a presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita neste domingo (26), deve adotar no segundo mandato, de acordo com representantes de instituições ligadas aos principais setores econômicos da região.

A presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Elizabeth Farina, afirmou que o setor espera desempenhar um papel de maior importância na política energética do país nos próximos anos.

“O setor precisa de mais segurança, de previsibilidade. O etanol deve ser considerado não só um combustível complementar, mas que traz melhorias ambientais e de saúde pública”, disse.

Ela afirmou também que a energia a partir da biomassa da cana deve ser mais valorizada, o que não ocorre hoje em dia.

Para o presidente do Ceise-BR (Centro das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), Antonio Eduardo Tonielo Filho, a falta de diálogo da presidente afetou o setor.

“É natural dela. É uma coisa pessoal. Não gosta de escutar muito, mas a eleição mostrou que esse jeito de governar não deu certo”, disse ele, se referindo ao fato de a presidente ter dado uma maior abertura nos meses que antecederam a votação.
O presidente da Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores), Flávio Viegas, afirmou que o país precisa de uma legislação trabalhista para atender as necessidades de quem produz no campo.

Já o diretor-executivo da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) em Ribeirão Preto, Marcos Matos, disse que será importante o Ministério da Agricultura desempenhar um papel de maior influência no governo federal.

“Esse ministério deve ter uma representatividade maior no governo, com poder de decisão no Orçamento, com mais influência”, afirmou o diretor-executivo.

REFORMAS

As lideranças ouvidas pela Folha disseram também que o Brasil só voltará a crescer economicamente quando o governo fizer as reformas tributária e trabalhista.

“O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Isso precisa ser passado a limpo, mas Brasília [governo] não está a fim de perder receita. As empresas estão estagnadas”, disse Ademir Ramos, diretor do Ciesp na região de Araraquara (a 273 km de São Paulo).

Para o presidente do Sindifranca (sindicato da indústria de calçados) de Franca (a 400 km de São Paulo), José Carlos Brigagão do Couto, há dificuldade de se conversar com a presidente.

“Ela precisa descer ao chão da fábrica e descentralizar mais as decisões”, afirmou.

Fonte: Folha de S. Paulo

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